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Em Comédia

Crítica: Doentes de Amor (The Big Sick, EUA, 2017)

  • 23 de outubro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Doentes de Amor (The Big Sick, EUA, 2017)
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Dirigido por Michael Showalter. Roteirizado por Emily V. Gordon, Kumail Nanjiani. Elenco: Kumail Nanjiani, Zoe Kazan, Holly Hunter, Ray Romano, Adeel Akhtar, Anupam Kher.

As comédias românticas são definitivamente um dos gêneros mais antigos do cinema e, juntamente com o terror, é um dos mais propensos a recair em estereótipos e clichês para atingir o tão esperado “final feliz”. É a fórmula famosa que sempre se segue em todos eles: primeiro um casal se conhece, depois eles brigam e ao final se reconciliam – como já esperamos. Não que o “final feliz” em si seja necessariamente o problema em filmes deste tipo, mas é o caminho traçado, ou seja, a narrativa trabalhada para que cheguemos a ele que faz toda a diferença. Doentes de Amor não só consegue um resultado completamente envolvente e um pouco diferente do que estamos acostumados, mas faz cada detalhe de sua história valer a pena torcer por este casal.

A trama gira em torno da perspectiva de Kumail, um jovem aspirante a comediante stand-up, que ao mesmo tempo trabalha como motorista Uber enquanto não atinge o sucesso financeiro. É em uma de suas apresentações que ele conhece Emily (Kazan) na platéia, a universitária que tenta uma carreira em psicologia, e, o que seria apenas uma “noite casual” se transforma em um relacionamento arrebatador. No entanto, o protagonista tem que lidar ao mesmo tempo com sua família e a cultura paquistanesa que exige o casamento arranjado e uma doença misteriosa a coma induzido que Emily adquire posteriormente.

Com um roteiro assinado pelo próprio casal em sua autobiográfica história de amor (e protagonizado pelo próprio Kumail!), é possível perceber o maior cuidado para trabalhar uma narrativa envolvente. Muito disso se deve à química entre os dois atores principais: Emily é a “esquisita adorável” e Kumail é carismático. A princípio o casal possui aquela característica clichê do gênero, já que juntos eles não têm muitos interesses em comum, mas é uma dinâmica que funciona, e, embora Kumail tenha algumas condutas questionáveis como mentir para postergar um encontra com a família de Emily, seu personagem nos conquista sem nunca perder a própria empatia devido à sua situação familiar. Esse longa não é uma comédia, portanto, que força risos ou lágrimas diante dos conflitos, mas que tenta atrair a sua atenção e se manter conectado aos personagens.

O companheirismo de Emily e Kumail em Doentes de Amor (Créditos: IMDb)

Dessa forma, é interessante como a comédia se presta para sutilmente criar tanto uma crítica em relação à cultura de Kumail, mas sem nunca perder o respeito para quebrar certos preconceitos como, por exemplo, o fato de que ele e seu irmão afirmarem a desconhecidos de maneira constrangida em uma lanchonete que são anti-terroristas ou então a estrutura patriarcal e autoritária de sua família: “No Paquistão, casamento arranjado é apenas chamado de “casamento”. E se de um lado essa reconciliação é feita de forma realista e sem soar forçado, o mesmo acontece com a sua aproximação com a família de Emily que é tão natural quanto e também diz muito da história e dinâmica do casal. Não é à toa, pois, que o pai da personagem se presta mais tolerante com os erros de Kumail diante de seus próprios erros cometidos em seu casamento, enquanto a mãe se demonstra mais protetora e intolerante com as atitudes dele, em razão das dores que já vivenciou.

Showalter faz um trabalho maravilhoso como diretor, já que consegue traçar as diferentes trama que decorrem dos dois personagens principais e, dessa forma, criar um ritmo bastante natural de como a atitude de ambos atingem as pessoas ao redor deles.  De maneira inteligente, ele também deixa alguns elementos fora do foco principal da história, como o sucesso de Kumail em stand-up, já que já sabemos qual é o desfecho deste conflito, além de sua harmonia e sutileza para temas extremamente delicados. Com uma mise-en-scène eficiente e sutil, o cineasta frequentemente posiciona os personagens no quadro conforme o estado emocional de cada um como, por exemplo, os planos mais distantes entre Kumail e os pais de Emily ou no momento em que ele se encontra no meio e entre eles, a fim de representar essa distância que gradualmente diminui, ou Emily e Kumail posicionados em cantos opostos deitados no sofá, mas com as pernas se tocando, como um sinal de companheirismo em meio à diversidade.

Doentes de Amor é, em suma, aquele filme que deixará você com um sorriso do começo ao fim, mas principalmente, é aquele filme que faz apreciar os seus clichês.  

Por admin, 23 de outubro de 2017
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