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Crítica: La La Land – Cantando Estações (La La Land, EUA, 2017)

  • 11 de janeiro de 2017
  • Por admin
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Crítica: La La Land – Cantando Estações (La La Land, EUA, 2017)
Rating: 5.0. From 1 vote.
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Dirigido e roteirizado por Damien Chazelle. Elenco: Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend, Rosemarie DeWitt

La La Land. La. L.A. Los Angeles. A cidade onde abriga inúmeros artistas e os que sonham em ser um de grande sucesso. Os primeiros minutos de projeção mostram uma avenida lotada de carros e, em seguida, dá-se início a um belíssimo plano-sequencia com muitas cores vivas, canto e dança coreografada, introduzindo esse lugar que, ao mesmo tempo em que pode se revelar acolhedor, se encontra igualmente saturado.

Este é um filme diferente, um gênero que já praticamente não vemos atualmente e se discordei da classificação de Sing – Quem Canta Seus Males Espanta, é porque La La Land é sim, o verdadeiro musical.

Mia (Stone) é uma aspirante atriz que trabalha em uma cafeteria dentro dos estúdios da Warner Bros. apenas para estar perto do que ela mais ama. Sebastian (Gosling) é um pianista de jazz que almeja o sucesso e não se contenta em tocar musicas banais como profissão. Ambos se apaixonam.

É muito interessante a forma como a narrativa é construída para desenvolver os personagens individualmente: em primeiro lugar, um encontro ao acaso entre os dois protagonistas nos conduz à perspectiva de Mia e a introdução de sua vida. Na sequencia, voltamos no tempo e partimos do mesmo ponto para explorar a perspectiva de Sebastian e sua vida, até que os dois se encontram novamente. Na sequencia, a narrativa desenvolve linearmente.

Porém, este filme não seria o que é, se não fosse pela química e carisma dos dois atores. Queridinhos atuais de Hollywood, Stone traz todo seu charme e descontração, enquanto Gosling traz a maioria do tom cômico, incorporando um pouco do humor trabalhado em Dois Caras Legais. Neste sentido, o filme pode ter todos os clichês do mundo (e ele tem vários!), mas apenas por termos atores tão cativantes e uma trama tão envolvente, que não só nos esquecemos deles, mas abraçamos todas as suas cafonices. Consequentemente, um diálogo brega se torna engraçadíssimo (Sebastian diz: “A gente sempre se esbarra. Você acha que significa algo?”. Mia responde: “Duvido”). Da mesma maneira, alguns possuem um conteúdo reflexivo. (Sebastian declara seu amor por jazz afirmando que “É sempre novo, e está morrendo”; ou então, quando ele se encontra infeliz em um emprego que seria o sonho de qualquer um que busca fama e dinheiro, mas nas palavras de Mia: “não é SEU sonho”.)

Citações dos clássicos Juventude Transviada, Casablanca, Levada da Breca, Interlúdio, e uma aura de Cantando na Chuva. As épocas de Gene Kelly e os filmes de Fred Astaire são bem lembradas e, neste sentido, o roteiro de Damien Chazelle – o mesmo que assume a direção – se preocupa tanto com as letras das músicas, quanto as suas coreografias, tornando-as parte de sua narrativa lírica. Dessa forma, junto com uma maravilhosa trilha sonora que casa bem os sentimentos a serem evocados em cada cena, as danças podem representar um duelo, ou uma valsa representa o amor entre os personagens e por aí vai.

la-la-land-trailer

Ryan Gosling e Emma Stone em La La Land

Apesar dos smartphones, o filme tem um ar retro, eis que fora filmado com a tecnologia 2.55:1 (razão de aspecto) em CinemaScope, a mesma utilizada por aqueles musicais dos anos 50. A escolha foi feita pelo próprio diretor e fotógrafo do longa: Linus Sandgren. Por conseguinte, há a presença de planos com cores vibrantes, que nos passam a sensação de magia em technicolor e inclusive a nostalgia dos filmes antigos . A direção de arte e figurino foram cuidadosamente planejados para que as cores também pudessem se complementar. Desde a cor da parede, até um secador de cabelo.

Embora capture muito bem toda essa alegria com o uso bastante evocativo de luzes neon, ela também carrega consigo uma profunda melancolia em suas paletas frias. Aliás, outro magnífico efeito é utilizar uma iluminação que isola Sebastian no piano, ou Mia em um teste, no plano para que cada um possa se desenvolver artisticamente (como se estivessem se libertando de todas pressões), até que ao final, o resto do ambiente reaparece apenas para colocá-los novamente para dentro da sua (cruel) realidade.

Neste contexto, o filme não é só feito de alegrias e fantasias, mas também é de um mundo de frustrações e inseguranças que atinge a vida dos protagonistas. Sonhos e ambições que ao longo do caminho são deixados de lado ou pela busca de estabilidade financeira ou pela influência da opinião dos outros. E quem não irá se identificar com esses elementos? Assim, mesmo que você não seja fã de musicais e de surrealismo, não se preocupe. A realidade vem para explorar momentos em que Mia e Sebastian enfrentam a rejeição em seus projetos ou desencontros dentro do relacionamento.

Mas longe de ser melodramática, a trama encontra a dose certa de humor inteligente que nos concede certos alívios, e o que seria deste filme sem John Legend e sua banda de jazz/pop? Uma mistura que com certeza traz muitas risadas.

Já o diretor de Whiplash – Em Busca da Perfeição demonstra sua incrível criatividade e competência ao acompanhar maravilhosamente bem o movimento das danças; a escolha de primeiríssimos planos em personagens que dialogam com o seu contra-campo, com o intuito de não maquiar nenhum aspecto de suas expressões quando se faz necessário maior dramaticidade e os planos-detalhes criam a tensão da expectativa pelo primeiro beijo romântico. Por fim, uma montagem talentosa sobrepõe planos que separam a fantasia e a realidade e, assim, conferem fluidez na narrativa.

La La Land é a passagem da primavera ao inverno, explorando os sentimentos que cada estação desperta. São as dores e as delícias da jornada para perseguir um sonho.

E viva os tolos que sonham.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o Cabine Cultural

Por admin, 11 de janeiro de 2017
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