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Crítica: Missão Impossível: Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, EUA, 2018)

  • 2 de agosto de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Missão Impossível: Efeito Fallout (Mission: Impossible – Fallout, EUA, 2018)
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Dirigido e roteirizado por Christopher McQuarrie. Baseado em Mission: Impossible por Bruce Geller. Elenco: Tom Cruise, Henry Cavill, Ving Rhames, Simon Pegg, Rebecca Ferguson, Sean Harris, Angela Bassett, Michelle Monaghan, Alec Baldwin.

Missão Impossível é, sem nenhuma dúvida, uma das franquias mais famosas da sétima arte e que teve sua sequencia iniciada em 1996 na direção de Brian de Palma. Desde então, sempre alcançou sucesso de bilheteria se consolidando gradativamente como um dos mais célebres filmes de ação. Neste ano, o personagem Ethan Hunt (Cruise) retorna às telas do cinema entregando o prometido: uma corrida contra o tempo para consertar o erro de uma missão que já é narrada nos minutos iniciais. Então, ele se junta ao agente da CIA, Walker (Cavill) para encontrar o vilão terrorista John Lark.

Christopher McQuarrie assume a direção mais uma vez e já conta com uma prévia parceria com Tom Cruise em filmes como Jack Reacher (2012) e Missão Impossível: Nação Secreta (2015), cujo resultado fora essencial para o sucesso que é esta sequencia. McQuarrie habilmente mantém o controle da câmera em ângulos mais abertos com o intuito de não somente tornar as coreografias das lutas mais palpáveis, mas também demonstrar o tamanho do perigo que o protagonista se encontra ao se deparar com prédios altos, penhascos da montanha ou perseguições de helicóptero ou carro.

Para tanto, o design de som contribuiu enormemente deixando de lado um pouco a trilha sonora para apostar no próprio som da diegese. Assim sendo, nunca deixamos de ouvir o motor de um veículo, a batida de um caminhão, o cantar de um pneu entre outros elementos que fazem enriquecer a experiência para seu público. E isso combinado a completa ausência de dublês (não podemos esquecer do acidente em que Tom Cruise se machucou em uma das cenas) e o uso mínimo da tecnologia CGI faz com que o protagonista se humanize.

Missão Impossível – Efeito Fallout (Créditos: IMDb)

Percebemos, dessa forma, os esforços físicos e as dificuldades enfrentadas pelo ator, fazendo com que seu personagem deixe de possuir a aura de uma figura intocável e infalível. Mesmo sendo um agente treinado e altamente qualificado, sentimos o quanto o próprio personagem doa de si mesmo para atingir um objetivo e evitar catástrofes mundiais. Já nos minutos que abrem o longa a mensagem é clara: Ethan Hunt é passível de erros, quando sacrifica toda uma missão para salvar um colega e calcula mal seus movimentos ao deixar um objeto para trás. Não somente durante suas missões, mas também o retorno do seu próprio passado se torna um elemento que ressalta ainda mais a dificuldade de sua função e o quanto de sua vida pessoal ele abdicou em prol de um bem maior. Esse efeito obviamente aproxima o espectador de seu protagonista, criando uma empatia e admiração pelos obstáculos enfrentados.

Em relação ao roteiro, é possível notar a presença mais forte da temática política, além da clássica espionagem. Há muitos plot twists envolvidos nesse caso e, infelizmente, é o que fragiliza o resultado do longa. Isso porque a exagerada quantidade de reviravoltas torna a narrativa inchada, alguns personagens ambíguos e o fato de que esses pontos são muito mal desenvolvidos e explicados prejudica e torna muito superficial a narrativa, principalmente no que tange às personagens femininas. A título de exemplo podemos mencionar Ilsa (Ferguson) que a princípio se revela com uma possível antagonista para Hunt, a total falta de explicação para uma emboscada arquitetada por Sloane (Bassett), e a presença de Julia (Monaghan). Todas parecem carecer de autonomia e se prestam apenas para orbitar em volta de Hunt, o que é um fator que incomoda muito.

Mas apesar dos defeitos Missão Impossível – Efeito Fallout vale a experiência e o ingresso. É provavelmente um dos melhores filmes de ação que teremos o prazer de testemunhar no ano de 2018.

Por Gabriella Tomasi, 2 de agosto de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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