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Crítica: Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle, EUA, 2017)

  • 27 de setembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Kingsman: O Círculo Dourado (Kingsman: The Golden Circle, EUA, 2017)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Dirigido por Matthew Vaughn. Roteirizado por Jane Goldman, Matthew Vaughn, Matt Byrne. Baseado em Kingsman de Mark Millar e Dave Gibbons. Elenco: Colin Firth, Julianne Moore, Taron Egerton, Mark Strong, Halle Berry, Elton John, Channing Tatum, Jeff Bridges, Sophie Cookson, Hanna Alström.

O serviço secreto de Kingsman voltou. A jornada do herói Eggsy (Egerton) sob a tutela do agente Harry (Firth), ou Galahad, que lá em 2014 conquistou o público com sua ação e humor nonsense da adaptação realizada por Matthew Vaughn, o protagonista passava por um intenso e competitivo treinamento por uma chance de se juntar ao grupo. Em sua primeira missão, ele se deparou com o vilão Valentine, um poderoso e rico filantropo que possuía o objetivo de aniquilar parte da humanidade, alegando que a superpopulação conduziu ao crescimento acelerado do aquecimento global e, portanto, apenas alguns mereceriam viver para começar um novo mundo, do “zero”. Em 2017, por sua vez, a nova sequencia apresenta um Eggsy muito mais seguro e confiante no trabalho, logrando uma carreira de destaque dentro de Kingsman, ao lado de sua parceira e amiga Roxy (Cookson), ou Lancelot. A nova missão, agora, envolve o maior cartel de drogas comandado por Poppy (Moore), uma traficante que deseja legalizar qualquer tipo de substância entorpecente e, por conseguinte, ser reconhecida no mercado.

A franquia tem muito o que acrescentar para a indústria cinematográfica. Como se pode perceber pela leitura de ambas as sinopses nota-se que o roteiro trabalha com problemáticas sérias e muito interessantes: teorias da conspiração e o uso de drogas de pessoas de todas as idades e classes sociais, demonstrando que não se trata apenas de vilões genéricos querendo conquistar o mundo ou destruí-lo por completo. Kingsman: O Círculo Dourado vai ainda além, quando, por exemplo, Poppy afirma que as máquinas são muito mais confiáveis que os homens, apenas para tempo depois perceber que são tão falhos quanto: um braço mecânico é usado contra o seu dono e a programação de reconhecimento de face por cães robóticos pode ser manipulada. Outro acerto é a expansão de seu universo pela inserção dos Statesman, um serviço secreto que tem como fachada uma fábrica de whisky em Kentucky nos Estados Unidos. Inspirado nos elementos culturais sulistas do país, o maravilhoso e criativo design de produção se empenha em introduzir diferentes tipos de armas, como: chicotes, uniforme de cowboy, tacos e bolas de beisebol, e fazendo uma analogia aos westerns desenvolve toda aquela ambientação rústica dos cenários, dialogando muito bem com o universo já estabelecido em Londres e a sua alfaiataria. Além disso, as cores vivas e primárias dos cenários e roupas de Poppy foram outro ponto importante, eis que subverte toda esta noção de “submundo das drogas”, para um lugar aparentemente inofensivo, cheio de energia e uma Julianne Moore simpática e sorridente para enfatizar a psicologia da vilã.

As cenas de ação continuam empolgantes, ao menos. A movimentação da câmera de Vaughn que altera o frame rate para focar na lógica das coreografias de luta é excelente,  mas com alguns deslizes pontuais, ainda que se evite prejudicar o impacto delas, especialmente o plano-sequencia final que, sem cortes, acompanha um confronto envolvente e visualmente muito bonito.

A fotografia viva e quente pela paleta de cores primárias (amarelo, vermelho e azul) do império de Poppy em Kingsman: O Círculo Dourado (Créditos: IMDb)

Se por um lado Kingsman: O Círculo Dourado acerta em muitos aspectos e até certo ponto inova, os equívocos cometidos são iguais à primeira sequencia, quando não são muito piores.

Faltou criatividade. Todas as trajetórias dos vilões e dos heróis são as mesmas e, devido à repetição, a narrativa fica previsível. Em outras palavras, nada adianta contar uma história diferente em um novo filme que, para ser desenvolvida, dá os mesmos passos que o seu antecessor. Os vilões são ambiciosos e possuem o objetivo específico de torturar e acabar com a humanidade: Valentine queria manipular o organismo das pessoas para se matarem entre si; Poppy, por sua vez, injetava uma substância em suas drogas que também era fatal para quem as consumisse. E, ainda, o desfecho de ambos não segue muito à altura de sua rivalidade. Da mesma maneira, se Eggsy era o tempo todo desafiado e todos duvidavam de sua capacidade a ponto de sofrer bullying pelos seus colegas, neste é Harry quem sofre, uma vez que passa por uma transição e, devido à sua confusão mental, Eggsy questiona muito a sanidade daquele que um dia fora seu mentor e se torna cético de suas habilidades.

Na verdade, era até melhor se os erros parassem por aí, mas os roteiristas quiseram investir em situações ridículas e até ofensivas como, por exemplo, o de repente namoro entre Eggsy e a Princesa Tilde (uma promessa de sexo como o único link para o começo do relacionamento é inacreditável); a utilização de facebook e instagram para investigar pessoas (!!!!), mesmo com todo o aparato tecnológico dos agentes; Channing Tatum dorme durante 3/4 da história; Jeff Bridges parece estar de passagem; Halle Berry já interpretou personagens bem mais fortes que esta e; Elton John tem participações engraçadas, mas apenas atua quando conveniente para o roteiro. Aliás, a narrativa segue os mesmos plot twists, e o mesmo centro da história basicamente sendo Eggsy, Harry e Merlin (Strong), apesar dos novos integrantes. O pior, contudo, é que nenhuma justificativa perdoa a patética cena em que o protagonista tem que colocar um rastreador na vagina de uma mulher (e sim, por masturbação!) em um plano lento e em close-up que gera um enorme desconforto. Não consigo entender o porquê eles tiveram essa (péssima) ideia, já que na primeira sequencia normalmente rastreava as pessoas pela roupa. Essa situação de extremo mau gosto e incrivelmente ofensiva surge para convenientemente descobrir uma traição e convenientemente criar um drama entre o personagem e Tilde (Alström).

Para completar, nada é enfrentado ou realmente tem consequencias para Eggsy. Ele parece realmente estar acima de tudo e de todos o que não é realmente uma qualidade que um herói deve ter ou a mensagem que se deve passar ao espectador, já que inclusive, mesmo com todas suas condutas duvidosas ele é colocado em posição de vítima para posteriormente tudo ser previsivelmente perdoado por meio de uma elipse narrativa que não chega a ser preenchida.

Kingsman: O Círculo Dourado é uma decepção. Nada mais resta esperar que os sucessores sejam melhores.

Por admin, 27 de setembro de 2017
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