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Crítica: Guardiões da Galáxia – Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol.2, EUA, 2017)

  • 27 de abril de 2017
  • Por admin
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Crítica: Guardiões da Galáxia – Vol. 2 (Guardians of the Galaxy Vol.2, EUA, 2017)
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Direção e roteiro por James Gunn. Baseado em Guardiões da Galáxia de Dan Abnett e Andy Lanning. Elenco: Chris Pratt, Zoe Saldana, Dave Bautista, Vin Diesel, Bradley Cooper, Michael Rooker, Karen Gillan, Elizabeth Debicki, Chris Sullivan, Pom Klementieff, Sean Gunn, Sylvester Stallone, Glenn Close, Kurt Russell.

Se eu pudesse resumir Os Guardiões da Galáxia em uma só palavra diria que é: diversão. Nunca nenhuma comédia ou aventura do Universo Marvel teve um impacto tão positivo e marcante como essa franquia, a qual fora habilidosamente executada pelas mãos de James Gunn. E se no “primeiro volume” tivemos um ótimo começo, temos aqui uma ótima continuação que mantém os mesmos elementos que o tornaram um grande sucesso.

O que o “Volume 2” tem a dizer e a agregar a esse universo se resume inteiramente (no bom sentido, esclareço) nos maravilhosos créditos: a turma reunida está esperando para combater um monstro e durante a batalha já sentimos uma maior intimidade entre os personagens ao presenciar mais uma vez a dinâmica de toda equipe Rocky (Cooper), Peter Quill (Pratt), Drax (Bautista) e Gamora (Saldana) trabalhando novamente juntos, que ao mesmo tempo em que se preocupa em derrotar o inimigo, lidam (ou melhor, gritam) uns com os outros. Enquanto isso, baby Groot (Diesel – literalmente o personagem mais adorável do ano) dança e se diverte inocentemente ao som da trilha sonora oitentista que fez a marca registrada da franquia. Porque o que temos nesta continuação, essencialmente, é reforçar o espírito de amizade e família que fez juntar todos em primeiro lugar. Assim, se na primeira sequencia a prioridade era trabalhar a origem dos guardiões como um time, a segunda agora vai mais além para olharmos mais aproximadamente e estudarmos cada um de seus membros.

Neste contexto, o primeiro confronto se revela posteriormente um serviço prestado aos Soberanos, a fim de recuperar algumas baterias. Em troca, eles entregariam Nebulosa (Gillian) aos guardiões, a qual estava mantida prisioneira em seu planeta.  Porém, após uma manobra mal pensada por Rocky, a sua líder se volta contra eles desejando vingança pela traição da mais alta ordem. Durante o ataque, eles são salvos por um misterioso homem que, na sequencia, revela ser o pai de Peter – Ego (Russell), situação com a qual agora o protagonista irá lidar, haja vista tantas perguntas que ficaram sem respostas há muito tempo. Ainda, há o retorno de mais um personagem que será extremamente importante para a trama, Yondu (Rooker), uma nova adição ao time: Mantis (Klementieff) e, por fim uma participação mais que especial de Sylvester Stallone.

James Gunn faz um trabalho formidável em conceder o tempo necessário para abrir espaço a personagens novos e também trabalhar de maneira mais aprofundada cada arco de cada personagem sem que isso prejudique o ritmo do longa ou então esqueça de algum deles no meio do caminho. A montagem paralela foi muito bem realizada em um momento quando separa a equipe em diferentes planetas sem que isso tampouco implicasse na perda da coerência narrativa. Além disso, o diretor demonstra um grande senso em ressaltar novamente os ambientes multicoloridos dos diferentes cenários e também possui um controle bom de planos longos e dinâmicos das ações que as transformam em uma experiência empolgante. A sua criatividade é maravilhosa quando faz questão de brincar com referências como piadas inteligentes como A Super Máquina e Mary Poppins, assim como as rimas visuais do estilo Star Wars das batalhas intergaláticas que também fora explorado na primeira sequencia. Não posso deixar de mencionar igualmente o elemento do vídeo-game que está dominando a linguagem cinematográfica. Aqui, ele é empregado de maneira divertida e descontraída, como por exemplo, a transformação de Peter em Pac-Man e as naves controladas pelos Soberanos como se estivessem jogando uma partida de fliperama é simplesmente genial.

Guardiões da Galáxia V. 2 (Créditos: IMDb)

Por um lado, há de se considerar que a franquia sempre se afirmou como uma comédia, e neste aspecto é bastante competente. Aliás, essas piadas e elementos são divertidos, mas por outro lado, o que prejudica de vez em quando na narrativa,– principalmente quando tratamos de um filme oriundo da Marvel – é a constante necessidade de fazer o espectador rir o tempo todo. Não que em Guardiões da Galáxia isso não funcione, mas a ressalva que ora faço é pelo fato de que no “volume 2” vemos esse aspecto potencializar e estragar alguns momentos. Por exemplo, no “volume 1” quando todos se juntam pela primeira vez, um slow motion é executado para criar um momento grandioso que é desconstituído por um bocejo de Gamora e um gesto de Rocky, porém, não deixa de ser impactante o registro. Todavia, na segunda sequencia vemos um travelling circular bem construído onde vemos uma nova formação com novos integrantes: Nebulosa coça o nariz, mas o momento teve pouco impacto após um objeto atingir Mantis e concluir o plano imediatamente com Drax dizendo: “Mantis, cuidado!”. Algo similar foi feito em Doutor Estranho, quando uma risada simplesmente acabou com o momento heróico do protagonista e essa abordagem simplesmente não tem efeito, há que se ter um equilíbrio melhor. 

Porém, os acertos compensam muito mais do que as poucas falhas que possui. E se mencionei anteriormente que a montagem paralela foi eficaz, é porque aqui temos três tramas diferentes que lidam com o mesmo problema: Peter deve lidar com sua figura paterna biológica; Nebulosa e Gamora também revivem lembranças de sua infância juntas e; Rocky e Yondu descobrem que possuem muita coisa em comum. Porque o principal que se propõe a explorar aqui é sobre os laços amorosos, sejam eles de amizade, romântico ou de família. Assim, tanto o protagonista quanto os coadjuvantes em sua volta possuem destaque, tanto na ação, quanto em seus próprios arcos dramáticos, o que o roteiro consegue dar conta muito bem, considerando o número de personagens desta sequencia.

O principal, portanto, que é desenvolvido é a questão de que as relações afetivas são tão importantes quanto àquelas biológicas, e a família que nós escolhemos tem igual relevância em nossas vidas. Em outras palavras, ao mesmo tempo em que é extremamente importante conhecermos nosso passado e nossa história, nunca podemos deixar de lado quem nos acolheu de braços abertos. Curioso é que baby Groot se encaixa neste contexto ao precisar de cuidados devido a sua imaturidade proveniente de sua “pouca idade” e estar sendo criado justamente por figuras adotivas que se preocupam imensamente com seu bem-estar. Aliás, essa inocência transmitida é um dos pontos cômicos mais sinceros e impactantes do longa.

Guardiões da Galáxia – Volume 2 é possivelmente um dos melhores filmes blockbusters do ano. É diversão garantida para família.

Por sinal, os guardiões irão retornar, e nós estamos já aguardando ansiosamente para as novas aventuras.

Observação: Não saiam da sessão! Há cinco cenas durante e pós-créditos muito importantes!

Por admin, 27 de abril de 2017
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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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