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Em Drama

Crítica: Extraordinário (Wonder, EUA, 2017)

  • 6 de dezembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Extraordinário (Wonder, EUA, 2017)
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Direção por Stephen Chbosky. Roteiro por Jack Thorne, Steve Conrad, Stephen Chbosky. Baseado em Wonder de R. J. Palacio. Elenco: Julia Roberts, Owen Wilson, Jacob Tremblay, Mandy Patinkin, Sonia Braga, Millie Davis, Noah Jupe, Danielle Rose Russell, Izabela Vidovic.

Atores famosos, uma história emocionante de superação e um roteiro “arranca-lágrimas”.

Essa é fórmula mágica para não somente atrair o grande público para as telas do cinema, mas também forçar uma indicação ao Óscar quando o fim de ano se aproxima, ou seja, uma isca querendo e implorando para ser fisgada. Neste contexto, se em 2016, o irregular Lion – Uma Jornada para Casa tirou o lugar de tantos outros merecedores na categoria de Melhor Filme, como A Qualquer Custo, Animais Noturnos ou Silêncio para citar alguns, já em 2017 temos Extraordinário, que não me surpreenderia se aparecesse na lista final dos concorrentes.

Esclareço que não viso menosprezar a história dessa obra, ela é tão importante quanto necessária, uma vez que intolerância, falta de empatia e respeito parecem dominar o mundo de hoje. Mas a questão é, na realidade, que ela foi mal executada. A trama gira em torno essencialmente na vida de Auggie (Tremblay), um menino que nasceu com uma deformidade facial em razão de uma condição genética. Cercado do amor familiar por uma mãe, um pai e uma irmã, Auggie se encontra na idade de frequentar regularmente a escola, uma opção evitada por tanto tempo pelos pais, devido ao preconceito a que ele poderá se submeter. Dessa forma, acompanhamos a trajetória do garoto para ser acolhido na escola.

Extraordinário (Créditos: IMDb)

O diretor Stephen Chbosky já se mostrou competente para desenvolver obras sensíveis que tratam da adolescência de maneira bastante respeitosa, como As Vantagens de Ser Invisível (2012) que explora as dificuldades nesta fase. Em Extraordinário não é diferente: além de Auggie, o qual passa por problemas óbvios em se socializar; sua irmã Olivia, ou Via (Vidovic), também se depara com o abandono de sua melhor amiga e a negligência de seus pais em face da atenção exigida do irmãozinho. As pressões e os desafios da idade também são vivenciados pelos demais colegas, como Jack (Jupe), Miranda (Russell) e Summer (Davis), os quais se identificam de certa forma com a situação do menino. Isso porque o bullying, o preconceito, e as “necessidades” que os jovens em geral sentem em pertencer a um grupo de amigos, a não estar sozinho e, por conseguinte, ser aceito é algo comum a todos. Além de Auggie, é interessante como Chbosky não deixa de lado outras realidades.

Aliás, fora muito conveniente acompanhar todos esses obstáculos vivenciados por Auggie porque nos dá uma visão do que a responsabilidade pelo bullying, da onde ele surge e como ele é tratado para, por exemplo, por alguns pais, para o diretor e professores da escola, assim como para as pessoas envolvidas. É curioso também observar os próprios pré-conceitos do protagonista quando ele mesmo está tão acostumado a causar reações negativas nas pessoas que ele se deixa levar ou tira conclusões precipitadas em certas ocasiões. O problema, entretanto, é que o roteiro teve que dar conta de todas as tramas e subtramas para ao final conectar todas as histórias. No início essa abordagem funciona muito bem. Colocar cada personagem em sua própria perspectiva do mundo como, por exemplo, em um primeiro momento a câmera está de frente para Auggie e seus pais que o acompanham até a escola quando ele mesmo conta sua vida e, em outro momento, a câmera está de costas para os três nesta mesma cena, representando a visão de Olivia. Todavia, tudo vira uma bagunça mais tarde: a narrativa sofre de excessos de monólogos expositivos, é conduzido aleatoriamente e sem saber exatamente quando acabar. Existem cenas no acampamento, por exemplo, que são completamente desnecessárias e desenvolvidas com o claro intuito de tirar lágrimas do espectador, eis que neste momento o conflito da trama já estava praticamente resolvido. Por sinal, é gritante essa vontade desesperadora de Chbosky de emocionar seu público manipulando todas as oportunidades que apresentam alguma propensão a isso.  Algumas “mudanças” também se revelam radicais e sem explicação no comportamento de alguns personagens como as crianças que salvam Auggie e Jack de adolescentes agressivos e a própria história toda envolvendo Miranda parecem forçadas. Isso sem mencionar o desperdício de tempo para parar tudo para lidar com a morte de um cachorro e o “roubo” de um trenó.

Muito disso se deve principalmente à montagem: com muito material em mãos, muito dos problemas possuem solução tardia e, portanto, fácil demais, acumuladas com tantas outras como o valentão da escola de Auggie, Summer, entre outros personagens possuem seus arcos dramáticos condensados em um único, longo e apressado terceiro ato. O filme poderia tranquilamente ter 10 ou 15 minutos a menos ou poderia ter concluído a história em pelo menos 3 momentos distintos antes do final real, o que prejudica muito a qualidade da obra como um todo.

Extraordinário é um filme que denuncia nossos maiores preconceitos e crueldades, pena que seus realizadores tinham outra coi$a em mente.

Por admin, 6 de dezembro de 2017
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