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Em Terror

Crítica: Halloween (EUA, 2018)

  • 24 de outubro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Halloween (EUA, 2018)
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Dirigido por David Gordon Green. Roteirizado por Jeff Fradley. Elenco: Jamie Lee Curtis, Judy Greer, Andi Matichak, Will Patton, Virginia Gardner, James Jude Courtney, Virginia Gardner.

Michael Myers é um dos vilões mais icônicos do cinema do gênero do terror originalmente dirigido por John Carpenter em 1978. Sempre lembrado por sua meticulosidade, sua máscara e sua faca trazendo caos no dia do Halloween, muitos se podem perguntar se após décadas de sequencias e remakes a existência de mais uma obra para a franquia seria relevante, principalmente quando tantos outros falharam, como Alien – Convenant (2017). É o que trataremos a seguir!

Halloween retorna a partir dos últimos eventos da sua primeira versão, mais precisamente o fatídico 31 de Outubro no qual quase custou a vida de Laurie Strode (Curtis). Exatos 40 anos depois, somos apresentados às consequencias que aquele trauma teve em torno de sua vida: esperando convicta de que o “bicho papão” um dia escapará para se vingar – e é exatamente o que acontece.

O diretor Green faz um excelente trabalho em que, ao mesmo tempo nostálgico, traz muitos elementos novos. Como novidade, temos uma nova história sobre o impacto do incidente também na relação familiar, em especial a neta e a filha de Laurie, Allyson (Matichak) e Karen (Greer), respectivamente, colocando sua família como uma linha de novas gerações que possivelmente serão encarregadas de proteger outras pessoas de Michael. Além disso, há também todos os efeitos causados em torno de uma comunidade bastante interessada (e por vezes obcecada!) em entrar na mente do inimigo e investigar as possíveis causas e origens de sua índole, tornando-o uma lenda inclusive na sua diegese.

O fantasma em lençol é uma das referências entre a versão de 2018 (imagem à esquerda) e a versão de 1978 (imagem à direita) em Halloween (Créditos: IMDb)

Para os fãs do longa, há inúmeras referências maravilhosas feitas em relação ao seu antecessor como a emboscada de Michael (Courtney) na casa de Laurie, o famoso contra-plongée do serial-killer observando sua vítima do alto da escada, o túmulo de Judith Myers, o fantasma feito de lençol, o corpo do vilão jogado no chão, o varal de roupas, entre outros elementos, como por exemplo a forma de perseguição de suas vítimas. Neste contexto, Green desenvolve momentos de suspense muito parecidos com o trabalho de Carpenter, mas sem parecer datado. E apesar de alguns jumps scares gratuitos, há muitas surpresas extremamente boas.

As homenagens, no entanto, não é apenas uma ode aos filmes de terror dos anos 80. Elas fazem parte da narrativa, na medida em que fazem do pânico causado por Myers algo cíclico e, portanto, que não tem fim. Em outras palavras, é algo que prende Laurie e a faz parar no tempo, fazendo com que sua vida gire em torno dele. Não é à toa, pois, que mesmo depois de dois divórcios e a perda da custódia da filha, esse é ainda o fator principal da tensão e do conflito em sua família. Assim sendo, o uso da mesma trilha sonora de 1978 incorpora perfeitamente a volta desse estado emocional e a repetição de uma jornada que proporciona aos fãs muito deleite apenas por ouvir a famosa composição mais uma vez.

Outro acerto da direção é o fato de que muito embora tenhamos uma boa noção do físico envelhecido de Michael durante a narrativa, nunca vemos o seu rosto, com exceção nos momentos em que ele está com sua máscara. É muito interessante porque a recuperação estratégica da máscara do vilão das mãos de dois jornalistas apenas reforça tudo o que aquilo representa para ele, ou seja, é como se ele somente pode ser e aparecer quando está com ela, constituindo uma parte essencial de si. Ao mesmo tempo, traz um simbólico contraste com a primeira – e única – vez em que vimos Michael sem a sua máscara: na noite em que matou sua primeira vítima, aos 8 anos de idade.

O roteiro, infelizmente, tem suas falhas e peca ao desenvolver pequenas conveniências para dar continuidade e conectar as linhas dramáticas. Da mesma forma, alguns pontos não são completamente esquecidos, como a morte de uma amiga de Allyson, que esta nunca chega a ter conhecimento sobre.

Mesmo assim, com tantas produções atuais desastrosas e completamente desinteressantes, Halloween chega aos cinemas como um alento para os fãs do gênero e da franquia. Será um dos melhores filmes de terror do ano.

Por Gabriella Tomasi, 24 de outubro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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