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Em Drama

Crítica: Castelo de Areia (Sand Castle, Reino Unido, 2017)

  • 3 de maio de 2017
  • Por admin
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Crítica: Castelo de Areia (Sand Castle, Reino Unido, 2017)
Rating: 2.5. From 1 vote.
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Dirigido por Fernando Coimbra. Roteirizado por Chris Roessner. Elenco com: Nicholas Hoult, Logan Marshall-Green, Henry Cavill, Glen Powell, Beau Knapp, Neil Brown Jr., Tommy Flanagan.

A guerra gera boas histórias para se contar no cinema e das quais a indústria norte-americana gosta de se vangloriar. Desde cinebiografias de nomes com grandes atos heróicos como Sniper Americano (2015), O Resgate do Soldado Ryan (1998) e até o premiado Até o Último Homem (2016), até fragmentos de eventos particulares para explorar os horrores que ela perpetua como os clássicos Nascido para Matar (1987), e Guerra ao Terror (2008). Na Netflix, por sua vez, já presenciamos uma produção similar original com The Siege of Jadotville (2016) e agora no ano subseqüente temos Castelo de Areia em seu catálogo, longa este que marca a estréia do diretor brasileiro Fernando Coimbra em uma obra internacional.

Coimbra, apesar de possuir uma filmografia reduzida, não é um nome qualquer para o ramo. Seu premiado O Lobo Atrás da Porta (2013) repercutiu de tal forma que o trabalho foi inclusive indicado ao prêmio do Sindicato dos Diretores dos Estados Unidos (Director’s Guild of America). Em Castelo de Areia, o cineasta continua a provar que possui uma boa dominação da câmera: lindos planos longos e de sequencia que mapeiam os lugares, assim como a forma que executa os embates bélicos e uma perspectiva que acompanha as experiências de seu protagonista. Da mesma maneira, o longa tem muitos outros pontos positivos também, como a fotografia em tons pastéis que realçam o clima árido e o calor do país, e a edição de som que, junto com a direção, reconstituem perfeitamente a sensação de desorientação e surdez advinda da explosão de bombas.

 

Castelo de Areia – Netflix (Créditos: IMDb)

A história conta a experiência do norte-americano Matt Ocre (Hoult), um soldado que nos primeiros minutos de projeção, por meio de sua narração em off, declara odiar a guerra e que não desejava participar dela, quebrando inclusive propositalmente seu braço para ficar de licença. Ambientada no ano de 2003, onde acontecia a Guerra do Iraque, um embate por sua equipe provocou o bombeamento de uma pequena vila onde destruíram o serviço de água dos habitantes e, antes de retornarem às suas casas, devem consertar o encanamento para restabelecê-lo.

Já pela leitura desta sinopse podemos perceber que se trata de uma premissa interessante o suficiente para atrair nossa atenção. Temos um personagem que lida com as diversas frustrações de estar onde não queria estar, principalmente fazer parte ativamente de uma guerra. Todavia, o trabalho de Coimbra possui um ritmo por vezes irregular, passando por vários temas sem aprofundar nenhuma delas, por exemplo, o bullying clichê de seus companheiros e o seu consequente isolamento; a cooperação entre os soldados americanos e a população iraquiana que sofre com a ausência de água; o sistema escolar norte-americano e seu custo; o choque de culturas; o dever tradicional de se alistar no exército como herança das gerações masculinas; a hostilidade e a falta de humanidade como qual são tratados os iraquianos (e vice-versa); entre outros. A maneira passageira como são tratados todos esses elementos prejudica o foco ou deixar transparente a ideia ou o objetivo principal que se quer passar com o filme. Coimbra tampouco contribui ao tornar o caminho desta narrativa muitas vezes previsível, sem urgência, ao capturar planos isolados que são de bastante fácil dedução acerca do que acontecerá na sequencia como o carregamento de uma caixa por um iraquiano no acampamento americano.

Castelo de Areia, portanto, apenas reafirma a reputação que já precede a Netflix de filmes bem produzidos, mas que deixam a desejar na condução de uma história que possuía grande potencial. Porque depois de assistir a cento e treze minutos de projeção, o longa deixa uma sensação de vazio, como se algo faltou, devido à carência de um objetivo principal.

Em outras palavras, a mensagem que Coimbra quis de fato passar, nós nunca saberemos.

Por admin, 3 de maio de 2017
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