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Crítica: Megatubarão (The Meg, EUA, 2018)

  • 10 de agosto de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Megatubarão (The Meg, EUA, 2018)
Rating: 3.0. From 1 vote.
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Dirigido por Jon Turteltaub. Roteirizado por Dean Georgaris, Jon Hoeber, Erich Hoeber. Baseado no romance Meg: A Novel of Deep Terror por Steve Alten. Elenco: Jason Statham, Li Bingbing, Rainn Wilson, Ruby Rose, Winston Chao, Cliff Curtis, Winston Chao, Shuya Sophia.

 

O homem sempre buscou explicar e ter controle sob os fenômenos naturais em sua volta. O seu natural impulso pelo conhecimento e a curiosidade o levaram desde a conquista da lua, a possível descoberta de vida em outros planetas, até as altas montanhas do Everest ou as profundidades do Oceano.

Da mesma forma, a almejada dominação da natureza e as consequencias imprevisíveis dessa intervenção são sempre evidenciadas nas notícias e, por conseguinte, despertou a mente criativa dos realizadores da sétima arte. Apenas nos últimos anos podemos elencar um número vasto de filmes que exploram essa temática, principalmente sob a ótica da sobrevivência de nossa espécie: Terremoto: A Falha de San Andreas (2015), Evereste (2015), Jurassic World – Reino Ameaçado (2018)Rampage – Destruição Total (2018)Kong – A Ilha da Caveira (2017)Águas Rasas (2016), etc.

Megatubarão entra nesta lista em 2018 e, ao lado de sua inspiração em filmes como No Fundo do Mar (1999) e o clássico de Spielberg Tubarão (1975), o enredo trata de um investidor jovem bilionário Jack Morris (Wilson) que visita seu centro de pesquisa oceânica liderada pelo oceanógrafo chinês Dr. Zhang (Chao), e cujo objetivo é encontrar novas formas de vida nas profundidades do mar, desconhecidas pela ciência até então. Após o encontro de sua equipe com o maior tubarão pré-histórico que emerge para a superfície, eles contratam o mergulhador Jonas Taylor (Statham) com o intuito de combater a criatura.

Por um lado, o longa é muito bem produzido e faz jus às suas homenagens. Assim como na famosa produção de 75, o vilão aquático é muito pouco visto por inteiro, utilizando a perspectiva do horror e do medo dos personagens frente a eventos desconhecidos para causar o mesmo impacto nos espectadores. Assim sendo, muitas vezes mal vemos o relance do animal, mas apenas por testemunhar o seu poder destrutivo de arrastar embarcações e equipamentos grandes, poder engolir ou deixar sua marca em materiais resistentes e de última tecnologia é o suficiente para que o cineasta Turteltaub seja bem sucedido em sua tarefa.

 

Há um contraste de cores entre as tonalidades rosa e azul, as quais exprimem delicadeza e ingenuidade da personagem mirim, frente às cores cinza da criatura denotando o obscuro e perigoso em Megatubarão

Outro ponto positivo de sua direção é a utilização da câmera subjetiva, principalmente quando os personagens mergulham na água. O diretor nos confere a sensação de que literalmente estamos entrando em um mundo obscuro, claustrofóbico e potencialmente fatal. A fotografia, neste aspecto, também contribui para tanto, empregando uma paleta bem escura e cinzenta que apenas nos é possível distinguir algo pela lanterna dos mergulhadores, criando um suspense palpável. Isso também contrasta enormemente com as cores vivas das praias e o azul brilhoso de quando Morris vê pela primeira vez as baleias que rondam a plataforma.

Embora haja muitos outros aspectos louváveis de Megatubarão, como o peso do luto sofrido pelos colegas, o tamanho do sacrifício que os personagens fazem, e também as decisões tomadas para vencer o tubarão, os quais trazem um realismo para esta ficção, ele peca em vários outros sentidos.

Isso porque o maior problema do filme é o tom cômico que o longa assume. Ele simplesmente não combina com a dramaticidade e a seriedade dos eventos. São piadas inoportunas, tiradas desnecessárias que comprometem o impacto de algumas cenas, principalmente quando são inseridas em situações de morte e perigo iminente.

Outra escolha de mau gosto são as personalidades unidimencionais e estereotipadas de alguns personagens, assim como o papel sofrível que as personagens femininas possuem. É a olhada de Suyin (Bingbing) para o corpo sarado de Taylor; o constante desafio em relação às competências profissionais de Jaxx (Rose); o irritável Morris e sua mentalidade infantil de salvar seu patrimônio (como se não soubéssemos que isso NUNCA dá certo); a beldade que não resiste aos encantos do protagonista; aquele colega que – sempre – faz piadas sobre não querer morrer; entre outras situações.

Por fim, Megatubarão é uma produção decente e muito bem feita sobre os terrores do fundo do mar. Mas é uma pena que sua história seja tão clichê.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural
Por Gabriella Tomasi, 10 de agosto de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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