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Crítica: Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle, EUA, 2017)

  • 3 de janeiro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Jumanji: Bem-Vindo à Selva (Jumanji: Welcome to the Jungle, EUA, 2017)
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Direção por Jake Kasdan. Roteiro por Chris McKenna, Erik Sommers, Scott Rosenberg, Jeff Pinkner. Baseado em Jumanji de Chris Van Allsburg. Elenco: Dwayne Johnson, Kevin Hart, Jack Black, Karen Gillan, Nick Jonas, Alex Wolff, Ser’Darius Blain, Madison Iseman, Maribeth Monroe, Missi Pyle, Morgan Turner, Rhys Darby, Tim Matheson, Marc Evan Jackson, Bobby Cannavale.

Jumanji, cuja versão original de 1995 cativou muitos aqueles que viveram sua infância nessa mesma época, se tornou um queridinho e clássico da Sessão da Tarde, e mais de vinte anos depois conta com uma nova versão cinematográfica. A nova história se parece muito com o seu antecessor e embora a versão atual superficialmente pareça uma continuação do antigo, na realidade – intencionalmente ou não – é apenas um reboot.

Se digo “intencionalmente” é porque a trama inicia na mesma década do original, quando Jumanji era ainda apenas um tabuleiro. No entanto, quando encontrado na praia por um menino, ele descarta de imediato informando que “ninguém mais brinca com jogos de tabuleiro” enquanto se diverte com seu Nintendo. Esse começo, infelizmente, é apenas o começo de uma sequencia de problemas que o roteiro passa a cometer.

Isso porque se revela uma falácia afirmar que ninguém joga com tabuleiros como um mero pretexto para alavancar a narrativa e transformar o tabuleiro em um jogo de vídeo game do além e literalmente do nada é muito forçado. Além de mal explicado, ele muitas vezes é mal adaptado, uma vez que se antes havia uma conexão com o universo do jogo e o mundo real coexistindo paralelamente, aqui essa ponte é inexistente. Assim sendo, em Jumanji: Bem-Vindo à Selva, não há qualquer esforço para explicar o tempo real e o tempo da fantasia do jogo em uma abordagem mais realista, ainda que o tente fazer com a presença do personagem Alex (Jonas). Esclarece-se que não há nada de errado em atualizar e aproximar o jogo para o idioma das gerações mais novas, mas infelizmente, a tentativa de fazer uma continuação é ineficiente e o público-alvo apenas acaba se restringindo. Ou seja, aqueles que buscam uma nostalgia no filme podem sair um pouco decepcionados.

Jumanji: Bem-Vindo à Selva

Mesmo assim Jumanji: Bem-Vindo à Selva diverte na maioria das vezes. Com referências à época do “coming of age” do longa Clube dos Cinco (1985), em que quatro amizades improváveis se formam no lugar confinado da detenção e, posteriormente, forma-se a quinta de maneira bastante inteligente (reparem como em um determinado momento Spencer, Bethany, Fridge e Martha estão sentados lado a lado em uma fileira de cadeiras, faltando apenas uma, que é após “preenchida” por Alex). Além disso, é interessante observar como os mais “nerds” possuem no universo virtual os avatares mais físicos e atraentes do jogo enquanto os mais “populares” precisam usar mais o cérebro para participar do jogo. Dessa forma, cada um consegue lidar com o lado social e o intelectual aprendendo grandes lições ao longo do caminho que se apresentam de maneira razoável e até respeitável aos mais jovens. Contudo, impossível ignorar os gritantes estereótipos que notamos desde o início como, por exemplo, o “vizinho-misterioso-assustador-que-vive-na-casa-mal-assombrada”, a “patricinha-que-vive-no-próprio-mundinho” e faz uma ligação via face-time com uma amiga no meio de uma prova (?), o “jogador-de-futebol-popular-que-faz-do-amigo-capacho”, o  “herói-bobão-antisocial” e a “menina-antisocial-que-finge-ser-durona” (quem assistir vai rapidamente conseguir identificar quem é quem). Da mesma forma, a maneira como todos se encontram na sala de detenção é puramente forçada, artificial e pouco crível. Evidentemente, os atores adultos Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart e Karen Gillian funcionam – e atuam – muito melhor em conjunto.  

A nova linguagem de vídeo game que se estabelece atualmente no cinema se fez necessária na direção de Jake Kasdan e, por justamente tratar-se de um jogo, o cineasta usou e abusou da fotografia fantasiosa de cores vivas, animais gigantescos, picos altos e combinou com diversas coreografias de lutas e habilidades físicas e mentais para cada personagem. Por outro lado, utilizou da mesma abordagem para desenvolver uma história formulaica cheia de efeitos visuais e gags pouco inventivas que saltam os olhos e perdem o senso de imaginação que o seu antecessor tinha. A essência, os encantamentos que a versão anterior possuía, portanto, desaparecem por completo.  Por conseguinte, conforme a narrativa progride, o exagero repetitivo se torna cada vez mais cansativo.

Como resultado Jumanji: Bem-Vindo à Selva é mais um daqueles blockbusters que podem entreter o espectador, mas fazê-lo esquecer de tudo o que viu logo depois.

Por Gabriella Tomasi, 3 de janeiro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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