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Em Ação, Suspense

Crítica: Death Note (EUA, 2017)

  • 28 de agosto de 2017
  • Por admin
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Crítica: Death Note (EUA, 2017)
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Dirigido por Adam Wingard. Roteirizado por Jeremy Slater, Charley Parlapanides, Vlas Parlapanides. Baseado em Death Note de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Elenco: Nat Wolff, Margaret Qualley, Keith Stanfield, Paul Nakauchi, Shea Whigham, Willem Dafoe.

Death Note é a mais nova produção totalmente original da Netflix, executada a partir da adaptação do mangá homônimo de autoria de Takeshi Obata e Tsugumi Ohba. A história gira em torno do adolescente Light Turner (Wolff), um estudante que certo dia se torna o escolhido para ter em sua posse o mágico caderno “Death Note”, no qual ele descobre que ao colocar nomes de pessoas nele, elas morrem da exata forma como é descrita. Acreditando, no entanto, que poderia ajudar a sociedade aniquilando bandidos da cidade de Seattle, ele atua de tal maneira ao lado de sua namorada Mia Sutton (Qualley). Porém, os atos “heróicos” do casal acabam gerando grande repercussão, inclusive, da polícia e do misterioso L (Stanfield), que agora está atrás do responsável pelas mortes.

Como é costume em outras produções da mesma plataforma, Netflix parece estar confortável na forma em que conduz seus filmes, nunca se atentando, contudo, com a qualidade ou sequer a responsabilidade do conteúdo deles. Death Note é daqueles longas que se insere na categoria de desastres tentativas que desperdiçam completamente o tempo de seu espectador, sendo inclusive incrivelmente perigoso pela forma como eventualmente poderá ser interpretado.

Contando com cem minutos representando uma perfeita lição de como não se fazer filmes do gênero de terror ou até mesmo de ação para jovens aspirantes a cineastas, a trama inicia até relativamente bem – apesar dos gritos patéticos de seu protagonista que soam mais como uma piada do que um momento tenso –  na medida em que situa a realidade de Turner: um menino que vive em meio à violência e bullying adolescente, sendo mais um dos que sobrevive e enfrenta situações relacionáveis com qualquer um, como, por exemplo, o fato de que o coordenador da escola o repreende por estar em posse de documentos ilegais, enquanto o garoto se acha injustiçado por não considerarem o fato que acabara de ser agredido por um de seus colegas.

As cores em tons de azul e pontos em vermelho são muito pesados e não dialogam com a narrativa de Death Note (Créditos: IMDb)

Todavia, essa primeira lição que Turner aprende (ou tenta), qual seja, a de que um erro não justifica ou não o exime do outro, parece ser completamente ignorada pelo resto da projeção, pois a direção de Wingard segue pelos caminhos mais ordinários e sem graça, que, ao invés explorar esse elemento central da trama e que também gira em torno basicamente da relação entre o protagonista e o deus da morte Ryuk (com a voz emprestada de Dafoe), opta-se, em contrapartida, por um foque muito maior para o romance entre Turner e Sutton que é bastante clichê e simplesmente acontece sem justificativa ou motivação nenhuma por parte de nenhum deles. Enquanto o primeiro é o “nerd” rejeitado do colégio que faz a tarefa para os colegas, a segunda é a “cheerleader” bonita que pode ter todos a seus pés e acaba se envolvendo com o menino mais inteligente e ignorado de todos. Sendo assim, o peso do conteúdo da sua trama e a forma irresponsável como fora contada pode passar inclusive a mensagem errada acerca da temática de se fazer justiça com as próprias mãos, parecendo algo muito mais banal do que de fato é.

A direção de Wingard chega até ser interessante no primeiro ato, com uso de slow motion e um caderno que literalmente cai do céu diretamente para o colo do protagonista, mas a pretensão é tamanha que alguns enquadramentos sequer fazem sentido como, por exemplo, a utilização gratuita de ângulos holandeses (ou ângulos tortos). Além disso, com uma decupagem completamente irregular de um roteiro mal feito, e acreditando equivocadamente estar sendo “dinâmico” em sua condução da narrativa, podemos notar como alguns conflitos são resolvidos muito facilmente e longe de criar qualquer impacto no espectador, até porque, cada plano tem uma duração curtíssima para que ele possa efetivamente se importar. Outras cenas que deveriam possuir mais importância e, portanto, criar um sentimento genuíno pela violência no mundo moderno tampouco são exploradas com eficiência: tudo é muito frenético e, dessa forma, passa batido em situações cruciais.

A fotografia igualmente é um elemento narrativo que se perde por inteiro. Tal como em Nerve: Um Jogo Sem Regras, a paleta de cores parece se inspirar no “cyberpunk”, um conjunto de sombras e contrastes definidos em uma coloração em neon, com destaque para o azul e o vermelho. No entanto, a transição é pouco sutil, pois em um primeiro momento a cor cinza era predominante, além de que sequer dialoga com os elementos de terror que explora ou como gênero de ação policial que não chega a ser aprofundado. A sensação é de que ele acaba sendo os dois, e ao mesmo tempo nenhum.

Death Note é, por fim, um desastre cinematográfico que não se preocupa com a filosofia que sua história prega, fazendo com que, em comparação, muitos outros filmes duvidosos do mesmo gênero, como Ghost In The Shell (também adaptado de um mangá) seja uma obra-prima.

Por admin, 28 de agosto de 2017
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