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Em Comédia

Crítica: Deadpool 2 (EUA, 2018)

  • 17 de maio de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Deadpool 2 (EUA, 2018)
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Dirigido por David Leitch. Roteirizado por Rhett Reese, Paul Wernick, Ryan Reynolds. Baseado em Deadpool de Rob Liefeld e Fabian Nicieza. Elenco: Ryan Reynolds, Morena Baccarin, T.J. Miller, Leslie Uggams, Brianna Hildebrand, Stefan Kapicic, Zazie Beetz, Josh Brolin, Jack Kesy, Eddie Marsan, Julian Dennison, Karan Soni, Shioli Kutsuna, Rob Delaney, Bill Skarsgard, Lewis Tan.

Deadpool marcou seu sucesso nas telas do cinema como um dos anti-heróis mais queridos do público. Contando com o carisma de Ryan Reynolds no papel, e que agora co-assina o roteiro desta sequencia, a Marvel aposta novamente nas fórmulas que funcionaram com seus fãs: muito humor (adulto) e recursos metalinguísticos do cinema. Na trama deste novo longa, o protagonista tenta salvar um jovem com habilidades supernaturais do mutante vingativo Cable (Brolin) que viajou no tempo para matá-lo.

Como já se sabe, as franquias do Universo Marvel corriqueiramente exploram os laços familiares como, a briga entre pai e filho em Guardiões da Galáxia vol. 2 (2017) e o legado da linhagem de Wakanda em Pantera Negra (2018), para mencionar alguns. Em Deadpool 2 não é diferente, uma vez que nos deparamos nos minutos iniciais com Wade Wilson planejando começar uma família com sua amada Vanessa (Baccarin). Da mesma forma, não à toa, o protagonista se apega emocionalmente a Russell (Dennison), já que projeta no menino não somente sua própria jornada pessoal de superação de um passado traumático, mas também a frustração de seus almejos não concretizados, ao passo que Cable (Brolin) tenta salvar sua própria família de um terrível destino.

Russell, portanto, torna-se o centro dramático da narrativa na medida em que ele muda a percepção e a visão de mundo dos adultos em sua volta. Ele representa literalmente mais uma geração de mutantes e, em uma perspectiva mais abrangente, todo o futuro da juventude. Em um mundo completamente imerso no individualismo, na violência, na intolerância e no egoísmo, Russell traz uma lição fundamental para os mais velhos: que tipo de mundo queremos deixar para as crianças? Que tipo de valores queremos que elas cultivem e cresçam? Afinal, dependemos justamente deles para perpetuar e criar um mundo cada vez melhor.

Essa mensagem em Deadpool é latente, muito poderosa e, sobretudo, necessária na narrativa, e que dialoga diretamente com os arcos dramáticos vividos pelo seu protagonista e antagonista ao mesmo tempo.  No entanto, em se tratando de um “anti-herói” é claro que Deadpool desaprende tudo o que ele demorou duas horas de filme para aprender (francamente, não há de ser de outra maneira).

Referência do filme Diga o Que Quiserem (1989) em Deadpool 2 (Créditos: IMDb)

Em relação às fórmulas que marcam a franquia, o longa volta a funcionar muito bem quando, por exemplo, Wade apelida Cable de “Thanos” ou então quando presenciamos o resto da equipe X-Men se escondendo do protagonista. Além disso, há inúmeras referências divertidas desde os créditos iniciais com uma paródia da abertura de 007 – Skyfall (2012); cenas de ação à la Velozes e Furiosos; um esconderijo bastante similar onde o dinheiro ilegal era guardado em Em Ritmo de Fuga (2017); a cena icônica da declaração de amor em Diga o Que Quiserem (1989); a morte de Logan e; as várias hilárias conexões com o mundo X-Men quando o time de mutantes desenha um X no ar após pular de um avião ou quando Deadpool imita o sinal de Pantera Negra. Não posso deixar de mencionar a brilhante inserção de Domino (Beetz), cujo superpoder é “ter sorte” o que habilmente traz uma justificativa para inúmeras conveniências que o roteiro se permite fazer dentro de sua lógica em prol da aventura.

Contudo, se por um lado o humor se reinventa em muitos pontos, por outro ele cansa pela exaustiva repetição de piadas envolvendo Dopinder (Soni) e seu desespero em se juntar ao time, as conotações sexuais sem graça e também a quebra da quarta parede lembrando o espectador o tempo todo o óbvio, ou seja, que ele está vendo um filme. Assim sendo, tiradas como “que roteiro fraquinho” não surtem muitas vezes o efeito desejado no espectador. Isso porque há em Deadpool uma necessidade muito expressiva do filme em fazer graça a qualquer custo, mas ele acaba se perdendo novamente em suas inúmeras gags, quando ele é muito mais bem sucedido quando trabalha de forma mais sutil. 

Por fim, é impossível não notar a presença de elipses inexplicáveis que se resolvem em um passe de mágica, passando a impressão de como se nunca tivessem, na realidade, acontecido, principalmente aqueles envolvendo Weasel (Miller) e um suposto sequestro que apenas demonstra o quão descartável é o seu personagem e, ainda, evidenciar que os roteiristas literalmente não sabiam o que fazer com ele para encaixá-lo na narrativa.

Apesar de pecar pelos seus excessos, Deadpool 2 acaba trazendo mais uma divertida e emocionante aventura do Universo Marvel.

Observação: Não saiam da sessão pois há duas cenas pós-créditos!

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 17 de maio de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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