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Em Comédia

Crítica: Jumanji: A Próxima Fase (Jumanji: The Next Level, EUA, 2020)

  • 16 de janeiro de 2020
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Jumanji: A Próxima Fase (Jumanji: The Next Level, EUA, 2020)
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Dirigido por Jake Kasdan. Roteirizado por Scott Rosenberg, Jake Kasdan, Jeff Pinkner. Elenco: Dwayne Johnson, Jack Black, Kevin Hart, Karen Gillan, Nick Jonas, Danny DeVito, Awkwafina, Danny Glover, Rhys Darby, Alex Wolff, Ser’Darius Blain, Madison Iseman, Morgan Turner.

Três anos após a adaptação de um dos jogos de tabuleiros mais famosos do cinema, a sequência de Jumanji finalmente chega para reunir Spencer (Wollf/Johnson), Bethany (Iseman/Black), Fridge (Blain/Hart) e Martha (Turner/Gillan) novamente em mais uma aventura virtual.

Como o próprio título já menciona, aqui temos uma nova fase de jogo, o que implica em mais perigo e em mais dificuldades para os personagens do longa. Neste aspecto, o roteiro foi inteligente em fazer com que ao longo da narrativa todos percam suas vidas por motivos frívolos, aumentando o suspense de um possível fracasso no jogo, assim como trabalha as fraquezas e qualidades de cada um dos jogadores a ponto de negociarem a troca de seus respectivos avatares. Essa manobra utilizada fora possível introduzir novas figuras do jogo, expandir e dar mais nuance às já existentes, como a ladra Ming (Awkwafina), o avô de Spencer chamado Eddie (DeVito) e seu amigo de longa data Milo (Glover), os quais trazem um olhar interessante acerca do seu relacionamento com a tecnologia.

O problema é que o roteiro não só repete as mesmas piadas, mas também falha em tecer uma narrativa mais completa. Isso porque o trabalho de Kasdan, Rosenberg e Pinkner introduz novamente o típico humor dos personagens apavorados que não sabem o que está acontecendo ao seu redor, tendo que o quarteto reiterar a explicação da situação à exaustão. Apesar de funcionar até certo ponto no sentido em que os mais novos precisam de paciência para dialogar com o público mais velho, depois disso, se torna cansativo de assistir e essa relação entre gerações acaba perdendo propósito e se esvai.

Jumanji: A Próxima Fase (Créditos: IMDb)

Ainda, o roteiro não traz nenhuma informação nova ou relevante para desenvolver o arco dramático dos personagens: Eddie e Milo ficam se bicando o tempo todo, Spencer e Martha vivem um DR (definição de relacionamento) e nem sabemos o que aconteceu com Bethany e Fridge, sendo que suas respectivas histórias individuais são completamente inexistentes, ofuscadas pela história do casal, cuja trajetória individual de cada um tampouco é definida, como a vida de Spencer em Nova York e seus estudos.

Além disso, personagens aparecem do nada para conceder um final previsível e barato, especialmente o destino do restaurante do avô de Spencer e o fato de que sequer se deram ao trabalho de explicar as consequências do destino de Milo no mundo real ou tentar trazer um vilão mais interessante que o robô ambulante.

O longa acaba valendo a pena apenas pela aventura das novas fases enfrentadas pelos heróis, com cenários incríveis recriados pelo CGI, e ainda desenvolve muito bem a dinâmica do trabalho em equipe, agora muito mais forte em razão dos personagens já se conhecerem. Pena é que o espectador não consegue entrar e usufruir dessa dinâmica de perto, tendo em vista a negligência ou até mesmo preguiça de fazer algo completo, esperto e instigante a fim de que o público participe do jogo junto com eles.

Jumanji: A Próxima Fase poderia até ser uma oportunidade de corrigir erros e compensar as lacunas do seu trabalho antecedente, mas ao invés disso, continua sendo uma franquia fraca e genérica que apenas se preocupa com o entretenimento raso e momentâneo, sendo mais uma obra esquecível.

Observação: Não saia da sessão! Há cenas pós-créditos.

Por Gabriella Tomasi, 16 de janeiro de 2020 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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