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Em Terror

Crítica: Medo Viral (Bedeviled, EUA, 2018)

  • 15 de agosto de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Medo Viral (Bedeviled, EUA, 2018)
Rating: 1.0. From 1 vote.
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Dirigido e roteirizado por Abel e Burlee Vang. Elenco: Saxon Sharbino, Mitchell Edwards, Carson Boatman, Jordan Essoe, Victory Van Tuyl, Brandon Soo Hoo, Bonnie Morgan, Alexis G. Zall.

A tecnologia, de um modo geral, nos trouxe inúmeros benefícios e comodismos. Seus limites e consequencias são amplamente discutidos e estudados em vários ramos das áreas humanas como a sociologia e a filosofia. O maior exemplo desse reflexo na indústria cinematográfica é a estréia da série original da Netflix, Black Mirror, a qual coloca em xeque todos os potenciais perigos aos quais podemos estar submetidos advindos dessa dependência desmesurada que nos tornamos dela.

Neste contexto, Medo Viral possui uma premissa interessante em debater justamente esta questão, por meio de um aplicativo que aparece no celular e cuja entidade sobrenatural tem o prazer de aterrorizar e eventualmente até matar suas vítimas. A trama começa quando Nikki (Zall), uma adolescente morre repentinamente, e posteriormente, a entidade passa a fazer o mesmo com o seu grupo de amigos.

Contudo, o problema é que não há nada que faça sentido neste filme.

Isso porque, primeiramente, a discussão da própria tecnologia é completamente deixada de lado em meio ao filme, para se tornar mais um clichê de terror como tantos outros. O longa até tenta desenvolver os pontos negativos de estarmos inseridos em uma área digital como os vídeos caseiros que são compartilhados ou então o fato de que o grupo precisa guardar o celular para conversar direito. No entanto, nada disso é efetivamente trabalhado, ou seja, tem um começo, meio e fim para as questões que discutem. Ao contrário, elas apenas se tornam conveniências pontuais de um roteiro raso e mal decupado.

Medo Viral (Créditos: Fênix Filmes)

Da mesma forma, todo o trabalho de direção, fotografia e mise-en-scène contribuem e ressaltam ainda mais o roteiro já comum demais. Os irmãos Vang usam e abusam dos ângulos tortos (ou holandeses) em todos os momentos de tensão; as cores da paleta são óbvias demais, como o constante uso do azul neon nas cenas de perseguição e escuridão; e os personagens se comportam de maneira extremamente previsível, com um excessivo número de jump scares e alucinações datadas, muito embora a criatura em si seja a única coisa que é muito bem feita.

Outro fator preocupante no que tange também aos personagens deste filme, é que todos são incrivelmente unidimencionais, cujas informações sobre eles mesmos ora não são explicadas, ora aparecem de maneira muito conveniente. A título de exemplo, podemos mencionar a aula sobre “medo” na escola em que nada agrega à narrativa; os casais que são formados tardiamente; tudo o que envolve a cena do teatro da escola não faz sentido de existir; as rivalidades desnecessárias que somente aparecem em momentos pontuais e; a incrível genialidade de Cody (Edwards) para os computadores que sequer é motivado. Isso sem mencionar que a aparência ou o comportamento de nenhum dos personagens condiz com a idade que eles interpretam.

Por fim, um aspecto que também não fora eficientemente abordado são as figuras adultas. Em muitas produções é comum ver um universo desenvolvido sem elas, com o intuito de ressaltar a ingenuidade ou a fragilidade de seus personagens perante o mal como em It: A Coisa (2017), por exemplo. Entretanto, em Medo Viral esta questão não fica devidamente clara e o espectador não consegue distinguir esse papel dos pais na vida dos adolescentes, já que mal aparecem em tela, o que torna algumas situações inexplicáveis como o fato de que Alice (Sharbino) e Cody, assim como Gavin (Boatman) conseguem entrar facilmente nas casas uns dos outros.

Assim sendo, a péssima execução desse filme nos remetem imediatamente às produções igualmente medíocres como as obras finais de Dario Argento, Jogador Misterioso (2004) e Giallo – Reféns do Medo (2009)

Em suma, Medo Viral é um filme de terror extremamente irregular que facilmente será esquecido na mente daqueles que tiverem a coragem (no mau sentido) de assisti-lo.

Por Gabriella Tomasi, 15 de agosto de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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