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Crítica: Han Solo – Uma História Star Wars (Solo – A Star Wars Story, EUA, 2018)

  • 30 de maio de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Han Solo – Uma História Star Wars (Solo – A Star Wars Story, EUA, 2018)
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Dirigido por Ron Howard. Roteirizado por Jonathan Kasdan, Lawrence Kasdan. Baseado no personagem Han Solo por George Lucas. Elenco: Alden Ehrenreich, Woody Harrelson, Emilia Clarke, Donald Glover, Thandie Newton, Phoebe Waller-Bridge, Joonas Suotamo, Paul Bettany.

Diante de tantas histórias Star Wars sobre a ascensão e a queda do Império e da Rebelião em sua franquia, chega o spin-off de um dos personagens mais queridos dos fãs. Han Solo: Uma História Star Wars mostra definitivamente que não quer chamar atenção para a maior rivalidade da galáxia, mas ao contrário, revela-se um estudo de seu personagem-título acerca dos eventos que o moldaram em um “fora da lei” irresistível e imprevisível.

Tal abordagem consegue ser bastante eficiente em inúmeros aspectos. A simples frase otimista que o protagonista evoca (“tenho um bom pressentimento”) e, portanto, contradizendo essa perspectiva nas sagas posteriores, demonstra as transformações pelas quais o jovem passou em uma época “sem leis” ou sem origens definidas que igualmente levou a referenciá-lo “solo”, ou seja, “sozinho”. Essa atitude de “cada um por si” se revela então de maneira cada vez mais enfática em todas as relações que ele estabelece. Com Lando (Glover), por exemplo, Han (Ehrenreich) é claramente influenciado pelas suas artimanhas e malícias, especialmente quando percebe o truque utilizado por ele em um jogo de cartas ao final. Com Qi’ra (Clarke), por sua vez, o protagonista já experiência um relacionamento parecido com que mais tarde irá vivenciar com Leia ou, em outras palavras, uma mulher que não necessariamente precisaria dele, que é independente e que muitas vezes o subestima. Já com Beckett (Harrelson), Han aprende a se distanciar das pessoas como uma proteção, não sendo à toa que o único fiel companheiro que permanece ao seu lado é um personagem não humano: Chewbacca.

A fotografia utiliza muitos tons escuros como o cinza, dificultando muitas vezes a compreensão das cenas em Han Solo – Uma História Star Wars

Outro aspecto inteligente da trama é que discretamente, o Império e seus impasses políticos se comportam como um pano de fundo para as aventuras que Han Solo irá enfrentar, como os cartazes de recrutamento, as referências das trincheiras da Primeira Guerra Mundial em Glória Feita de Sangue (1957) já denotam um literal imperialismo perpetrado pelas elites contra os membros da galáxia. Ao sofrerem com os ataques, os povos tomam medidas para se protegerem – dando início às primeiras formações das rebeliões. Ainda, interessante é a atração e o efeito que estar dentro da Millennium Falcon pela primeira vez possui em Solo e as rimas visuais dele e seu co-piloto Chewy na cabine nos traz uma incrível nostalgia.

Por um lado, Han Solo: Uma História Star Wars não é um desastre, mas com certeza muito de seu potencial é desperdiçado. A começar pelo seu personagem-título, o qual simplesmente não convence. Não digo pela aparência ou escolha do ator, já que Ehrenreich faz um trabalho bastante competente, mas essa transformação que o longa deseja tanto transparecer de “sonhador” para “bad boy solitário” não parece harmônica ou condizente com as características emanadas por Harrison Ford nas demais sequencias. Em outras palavras, não parece que estamos falando da mesma pessoa, mas sim trajetórias completamente distintas. Muito disso se atribui ao roteiro falho que esquece também em dar nuances às ambigüidades dos personagens de Qi’ra e Beckett, cujas motivações são pouco desenvolvidas.

Além disso, podemos observar o quanto a fotografia se inspirou em Blade Runner: 2049 (2017) e suas cores vivas em tons laranja e amarelo em alguns dos cenários e, ao mesmo tempo, em Rogue One (2016) com suas tonalidades cinzas e escuras, principalmente nos campos de batalha da guerra e nas cidades. O resultado neste longa, contudo, não chega nem perto da eficiência como essas paletas de cores foram usadas em seus respectivos trabalhos, tendo em vista que em Han Solo: Uma História Star Wars isso parece dificultar a leitura das imagens, e cujo problema ainda é mais acentuado quando o espectador decidir assistir ao filme em 3D, o que faz escurecer ainda mais a tela. A cinematografia má executada também não ajuda na edição do filme, cujo ritmo irregular torna as cenas filmadas em close-up ou em shaky cams incompreensíveis e confusas demais.

Han Solo: Uma História Star Wars, em suma, faz um bom trabalho em termos de fan service, mas é ao mesmo tempo um dos mais fracos da franquia de George Lucas.

Por Gabriella Tomasi, 30 de maio de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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