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Em Comédia

Crítica: Lego Batman – O Filme (The Lego Batman Movie, EUA, 2017)

  • 9 de fevereiro de 2017
  • Por Gabriella Tomasi
  • 1 Comentários
Crítica: Lego Batman – O Filme (The Lego Batman Movie, EUA, 2017)
Rating: 4.0. From 1 vote.
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Direção por Chris McKay. Roteiro por: Seth Grahame-Smith, Chris McKenna, Erik Sommers, Jared Stern e John Whittington. Elenco de vozes originais: Will Arnett, Zach Galifianakis, Rosario Dawson, Michael Cera, Rosario Dawson, Jenny Slate, Mariah Carey, Billy Dee Williams

Em 2014 quando Uma Aventura LEGO chegou ao cinemas, surpreendeu o mundo. Quem diria que um filme com legos animados iria fazer um sucesso e ser muito bem feito. A Warner Bros. então fez o acerto em logo investir na ideia que encantou a todos e, desta vez, estamos diante de um spin-off de Batman neste filme recheado de ação.

O Cavaleiro das Trevas ganhou inúmeras versões ao longo das décadas (mais de 70) sendo inclusive interpretado por diversos atores na TV e no cinema. Com o intuito de evitar quaisquer repetições do que já fora feito em seus antecessores, os roteiristas tiveram a ideia de fazer um estudo do personagem  e da mitologia de modo criativo ao exercer uma abordagem quase metalingüística. Uma verdadeira homenagem ao super-herói e ao universo DC, ao mesmo tempo em que desfruta e brinca de forma inteligente com sua própria história, como, por exemplo, sua verdadeira identidade que nunca deixou de ser escondida (Coringa diz: “Peraí. Você ta querendo dizer que Bruce Wayne e Batman….racham apartamento?”)

O longa já começa com uma referência à Deadpool: “Todos os filmes importantes começam com uma tela preta”. Ainda, faz brincadeiras com os próprios créditos iniciais. Na sequencia, com um ritmo frenético em seu primeiro ato, a história inicia com a apresentação de todos os personagens enquanto os vilões executam mais um dos (inúmeros) planos liderado pelo Coringa em dominar Gotham City. Após o seqüestro de um avião, o vilão indaga ao piloto: “você não está com medo?” Ele replica: “Não, eu sei que você vai ser derrotado pelo Batman” em uma ironia maravilhosa. Mas ainda assim ele não desiste e dá continuidade aos seus planos malignos, conseguindo até certo momento implantar o ambiente de terror na cidade e, como de costume, Batman salva a todos na última hora. Deixo claro aqui que não se trata de spoilers: mas sim uma pequena introdução do que realmente está por vir.

Assim sendo, nós somos introduzidos ao protagonista. Um herói que tem plena consciência de que é um herói e de toda a sua história (Ele afirma ainda em certo momento: “Eu envelheci incrivelmente bem”). Narcísico, egocêntrico, corajoso, vulnerável. Essas são as maiores qualidades do personagem, que gaba de sua “barriga tanquinho”, toca guitarra gratuitamente e distribui camisetas e outros adereços do Batman – ou seja, a marca de um verdadeiro “rock star”.  De outro lado, temos um Coringa que explora o sentimentalismo de forma brilhante, que exige o seu reconhecimento pelo Batman como seu maior arquiinimigo (“Diz que me odeia? Diz que eu sou o único que você mais odeia”), gerando momentos cômicos sensacionais. Afinal, o vilão já é louco como sabemos e, por isso, acaba funcionando tão bem. Essa dinâmica então dá início à uma reflexão interessante e profunda, que servirá de pista para o desfecho da trama: o que seria do protetor Batman em um mundo sem crimes, isto é, de paz? É o que percebemos quando o maior vilão de todos se entrega à polícia, deixando nosso super-herói sozinho, sem propósito na sua vida, já que a dedicou inteiramente ao combate ao crime. Por conseguinte, será que Batman depende de Coringa para ter serventia?

Lego Batman – O Filme (Créditos a Warner Bros. e IMDb)

A solidão e também a carência pela morte de seus pais, revela a fragilidade do protagonista, em referência à versão de 2008 protagonizado na época por Christian Bale, explorando especificadamente a figura paterna de Alfred, o interesse amoroso da nova chefe de polícia Barbara Gordon (Babi) e Robin (ou Dick). Aqui a parceira criada entre Batman e este último é fantástica, ao ironizar o suposto “relacionamento gay” entre ambos, ao mesmo tempo em que aproveita a oportunidade para caçoar o coadjuvante com sua capa brilhante e shortinho curto. Todos os mencionados elementos engrandecem o arco dramático do protagonista e lhe conferem mais complexidade à sua personalidade, sem necessariamente recorrer à redundâncias.

Com cutucadas à Esquadrão Suicida, e, ainda, múltiplas referências e recriações de cenas icônicas das versões anteriores do filme Batman e sua série de TV dos Anos 60, incluindo os letreiros “pow” e “wow” durante batalhas, a dança bizarra de Adam West, e a rivalidade de Superman em Batman vs. Superman, constantemente debochando da sua principal “concorrência”. Além de inserir referências a outros filmes de comédia-romântica como Marley e Eu, e Jerry Maguire (reproduzindo sua cena mais famosa), os vilões mais temidos do cinema também possuem uma participação especial, tais como: Sauron, King Kong, a Bruxa de O Mágico de Oz, Drácula, Gozilla, Lord Voldemort e o Agente Smith de Matrix.

Notamos, portanto, que o filme é um prato cheio de diversão que atinge vários tipos publico, tanto para os mais novos quanto para os mais velhos que encontrarão nostalgia nele e se divertir com as referências fílmicas e musicais, ao abordar a cultura pop de várias épocas diferentes, desde: “Wake Me Before You Go Go” e o recente “Heros (We Could Be)”.

Tecnicamente, o longa tem uma gráfica impecável empregando cores vivas e brilhantes e que também sabe utilizar de maneira conveniente o formato “lego” como as cabeças que se grudam umas nas outras e o detalhe e o cuidado empregado para dar mais verossimilhança à característica física do próprio brinquedo quando, por exemplo, o encaixe do topo de suas cabeças balançam contra o vento.

Ainda que haja alguns elementos soltos e pouco desenvolvimento apropriado de alguns de seus personagens como a Liga da Justiça, por exemplo, Lego Batman – O Filme é entretenimento garantido para a família e para todas as idades. É a prova de que a franquia em sua versão animada pode ser e é muito melhor do que qualquer outra já feita por Zack Snyder.

Já estaremos aguardando ansiosamente para o próximas aventuras Lego.

Por Gabriella Tomasi, 9 de fevereiro de 2017 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.
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Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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