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Em Ação

Crítica: Jack Reacher – Sem Retorno (Jack Reacher – Never Go Back, EUA, 2016)

  • 23 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
  • 2 Comentários
Crítica: Jack Reacher – Sem Retorno (Jack Reacher – Never Go Back, EUA, 2016)
Rating: 1.0. From 1 vote.
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Dirigido por Edward Zwick. Roteiro por Richard Wenk, Edward Zwick e Marshall Herskovitz. Elenco com: Tom Cruise, Cobie Smulders, Aldis Hodge, Danika Yarosh, Patrick Heusinger, Holt McCallany, Robert Knepper.

Jack Reacher volta às telas dos cinemas para uma nova sequencia após 4 anos do lançamento do primeiro filme.

Neste longa, o personagem interpretado por Tom Cruise retorna à base militar em Virgínia, onde serviu previamente, para encontrar-se com a Major Susan Turner (Smulders), com quem se envolve. Ao chegar no local, ele descobre que Turner foi presa, acusada de espionagem, por supostamente vazar informações confidenciais e também é responsabilizada pela morte de dois oficiais em uma missão no Afeganistão. Como de costume, nosso protagonista odeia ver seus interesses românticos serem vítimas de perseguição, de modo que ele decide investigar o ocorrido por conta própria para salvar a colega.

Paralelamente, Jack Reacher tenta se aproximar de Samantha Dayton, uma garota de 15 anos que possivelmente é sua filha. As suspeitas crescem ainda mais quando a personagem demonstra possuir as mesmas manias assim como apresentar uma personalidade bem parecida com a sua.

Ao comparar as duas sequencias, é notável que a atual tenta cobrir algumas das falhas pontuais da primeira. No entanto, Jack Reacher não só não consegue largar os clichês máximos de filmes de ação, como também eleva-os a níveis absurdos.

Primeiramente, apesar das atuações fracas e pouco convincentes das figuras femininas já mencionadas, o filme é bem sucedido quando tenta abster-se da figura das “belas donzelas que precisam ser salvas” do filme de 2012. Dessa forma, como militar, Susan Turner transmite firmeza ao negar-se a ficar de “babá” – para vigiar Samantha – apenas por ser mulher e, assim, denuncia a opressão que sofre em uma profissão dominada por homens. Por conseguinte, ela passa a ter uma participação bem mais efetiva na trama. Samantha, por sua vez, infelizmente revela-se pífia para a história, se prestando somente para que Jack Reacher tenha mais uma motivação e elastecer o arco dramático, em uma tentativa de humanizá-lo.

Segundo, os vilões de Werner Herzog e Jai Courtney em 2012 são agora espelhados nos novos antagonistas interpretados por Robert Knepper e Patrick Heusinger. Neste quesito, os personagens permaneceram da mesma forma: desinteressantes e impotentes durante o terceiro ato, quando a narrativa os constrói durante todo o filme como pessoas extremamente poderosas.

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Neste contexto, o novo roteiro executado por Wenk, Zwick e Herskovitz abandona o estilo anterior de Christopher McQuarrie, o qual desenvolve uma história voltada para o suspense e o mistério em que Jack Reacher deve estabelecer a conexão dos fatos e as provas que ele possui para encontrar uma solução; como um quebra-cabeça. Ao contrário, o que temos são elementos dispersos que são jogados nos dois personagens principais e que, na sequencia, procuram e torturam pessoas para obter informações e acharem todas as respostas.

Não bastasse isto, a narrativa é recheada de mais situações enfadonhas ainda, quando ela concede uma extrema facilidade ao protagonista em espancar brutalmente dois capangas em um avião quase lotado sem gerar qualquer alarme; fugir adentrando em locais não autorizados, mas com extrema segurança, como um aeroporto e uma prisão militar; identificar os vilões e seus companheiros em meio à uma multidão; circular livremente por lugares públicos e conseguir entrar em contato com pessoas por celular mesmo sendo constantemente monitorado.

A montagem faz um trabalho igualmente pavoroso e fica completamente perdida na condução da narrativa. Algumas cenas se estendem mais do que o necessário, enquanto outras assumem um ritmo mais acelerado, como por exemplo, momentos em que um personagem explica uma informação essencial em um plano de duração muito curta, resultando impossível de o espectador absorvê-la e, portanto, compreender a história.

Algo que a direção de Zwick aprimora em certo grau, contudo, é na execução das cenas de ação. O enquadramento dos personagens durante as coreografias de luta – as quais ainda são muito bem realizadas – se aproxima desta vez em primeiros planos. Ainda, a utilização esporádica da câmara subjetiva, como em cenas de perseguição de carros que incorporam a perspectiva dos protagonistas, confere uma experiência mais palpável, o que é muito importante em filmes deste gênero. Outro destaque é o último confronto, no qual a fotografia cria um momento bem expressivo quando um feixe de luz vermelha – a cor do sangue – atinge os rostos dos personagens em primeiríssimos planos, contrastando com um ambiente dominado por paleta de cores frias.

Mesmo que Jack Reacher tenha algumas qualidades, o filme é um completo desastre.

Por Gabriella Tomasi, 23 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.
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Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

2 Comments
  • Vlamir Santo
    28 de dezembro de 2016

    Concordo! Gostei do primeiro filme e me frustei ao ver a continuação. Achei desnecessária a personagem Samantha, sem contar que no final, você ainda descobre que ela não é filha dele. Sem ela, talvez o filme fizesse mais sentido. Poderia ter ficado sem ver essa continuação e ter deixado na mente só o primeiro filme.

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