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Em Cinebiografia

Crítica: Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon, EUA, 2016)

  • 17 de novembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: Horizonte Profundo – Desastre no Golfo (Deepwater Horizon, EUA, 2016)
Rating: 3.0. From 1 vote.
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Dirigido por Peter Berg. Roteiro de Matthew Michael Carnahan e Matthew Sand. Elenco com: Mark Wahlberg, Kurt Russell, John Malkovich, Gina Rodriguez, Dylan O’Brien, Kate Hudson.

Nesta cinebiografia, Mike Williams (Wahlberg) e os demais trabalhadores da plataforma petrolífera Deppwater Horizon, no Golfo do México, fazem parte, em 2010, de um dos maiores desastres ambientais da história dos Estados Unidos, no qual todos embarcados lutam para escapar com vida.

Ao assistir esse filme, fica evidente que a preocupação maior deste filme não é discutir as questões ambientais, ou levantar qualquer lição de moral acerca do assunto, mas sim retratar de uma forma mais realista o que de fato aconteceu na plataforma e o que as suas vítimas presenciaram no tal fatídico dia.

Assim sendo, o desastre em si é muito bem executado. Os efeitos das chamas e as explosões resultaram em uma sensação mais palpável do terror presenciado por aquelas pessoas. E apesar da linguagem ultra refinada delas em relação aos aspectos técnicos dos problemas ocorridos, não é impossível de serem compreendidos, haja vista a presença de algumas imagens que serviram de explicação dos fatores que levaram à tragédia.

Mark Wahlberg está incrível em tela e transmite a expressividade necessária para o desenvolvimento do personagem. Ele mantém a força de um herói, ao mesmo tempo em que é explorada sua fragilidade, resultando em cenas muito comoventes. Kate Hudson, que interpreta a esposa Felicia Williams, tem uma atuação muito sólida, apesar de pouco tempo em tela, demonstrando que a intenção do filme tampouco é enfatizar o sofrimento das famílias das vítimas.

Em relação aos demais personagens, nenhum deles foi desenvolvido o suficiente para justificar certas atitudes e embora algumas delas pudessem suscitar dúvidas, como, por exemplo, o momento em que Jimmy Harrell (Russell) toma uma decisão que mudou a vida de todas as pessoas embarcadas – o que é reforçado por um travelling horizontal dentro de um refeitório. Ao invés disto, a trama não mediu esforços para apontar quem foi realmente o herói e quem foi o vilão. Com uma excelente atuação, John Malkovich interpreta Donald Vidrine, o responsável pelos eventos. Contudo, ele se limita a um personagem de atitudes mesquinhas; identificável tão somente pela sua linguagem corporal que não deixa enganar de que ele tem plenamente ciência do que está fazendo, mas que ao mesmo tempo ignora as conseqüências de seus atos. Dessa forma, sua caracterização revela-se superficial e completamente unidimensional.

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Neste contexto, o roteiro de Carnahan e Sand acaba se rendendo a diversos outros clichês típicos de um espetáculo heróico que já se encontram esgotados há muito tempo, como, por exemplo, ao inserir o momento ao salvar “a mocinha em apuros”, o vilão que é silenciado e desprezado, o forte patriotismo, por meio da bandeira dos Estados Unidos ao fundo durante um resgate.

Ainda, a direção de Berg também emprega recursos muito óbvios para evocar certos sentimentos e ambientar as cenas. Nota-se, por exemplo, que a empatia por Mike Williams advém da sua interação com a sua família: cores mais quentes e planos mais fechados, a fim de criar um ambiente mais aconchegante. Na plataforma, todos os trabalhadores são muito amigáveis entre si, e apenas os empresários gananciosos – vistos em planos com relativa distância – quebram o clima dessa convivência harmônica e feliz.

A partir do momento do incidente, os primeiríssimos planos são empregados, com o claro intuito de o espectador acompanhar de perto a trajetória daquelas pessoas e também criar uma sensação de claustrofobia. Porém, esta intenção é prejudicada pela direção de arte, a qual opta equivocadamente por uma maquiagem carregada nos atores, os quais ficam cobertos de lama, óleo e de machucados no corpo e rosto, não favorecendo a identificação dos seus respectivos personagens. A situação, infelizmente, não é inédita. Em Evereste, sob direção de Baltasar Kormákur, presenciamos o mesmo problema quando os escaladores se encontravam cobertos de neve, roupas e equipamentos durante uma avalanche.

Por fim, o pecado mais grave do filme foi inserir uma gravação real de Mike Williams antes mesmo do início do filme, o qual denuncia todo o final da trama. Mesmo baseado em fatos reais, muitos estão conhecendo de perto a vida dele pela primeira vez, o que faz atenuar as chances dos espectadores serem impactados com o seu desfecho.

Eficaz como uma autêntica reconstituição dos horrores desse desastre, Horizonte Profundo ainda falha ao se prender em fórmulas genéricas na sua dramatização.

Por admin, 17 de novembro de 2016
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