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Em Drama

Crítica: Capitão Fantástico (Captain Fantastic, EUA, 2016)

  • 8 de dezembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: Capitão Fantástico (Captain Fantastic, EUA, 2016)
Rating: 5.0. From 1 vote.
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Dirigido e roteirizado por Matt Ross. Elenco: Viggo Mortensen, George MacKay, Samantha Isler, Annalise Basso, Nicholas Hamilton, Shree Crooks, Charlie Shotwell, Kathryn Hahn, Steve Zahn, Ann Dowd, Erin Moriarty, Missi Pyle e Frank Langella.

Ben (Mortensen) é um pai que possui seis filhos: Bodevan (Mackay), Kielyr (Isler), Vespyr (Basso – Ouija, A Origem do Mal), Rellian (Hamilton), Zaja (Crooks) e Nai (Shotwell). A família mora na floresta e rapidamente aprendemos a forma como eles vivem: caçam e plantam seus próprios alimentos, tocam instrumentos musicais, praticam esportes e outros treinamentos de resistência e condição física diariamente e são educados rigorosamente pelo próprio pai, o qual mantém este estilo de vida justamente para evitar que seus filhos sejam contaminados pela cultura consumista e materialista da sociedade urbana.

Apesar de transparecer um método pouco convencional de criação, correndo o risco de gerar controvérsias e ser considerado como inconseqüente, é neste aspecto que o filme desenvolve tão maravilhosamente bem. Em uma clara inspiração ao filme e à história de Na Natureza Selvagem, nos divertimos e nos emocionamos com uma família que se recusa a ser retratada como “aberrações da natureza” ou “bichos do mato”. Apenas por uma opção de vida, percebemos, portanto, que não significa que seus filhos são menos educados do que aqueles que vão regularmente à escola: eles estudam constantemente assuntos avançados (como física quântica), falam vários idiomas e, inclusive, o filho mais velho obtém êxito em ser aprovado nas universidades americanas mais cobiçadas: Harvard, Princeton, MIT, entre outros.

Além disso, as crianças são estimuladas todo o tempo a desenvolver o senso crítico e a argumentação, principalmente quando o protagonista se recusa a aceitar que sua filha se limite a descrever a obra de “Lolita” do escritor russo Vladimir Nabokov como apenas “interessante”, ou quando pede ao seu filho mais novo para explicar mais elaboradamente o porquê de não aceitar uma determinada tradição. Ben vai ainda mais longe ao ensinar seus filhos tudo sobre os conceitos de “capitalismo”; “socialismo”; “fascismo”, o que significa a religião, a morte, a vida, ou quando sua filha mais nova pergunta o que é “relação sexual”, ele não hesita em dar respostas diretas e sem maquiar nenhum aspecto, o que rende boas risadas também.

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Viggo Mortensen em Capitão Fantástico

Porém, uma notícia leva-os a fazer uma viagem no ônibus da família até a cidade. A narrativa, então, é estruturada em torno dessa trajetória recheada de autodescobertas e revelações do mundo material; uma aventura que lembra muito o tão querido filme Pequena Miss Sunshine, onde as diferenças e os traumas são tratados, novas sensações são experimentadas, mas os valores da família sempre permanecem. Além disto, as consequencias da inserção da família no ambiente urbano se prestam para que todos evoluam junto com a narrativa. E tudo isto é finalmente simbolizado com uma comovente versão de “Sweet Child of Mine” de Guns n’ Roses.

Assim sendo, o que mantém a empatia é a dinâmica da família e ao mesmo tempo a intensidade protetora de Ben, de modo que o trabalho de Mortensen torna-se essencial para que o longa funcionasse e de fato funciona muito bem. Afinal, qual pai ou mãe não se identifica com alguém que faz enormes sacrifícios, que às vezes carrega o fardo por errar ou tropeçar no meio do caminho, mas que sempre faz tudo em nome de seus filhos, para que eles tenham um futuro melhor e digno? Quem não quer proteger seus filhos dos males de uma sociedade falha e que se apresenta muitas vezes corrompida?

Neste contexto, há os avós maternos (Langella e Dowd) das crianças que, a princípio, podem parecer como os vilões da história quando os princípios de Ben entram em conflito com o deles. Entretanto, o roteiro não deixa camadas superficiais aos personagens, e passamos a entender os motivos por trás de suas ações, as quais se traduzem no mesmo carinho e preocupação que nosso protagonista sente.

Apesar de ter um desfecho relativamente fácil e deixar algumas pontas soltas, Matt Ross, mesmo assim, faz um trabalho fascinante em explorar as relações familiares, no que tange às suas complexidades e às suas imperfeições.

Impossível não se apaixonar por uma obra que só tem a agregar.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o Cabine Cultural

Por admin, 8 de dezembro de 2016
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