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Em Fantasia

Crítica: Máquinas Mortais (Mortal Engines, EUA, 2019)

  • 10 de janeiro de 2019
  • Por Gabriella Tomasi
  • 0 Comentários
Crítica: Máquinas Mortais (Mortal Engines, EUA, 2019)
Rating: 1.0. From 1 vote.
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Dirigido por Christian Rivers. Roteirizado por Fran Walsh, Philippa Boyens, Peter Jackson. Baseado no livro homônimo por Philip Reeve. Elenco: Hugo Weaving, Hera Hilmar, Robert Sheehan, Jihae, Ronan Raftery, Leila George, Patrick Malahide, Stephen Lang.

Máquinas Mortais trata-se da história do futuro de um universo pós apocalíptico em que cidades móveis se locomovem sob quatro rodas e normalmente funcionam como predadores para caçar umas às outras, como um novo modelo imperialista de nações em busca de novas riquezas e recursos. Neste contexto, Hester Shaw (Hilmar) vai atrás de um dos maiores impérios, a cidade de Londres, para uma vingança pessoal contra um dos membros do alto escalão de seu governo.

O filme, em geral, possui um excelente argumento sobre o quanto o ser humano se tornou tão individualista a ponto de sobrepor as suas próprias ambições acima de todos. Em um contexto futurista e distópico, é evidente que ele nunca aprende com os erros do passado mesmo com tantos museus para os lembrarem dos acontecimentos que os levaram a viver nessas péssimas condições.

É uma crítica, portanto, aos modelos colonialistas e capitalistas que é exposta como um movimento cíclico que parece não ter fim e é perfeitamente relacionável com o que vivemos historicamente. No entanto, é uma pena que o longa não desenvolve essa ideia em prol de aventuras cansativas e superdramatizadas e, o novato diretor Rivers não faz o mesmo para evoluir e acaba repetindo – literalmente – todos os clichês cinematográficos existentes na história da sétima arte.

Isso porque Máquinas Mortais fracassa desde o momento da concepção de seu design de produção. Ela não se explica. Há sempre afirmações aleatórias pelos personagens da trama de como a geografia mundial mudou, mas nunca somos apresentados à deste novo. Ainda, há toda uma gama de novos povos, mitologias e universos que tampouco são explicados, como por exemplo, a origem do robô Shrike (Lang). Inclusive, a corrida colonial em que presenciamos nos trailers em que uma cidade corre atrás da outra, em contrapartida, é vista apenas de início e no final, como um pano de fundo para inúmeras subtramas infladas.

Máquinas Mortais (Créditos: IMDb)

Nesse sentido, a quantidade de informações novas que são jogadas em seu espectador sem nenhum motivo aparente, parece refletir o falho roteiro que se move apenas e unicamente a favor de suas próprias conveniências, que mesmo tendo um nome de peso, como Peter Jackson (responsável pelos clássicos O Senhor dos Anéis e King Kong) jamais parecem ter a preocupação de serem consertadas. Assim sendo, acaba sendo extremamente genérico.

Podemos mencionar inúmeros exemplos em que isso acontece: a completa desnecessidade da existência da filha do antagonista Valentine (Weaving), Katherine (George), cuja jornada apenas se mostrou pertinente para revelar os planos de seu pai; Bevis (Raftery), o qual, assim como a personagem anterior aparece e desaparece quando o roteiro precisa, testemunhando um crime que sequer tenta explica o porquê de ele estar naquele lugar e naquele momento; Anna Fang (Jihae) membro de um grupo de resistência que nem sabemos ao quê eles resistem exatamente; o prefeito de Londres Magnus Crome (Malahide) que somente cobra Valentine de seus deveres; Shrike (Lang) que apenas oferece mais um obstáculo para o heroísmo da protagonista; e isso sem mencionar o previsível e sem graça romance entra Hester e Tom (Sheehan). Reservo-me a apenas comentar alguns, pois se elenco todos, acabo entrando em spoilers.

Há também grandes referências à saga Star Wars, a quem este longa pretendia homenagear. O filme, portanto, possui algumas cenas interessantes com conotações políticas importantes, como o massacre na sala de controle, a revelação de uma paternidade, os diferentes universos que são criados para se adaptarem à distopia, entre outros elementos. Contudo, acaba fazendo um desserviço ao clássico de George Lucas, já que não consegue sustentar logicamente nenhum deles.

Além disso, o trabalho do diretor Rivers é inteiramente desprovido de algum trabalho visual mais refinado, fazendo com que o excessivo diálogo e monólogo dos personagens desenvolvido pelo roteiro se sobreponha à qualquer tentativa, como, por exemplo, um símbolo que se apresenta como uma pista durante a narrativa e é bastante ignorada visualmente. A narrativa se torna incrivelmente expositiva e, por conseguinte, cansativa. Para não ser injusta, há sim a exceção de um incrível plano filmado em ângulo aberto que ressalta a destruição do meio ambiente quando Hester e Tom iniciam juntos a jornada de escapar dos “sulistas”.

Máquinas Mortais é, portanto, um filme com grande potencial para ser bem sucedido, mas que não empregou nenhum esforço para tanto, sendo, na realidade, mais um resultado de produções medíocres facilmente esquecíveis.

Por Gabriella Tomasi, 10 de janeiro de 2019 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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