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Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, EUA, 2017)

  • 5 de julho de 2017
  • Por admin
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Crítica: Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Spider-Man: Homecoming, EUA, 2017)
Rating: 3.5. From 1 vote.
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Direção por Jon Watts. Roteiro por Jonathan M. Goldstein, John Francis Daley, Jon Watts, Christopher Ford, Chris McKenna, Erik Sommers. Baseado em  Homem-Aranha de Stan Lee e Steve Ditko. Elenco: Tom Holland, Michael Keaton, Jon Favreau, Zendaya, Donald Glover, Tyne Daly, Marisa Tomei, Robert Downey Jr.

É evidente que Marvel está preparando o terreno para a sequencia tão aguardada dos Vingadores ao expandir cada vez mais seu mundo e trazer novamente uma história já conhecida para os seus fãs, mas que passou por inúmeras versões, tanto em live-action quanto animada: a de Peter Parker como Homem Aranha. E somente pelos minutos iniciais podemos perceber o quanto o seu personagem se apropria de seu protagonismo retratado de forma bem mais séria, competente e carinhosa, quando com uma câmera na mão, Peter (Holland) registra os instantes mais significativos de sua vida, qual seja, o seu treinamento com os Vingadores (isso sem mencionar a maravilhosa trilha sonora de abertura).

A trama está inserida após os acontecimentos da primeira sequencia de Os Vingadores de 2012, com a destruição e conseqüente renovação do edifício. Lá, Adrian Toomes (Keaton), o que virá posteriormente a se tornar o antagonista Abutre, é um engenheiro encarregado de organizar e limpar todos os destroços, mas é logo dispensado de seus serviços por outra empresa sem qualquer justificativa ou amparo, forçando o personagem, por conseguinte, a entrar no negócio ilegal de armas, cuja atividade desperta o radar de Homem-Aranha e seu desejo de acabar com a quadrilha.

Em suma, posso dizer que é maravilhoso ver como as franquias de super-herói, em geral, estão conseguindo se aprimorar e trazer coisas novas, com histórias mais humanas e íntimas. Isso é o que acontece em Homem-Aranha: De Volta Ao Lar. Não somente foi uma sábia escolha dos roteiristas em não optarem por novamente traçar aquele caminho já tão familiar à sua audiência do personagem-título que é ser mordido por uma aranha, ter super poderes e ser um gênio da ciência, mas também por efetivamente trabalhar todos esses elementos em torno das inseguranças, responsabilidades e escolhas que advém dessa mudança abrupta em sua vida. E o melhor, é desenvolver tudo isso justamente em um dos momentos mais cruciais e problemáticos da vida: a adolescência.

Essa inocência e imaturidade de sua pouca idade é, portanto, o que faz desse estudo de personagem e a sua descoberta por uma identidade um diálogo tão bem executado que serve inclusive de instrumento para criar tanto o tom cômico quanto o tom dramático da história. E, ainda, comunica tanto com o público mais jovem, quanto relembra a mesma época aos mais velhos. Porque é possível compreender as ansiedades do personagem em obter reconhecimento pelas pessoas que ele expressa enorme admiração como o desejo constante de se mostrar merecedor de conquistas a Tony Stark (Downey Jr.), assim como podemos nos divertir com a falta de experiência e jeito atrapalhado de menino que realmente demonstra muitas vezes não saber o que está fazendo, como o fato de Peter querer ajudar nos pequenos crimes da cidade de Nova York quando não há efetivamente um crime acontecendo. É a pressa de ser adulto, sendo ainda uma criança. O que justifica igualmente o fato de que ele é constantemente monitorado pelo seu mentor Homem de Ferro (que aqui assume uma figura mais paterna) e seu “babá” Happy Hogan (Favreau) como parte do treinamento, levando Peter a cometer atos rebeldes (tão comuns em sua idade).

 

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (Créditos: IMDb)

 

É incrível também saber que seis roteiristas trabalharam na mesma história para um resultado tão coerente e sincero que está exposto em tela (pois a experiência as vezes demonstra que muitas pessoas no mesmo setor pode criar desastres) para realmente transparecer um lado muito importante do arco dramático herói: quem é ele? Peter Parker é o Homem-Aranha ou o Homem-Aranha é o Peter Parker? Um dilema, por sinal, que não é nenhuma novidade para ele, mas é interessante observar como sempre de alguma forma ele tentou buscar esta resposta. O vilão, por sua vez, também demonstra possuir motivações humanas e relacionáveis com qualquer pessoa, como o sustento da família e sua insatisfação com a dominação da elite corporativa que nos faz igualmente nos aproximar e até estabelecer uma empatia em relação a ele. E quem melhor para interpretar esse pássaro do que Michael Keaton? A metalinguística que se faz com seu “Birdman” foi muito bem pensada e é eficiente.

Infelizmente, este longa possui alguns defeitos que prejudicam a sua qualidade, como por exemplo as cenas de ação. Em um filme que é próprio do gênero e é o elemento mais essencial, acaba saindo completamente dos eixos, tendo em vista as cenas praticamente incompreensíveis e confusas de lutas pobremente desenvolvidas, com cortes muitos rápidos e planos fechados que o cineasta insiste em repetir com um ritmo mais do que frenético, pois, convém relembrar, que a película em si já tem um ritmo consideravelmente rápido e condensado para lidar com vários personagens. A direção de Watts, contudo, falha em dar conta da organização dos atores e elementos da mise-en-scène, resultando em momentos pouco empolgantes com, além disso, um CGI excessivo que transparece a artificialidade daquele ambiente.

Outro aspecto que também prejudicou este filme é o fato de que Peter parece ter mais sorte do que juízo. As consequencias de suas escolhas que ele faz como, por exemplo, de se ausentar no baile ou no decatlon escolar e até a sua ausência em casa com sua tia não parecem ter sido desenvolvidos devidamente para que a decisão final do herói possua um impacto maior no espectador, já que muitos dos conflitos e de atos irresponsáveis são pouco repreendidos e muito tolerados pelas figuras adultas.

Mesmo assim, Homem-Aranha: De Volta ao Lar entra para a lista dos melhores filmes de super-herói até o momento, valendo muito a pena conferir.

Observação: Não saiam da sessão! Há duas cenas pós créditos.

Por admin, 5 de julho de 2017
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