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Em Drama

Crítica: Nasce Uma Estrela (A Star is Born, EUA, 2018)

  • 16 de outubro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Nasce Uma Estrela (A Star is Born, EUA, 2018)
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Dirigido por Bradley Cooper. Roteirizado por Bradley Cooper, Will Fetters, Eric Roth, William A. Wellman. Elenco: Lady Gaga, Bradley Cooper, Sam Elliott, Andrew Dice Clay, Anthony Ramos, Rafi Gavron, Dave Chappelle, Bonnie Somerville, Michael Harney, Rebecca Field, Willam Belli, Eddie Griffin, Greg Grunberg, Alec Baldwin, Luenell Michael D. Roberts, Barry Shabaka Henley, D.J. “Shangela” Pierce.

Nasce Uma Estrela é um filme do gênero musical originalmente estrelado por Judy Garland e James Mason em 1954, que por sua vez era um remake da obra de 1937, no qual se abordavam os sabores doces do estrelato e ao mesmo tempo o gosto amargo de ser uma figura pública em Hollywood. Agora em 2018, com Lady Gaga e Bradley Cooper incorporando (quase) os mesmos personagens, este novo remake visa desenvolver temática semelhante em uma perspectiva bastante contemporânea, humana, e portanto mais próxima de nossa realidade. Em outras palavras, trata-se do processo criativo do artista e as pressões advindas da carreira. Apenas para que possamos perceber o que mudou ou não na indústria do entretenimento musical.   

Bradley Cooper ao assumir a direção pela primeira vez, assim como um dos papeis principais como o músico Jackson Maine, faz um trabalho impressionante e habilidoso. Embora a narrativa não dependa diretamente das composições musicais para ser catalogado em seu gênero próprio, este elemento não deixa de ser menos importante para fazer parte dos momentos específicos pelos quais os personagens passam. São músicas poderosas como “Shallow” que sempre trazem um pouco da história pessoal de cada personagem, ou quando se toca uma versão delicada de “La Vie em Rose” para anunciar um romance e o poder sedutor da música. Cooper, neste aspecto, traz um equilíbrio perfeito entre imagem e som.  

A título de exemplo, podemos mencionar as melodias e a fotografia energética dos concertos e shows de seu personagem com a utilização de shaky cams, as quais acompanham os movimentos do músico em seu ápice. Por sua vez, nos momentos de decadência do artista, o mesmo recurso é utilizado apenas com uma freqüência mais lenta e o que antes simbolizava êxtase, passa a simbolizar um abismo. O design de som igualmente incorpora as limitações físicas e o desequilibro emocional de Jack por meio dos sons agudos que enaltecem a sua fragilidade criando um efeito impactante no seu espectador.

Nasce Uma Estrela (Créditos: Warner Bros.)

Lady Gaga, como Ally, não está aquém de seu parceiro e traz uma atuação maravilhosa e poderosa, que transmite exatamente a frustração de muitos artistas em começo de carreira: todos os empecilhos, preconceitos, exigências absurdas e inseguranças em especial que são bastante comuns, inclusive, ao vivenciado por muitas mulheres que passam pela indústria.  

Dessa forma, o trabalho da montagem cria um dinamismo muito forte entre a ascensão e ao mesmo tempo a decadência de duas estrelas e como isso afetou diretamente ambos por estarem em um casamento. É uma pena, no entanto, que o roteiro tenha deixado de lado a posiçãoadotada pela personagem em relação às transformações físicas e de sua própria música quando Ally categoricamente as repudiavam no início, assim como uma cena completamente aleatória e descartável envolvendo Dave Chappelle, cujo personagem nunca mais retorna a fazer parte da jornada dos protagonistas, mesmo estando presente em um dos instantes-chave da narrativa.

Mesmo assim, Nasce uma Estrela é um divertido e emocionante filme sobre a vida e a humanidade das celebridades.

Por Gabriella Tomasi, 16 de outubro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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