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Em Drama

Crítica: Capharnaüm (کفرناحوم, Líbano, 2019)

  • 13 de fevereiro de 2019
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Capharnaüm (کفرناحوم, Líbano, 2019)
Rating: 4.0. From 1 vote.
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Dirigido por Nadine Labaki. Roteirizado por Jihad Hojeily, Michelle Keserwany, Nadine Labaki, Khaled Mouzanar. Elenco: Zain Al Rafeea, Yordanos Shiferaw, Boluwatife Treasure Bankole, Kawsar Al Haddad, Fadi Yousef, Haita ‘Cedra’ Izzam, Alaa Chouchnieh, Nadine Labaki, Elias Khoury, Nour El Husseini, Joseph Jimbazian, Samira Chalhoub, Farah Hasno, Joe Maalouf, Alexandre Youakim, Michele Sedad.

Representante do Oscar de 2019 na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, pelo Líbano, Capharnaüm chega às telas dos cinemas brasileiros para desestabilizar seu espectador, contando uma história comovente sobre miséria, fome, justiça e violência, mas sobre tudo sobre nossa responsabilidade com a infância.

Na trama, um garoto chamado Zain (Al Rafeea) de 12 anos é preso por lesionar um homem e, ao mesmo tempo, processa seus pais por tê-lo colocado ao mundo. Um lar que, aos poucos, descobrimos ser um de péssimas condições já que o protagonista e seus incontáveis irmãos vivem sob um teto apertado, trabalhando dia e noite sem estudar e com pais extremamente abusivos que pouco se importam com seus filhos. Apenas podemos observar isso quando escutamos uma discussão entre o casal sobre como seu filho mais velho ir para escola pode beneficiar eles diretamente sem sequer considerar as vantagens da educação para seu futuro.

A diretora Labaki tinha plena consciência do poder que sua câmera possuía ao conduzir esse tipo de história e aproveita ao máximo a oportunidade durante a narrativa: o aparato que segue os passos do protagonista concede um tom realista para obra quase documental, e os poucos planos fixos intensificam essa experiência, além de personificar exatamente o que o título de seu filme significa: caos. Não somente a níveis pessoais, ou seja, em relação às pessoas que passamos a conhecer, mas também a nível político e social quando coloca como pano de fundo a crise de refugiados de guerra e os efeitos de uma cultura bastante machista e opressora.

 

Capharnaüm (Créditos: IMDb)

Neste contexto, o longa funciona muito bem, especialmente pelo fato de que a audiência se mantém sempre imersa numa realidade específica, mas relacionável. Um defeito, no entanto, é o fato de que a narrativa cada vez mais assume um viés apelativo emocional, desnecessário muitas vezes. Essa abordagem fez com que toda a discussão que assume o Tribunal seja perdida, para permitir que sua temática fosse explorada mais aprofundadamente do ponto de vista da responsabilidade estatal, e não apenas parental.

Ainda assim, Capharnaüm possui uma clara de mensagem em relação ao nosso descaso com a infância, a nossa negligência em relação à importância da educação, e principalmente enxergar que mundo estamos construindo para o futuro das crianças, em meio a tanto individualismo, tanta ganância, conflito, violência, guerras. Em meio ao completo caos.

Capharnaüm é um dos filmes que merece ser visto e revisto. É um filme essencial para a humanidade.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 13 de fevereiro de 2019 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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