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Crítica: Mulher-Maravilha (Wonder Woman, EUA, 2017)

  • 1 de junho de 2017
  • Por admin
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Crítica: Mulher-Maravilha (Wonder Woman, EUA, 2017)
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Dirigido por Patty Jenkins. Roteirizado por Allan Heinberg, Zack Snyder, Jason Fuchs. Baseado em Mulher-Maravilha por William Moulton Marston. Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Danny Huston, David Thewlis, Connie Nielsen, Elena Anaya.

Mulher-Maravilha teve sua origem lá em 1941 quando um escritor chamado William Moulton Marston publicou a primeira aventura e apresentou a heroína ao mundo. Após alguns filmes animados e a famosa adaptação para a televisão em 1975, cujo seriado elencava a icônica Lynda Carter como protagonista, infelizmente sua história jamais fora contada na tela do cinema embora diversos outros heróis fossem objetos de inúmeras versões diferentes e spin-offs, como Batman e Super-Homem. Em pleno 2017 já estava mais do que obrigatória a presença feminina que, antes da estréia da Liga da Justiça, passa a ter sua visão de mundo relatada.

A trama tem início quando Bruce Wayne envia uma fotografia da protagonista encontrada lá em Batman vs. Superman. Obviamente, o gesto emociona e lhe trás todas as lembranças que a partir de então são desenvolvidas pela narrativa. Somos transportados para Temiscira, uma ilha habitada somente por amazonas guerreiras destinadas a manter a paz de todo o mal do mundo. Diana (Gadot) nos conta como cresceu e recebeu todo o treinamento para se tornar a mulher que nós conhecemos atualmente. Certo dia, o piloto Steve Trevor (Pine) acidentalmente cai na ilha com seu avião que estava em meio à uma batalha. Após salvá-lo, Steve lhe conta sobre a Primeira Guerra Mundial – ou a Grande Guerra como era referida – que estava acontecendo e a devastação alemã. Suspeitando se tratar do trabalho do deus da guerra Ares, para colocar em perigo e contaminar a mente da humanidade, a heroína decide acompanhá-lo na jornada para acabar com o conflito.

A direção de arte e a fotografia trabalharam em conjunto e criaram um contraste maravilhoso: se nos minutos iniciais nos deparamos com águas cristalinas, clima quente, com muita luz amarela e branca, Diana cai no mundo britânico e do homem com tons pesados de cinza e preto. Essa técnica serve não somente para opor os ambientes e ressaltar a pobreza das indústrias e da sociedade em geral, mas também para refletir emocionalmente o estado da heroína que se encontra em um lugar longe de sua casa e de tudo que ela conhece; um lugar mais corrompido, injusto e degradante, onde ela encontra pessoas com dor e fome. Não é à toa, portanto, que a sua ingenuidade em relação a esse mundo mais “civilizado” e urbano se presta para criar certo alívio cômico, mas também em grande parte para explorar e investigar mais sutilmente como era ser mulher naquela época de modo a enaltecer essa diferença de gêneros que era simplesmente desconhecida para os olhos e para a realidade de Diana. É desta maneira que podemos reconhecer nossos próprios erros. Essa situação nós podemos ver claramente quando compara a profissão de secretária com “escravidão”; ou a sua presença em espaços políticos que causa imenso desconforto nos demais; ou até mesmo a descrença que uma mulher poderia conhecer outros idiomas e ser culta e; quando a sua presença em campo de batalha é motivo de risada por muitos. É um mundo onde “machismo” e “conservadorismo” são termos inexistentes para ela. Fica evidente e bastante a intrigante, pois, como o feminismo fora desenvolvido aqui, porque quando o viés realista trás aqueles conceitos arcaicos, o lado fantasioso da heroína é presente justamente para demonstrar o contrário.

 

Mulher-Maravilha (Créditos: Warner Bros.)

A direção de Jenkins, por sua vez, soube muito bem conduzir um ritmo coeso, trabalhado e cuidado principalmente nas cenas de ação, onde cada movimento pode ser apreciado, assim como a alteração do frame-rate para criar cenas em slow-motion que mostram em diversos ângulos lutas muito bem coreografadas e empolgantes. Longe de delinear Diana como um objeto de desejo ou sexualidade, aqui realmente se transmite literalmente o seu lado guerreiro destemido. Steve, por sua vez, se torna um grande parceiro e felizmente os personagens masculinos não se sobressaem à imagem da personagem-título.

Todavia, se o longa caminhava bem até o segundo ato, já no período final ele perde um pouco seu ritmo, principalmente durante o clímax. A decupagem se torna um pouco confusa tentando dar conta de vários personagens em um mesmo local sem a noção lógica de que tudo acontece ao mesmo tempo e os vilões perdem sua força e parecem deslocados na narrativa. O confronto final, tão esperado já no final dos seus cento e quarenta e um minutos, mesmo utilizando uma motivação um tanto clichê e bastante repetida em outras produções, ainda nos ensina sobre o significado dos seus atos heróicos e se ainda vale a pena lutar por uma humanidade que muitas vezes não merece ser salva ante o mal que ela propaga.

Apenas não se enganem, porque novamente o 3D contribui muito pouco para a experiência.

Dessa forma, Mulher-Maravilha está longe de ser uma obra prefeita, mas mesmo com seus defeitos é um grande avanço e uma enorme evolução para os padrões da franquia. Só esperamos que esse progresso continue e que a DC nos presenteie com mais obras especiais como esta.

Por admin, 1 de junho de 2017
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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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