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Em Comédia

Crítica: Lolo – O Filho da Minha Namorada (Lolo, França, 2015)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Lolo – O Filho da Minha Namorada (Lolo, França, 2015)
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Nota: 3,0/5,0*   

Dirigido e roteirizado por Julie Delpy, junto com Eugénie Grandval. Elenco com Dany Boon, Julie Delpy, Vincent Lacoste, Karin Viard.

Lançado originalmente em 2015 na França, mas com estréia em nível mundial em 2016, a história do oitavo filme da diretora gira em torno na vida de Violette (Delpy). No início, encontramos ela e Ariane (Viard), de férias em um spa na cidade de Biarritz, discutindo sobre suas vidas. Em seus 40 e poucos anos, elas falam sobre suas necessidades sexuais e realidade amorosa nas suas idades.

Violette é retratada como uma mulher forte, independente que trabalha no mundo da moda, mas é um desastre na sua vida amorosa: neurótica, obsessiva e insegura, pois todos os relacionamentos anteriores foram fracassos. Ainda assim, ela se interessa e engata um namoro com um homem local, Jean-René, um técnico de informática divorciado.

O conflito acontece quando Jean-René se muda para Paris para estar com Violette. Lá, ele conhece seu filho: Éloi (Lacoste), ou Lolo, para os íntimos. Um menino em seus 20 anos. De aparência bem mais jovem que sua idade, fica claro para nós, espectadores, que ele literalmente não desmamou de sua mãe. Ele nos é apresentado vestindo uma cueca que lembra uma fralda, assim como com a sua lembrança dos seios que o amamentaram, quando acaricia um dos pares de ovos no café da manhã. Igualmente, é extremamente frágil: reclama de dor por qualquer coisa só para chamar atenção. Não lhe agradando o novo relacionamento, Lolo está determinado a afugentar Jean-René da vida de sua mãe, assim como o fez com todos os seus namorados anteriores, sem ela nem ter conhecimento deste fato.

Mesmo não possuindo nada de inovador na sua execução, alguns detalhes introduzidos ficaram muito legais na sua composição, como as localizações parisienses, a vista do novo apartamento de Jean-René para um pedacinho da Torre Eiffel, o mundo da moda, as cameos de Karl Lagerfeld e Frédéric Beigbeder, as mensagens de texto na tela, entre outros.

Contudo, o roteiro não conseguiu se desenvolver de uma forma harmônica. O filme começa com um humor inteligente. No entanto, a narrativa fica bastante confusa ao longo da trama, uma vez que se torna cada vez mais sombria a partir do segundo ato. Os meios que Lolo encontra para sabotar, de maneiras diferentes, o relacionamento, são cada vez mais cruéis e nada engraçados. Lolo é revelado como um completo psicopata não se importando com as conseqüências de seus atos na vida de outras pessoas. O tom, a partir daí, se torna dramático, um humor negro sem graça, perdendo o ritmo da comicidade quase que por inteiro.

Com um elenco talentoso, Dany Boon ficou tímido em tela, mas o romance entre o seu personagem e a de Julie Delpy foi bem desenvolvido e a química entre os atores funcionou maravilhosamente bem e renderam muitas risadas. Vincent Lacoste, por sua vez, foi a escolha acertada para o papel, apesar do material que lhe foi dado, interpretando muito bem um garoto mimado com sérios problemas psicológicos.

É um filme que aborda a complexidade da relação entre mãe e filho: a independência que toda mãe solteira merece e, ao mesmo tempo, a superproteção que elas dão aos seus filhos e a importância de cortar o “cordão umbilical”.

Ele pode ser considerado como otimista no seu desfecho, mas o toque de ironia ao final é o que realmente foi genial.

Por Gabriella Tomasi, 14 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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