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Crítica: Gaga: O Amor Pela Dança (Mr. Gaga, Israel/Suécia/Alemanha/Holanda, 2017)

  • 7 de abril de 2017
  • Por admin
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Crítica: Gaga: O Amor Pela Dança (Mr. Gaga, Israel/Suécia/Alemanha/Holanda, 2017)
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Dirigido e roteirizado por Tomer Heymann. Elenco: Ohad Naharin, Tzofia Naharin, Avi Belleli, Naomi Blocj Fortis, Gina Buntz, Sonia D’Orleans Juste, Judith Brin Ingber, Tami Lotan, Eldad Mannheim, Eliav Naharin, Natalie Portman.

O israelense Ohad Naharin é um dos coreógrafos e dançarinos mais importantes da dança contemporânea que inventou sua própria linguagem para se expressar com o corpo e, por conseguinte, a denominou de “Gaga”. Neste documentário, o diretor Heymann acompanha desde a sua infância até a atualidade, os passos de sua vida e carreira que o firmaram como um revolucionário de seu ramo e o tornou o diretor artístico da Companhia de Dança Batsheva em Tel Aviv.

Com uma narração em off feita pelo próprio protagonista, Heymann utiliza de uma montagem alternada com imagens e arquivos pessoais de ensaios, apresentações, entre outros, enquanto Naharin conta sua trajetória fazendo revelações bastante íntimas. Neste sentido, ele nos relata que nunca dançou profissionalmente ou teve aulas de danças até os 22 anos quando se mudou para a cidade de New York e conseguiu uma vaga na Universidade de Julliard, uma das mais prestigiosas faculdades de artes do mundo. Lá, Naharin já conta como se sentia diferente, pois seu ritmo e movimentos contrariavam o método rigoroso dos ensaios e das coreografias. Ele não se sentia livre.

Gaga – O Amor Pela Dança (Créditos: Vitrine Filmes)

Assim sendo, acredito que esse é um dos elementos mais marcantes no longa: a liberdade de Naharin em se expressar como dançarino da melhor forma que ele sentia que fosse necessário. Seja pelo viés político, como testemunhamos no seu protesto ao não se apresentar em um evento do país de Israel após uma censura, seja pelo viés artístico quando monta sua própria companhia com sua esposa na época Mari Kajiwara, o coreógrafo sempre sentia que nunca deveria abrir mão do que queria desenvolver na dança, mais como uma necessidade e uma vontade que é maior do que ele mesmo ou as próprias limitações de seu corpo. É dessa forma, pois, que Naharin desmente uma entrevista que havia feito há muitos anos ao responder uma pergunta sobre os motivos que o levou a dançar. Naquela oportunidade, o protagonista afirmou que tinha um irmão gêmeo autista e, portanto, não se comunicava como as crianças normalmente o faziam. Sua avó dançava para ele e isso o estimulava. Quando ela morreu repentinamente, Naharin passou a dançar para o irmão. Interessante observar que, neste momento, imagens sua, quando criança, aparecem, sempre dançando e se movimentando. Fácil julgar por esta mentira, que o dançarino talvez possua um ego em relação ao seu trabalho, mas fato é que ele afirma que esta pergunta não lhe tem sentido, já que ele não consegue colocar em palavras quando tudo começou o que reforça de certa forma como essa arte sempre lhe foi inata ao seu espírito e o motivo pelo qual ele é tão intenso.

Heymann traças essas particularidades do profissional muito bem. No entanto, o diretor perde seu foco ao não conseguir trabalhar com profundidade o estudo sobre o que seria o termo “Gaga” de sua dança, mesmo discutindo brevemente o tema por meio de gravações de seus dançarinos ensaiando e de alguns depoimentos feitos por colegas e amigos, incluindo a atriz Natalie Portman. O resultado parece ser o de uma grande homenagem realizada à imagem e a representatividade do coreógrafo para a história da arte, utilizando para isto uma narrativa simples e linear sobre os principais eventos da vida de Naharin, mas qualquer aspecto do que ele coloca em tela falha em ser aprofundado.

Mesmo com pouquíssimas inovações ou complexidade técnica pelo diretor, Gaga: O Amor Pela Dança vale a pena ser visto para conhecer e tentar entender um pouco do que o estilo trata. Os sentimentos evocados pelo narrador e que transparecem em suas coreografias (e aqui destaco uma linda dança entre dois homens enquanto Naharin defende que os movimentos são acima de qualquer gênero ou sexualidade) ou então as aulas para o grande público, fazem perpetuar um estímulo cada vez mais forte da maneira livre de as pessoas se expressarem por meio da dança, o que nos permitem nos aproximar de seu mundo.

Por admin, 7 de abril de 2017
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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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