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Em Drama

Crítica: Deserto (Desierto, México/França, 2017)

  • 2 de novembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Deserto (Desierto, México/França, 2017)
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Dirigido por Jonas Cuarón. Roteirizado por Jonas Cuarón e Mateo Garcia. Elenco: Gael García Bernal, Jeffrey Dean Morgan, Alondra Hidalgo.

O atual presidente dos Estados Unidos se tornou notório por suas ideologias que ele simplesmente não esconde do público. Desde as polêmicas envolvendo novas guerras, a saída do país do Acordo de Paris e, dentre tantas outras, a sua expressa ordem em construir um muro na fronteira do México, a fim de controlar a migração ilegal. Deserto, foi lançado mundialmente em 2015, mas somente chega às telas do cinema brasileiro em 2017. Momento completamente importante, uma vez que o longa visivelmente intencionou ser uma resposta política em relação a este governo, por meio da experiência de Moises (Bernal), um mexicano que tenta a sorte, assim como várias outras pessoas, cruzando a fronteira a pé, em razão de um defeito mecânico no caminhão que os deveria transportar. No meio do caminho, eles encontram o personagem norte-americano Jeffrey Dean Morgan, o qual, diante do descaso da polícia em relação às suas denúncias de imigrantes, decide resolver o “problema” com suas próprias mãos.

Os primeiros minutos do filme são muito eficientes através da lente de Cuarón: as imagens em plano geral dos vastos desertos diminuem as pessoas de tal maneira a sequer podemos ver o horizonte, como se os Estados Unidos em si fosse um lugar inalcançável e impossível de se chegar. Da mesma maneira, é interessante notar como ao chegarem no “cercado” que divide ambos países, vemos mais do mesmo, ou seja, vastas terras sem qualquer sinal de civilização por perto. É uma continuação do mesmo deserto onde estavam. Neste sentido,  Cuarón transmite uma incrível mensagem de que fronteiras são criadas pelo próprio homem e existem apenas em sua mente; já a terra é a mesma (apesar de ao mesmo tempo não ser). Contudo, ao longo da narrativa o ritmo lento passa a incomodar e a trajetória, que deveria ser tão impactante e visceral, passa a ser entediante.

Deserto (Créditos: IMDb)

Isto se deve simplesmente por não haver qualquer desenvolvimento de personagens. No início, chega a ser pertinente tal abordagem, já que os próprios imigrantes são todos iguais e estão compartilhando uma mesma situação. Entretanto, quando chegamos a conhecer de maneira mais profunda as vítimas desta ridícula perseguição já é tarde demais, muita gente já sofreu e nos encontramos na metade da projeção. Ademais, ao tomar conhecimento da história passada dos personagens, principalmente a de Moises, ela é cheia de clichês forçados envolvendo filhos, família, que não faz sentido.

Certamente, esse filme se concentra em oitenta e oito minutos de ação, o que não demora muito para alavancar, transformando a narrativa em uma perseguição insaciável do personagem de Morgan contra os imigrantes. Ocorre que, não há nenhum senso de urgência ou até mesmo lógica no caminho percorrido pelos personagens. De uma maneira muito fácil eles se deslocam grandes distancias e voltam após segundos no mesmo lugar onde estavam. Reparem como muito facilmente Moises retorna para o lugar onde tinha deixado uma companheira de viagem descansar. O ritmo lento e as sequencias pouco inteligentes de fuga e perseguição se tornam entediantes para o espectador, não conseguindo sequer nos aproximar o suficiente dos imigrantes a ponto de importarmos com a trajetória deles.

Sim, o preconceito, o ódio e a xenofobia são elementos que não têm sentido de existirem, mas não quer dizer que não precisam serem desenvolvidos para nos impactar e nos demonstrar o quão absurdo e destrutivo eles podem ser, a ponto de sequer olhar para o próximo. É apenas notar como o personagem de Morgan dá mais importância ao seu cachorro do que aos próprios humanos (convém esclarecer que aqui não digo que os animais não sejam importantes, mas digo que eles possuem o mesmo valor).

Deserto funciona até certo ponto para estabelecer a perspectiva dos imigrantes, contudo, deixa a sensação de uma obra incompleta que mantém distante o espectador do que realmente importa: os próprios seres humanos.

Por admin, 2 de novembro de 2017
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