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Em Comédia

Crítica: Cães de Guerra (War Dogs, EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Cães de Guerra (War Dogs, EUA, 2016)
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Nota: 2,5/5,0*   

Dirigido e roteirizado por Todd Phillips, junto com Stephen Chin e Jason Smilovic. Elenco com: Jonah Hill, Miles Teller, Ana de Armas, Bradley Cooper.

Baseado em fatos reais, o filme inicia com o personagem de Miles Teller, David, nosso narrador, sendo arrastado e torturado por gângsters no país frio, de cores frias, na Albânia. A partir de um freeze-frame e uma narração puramente explicativa, o filme inicia um flashback contando sua história: um massagista lutando para alavancar o seu projeto de venda de lençóis luxuosos para asilos. Sem qualquer perspectiva de crescimento no mundo do empreendedorismo, e, sem dinheiro, a descoberta da gravidez de sua namorada Iz (De Armas), o faz a tomar atitudes drásticas e aceitar o convite de seu amigo de infância, Efraim (Hill), para juntos, expandir os negócios de venda de armas e outros equipamentos para o exército americano.

É muito frustrante ver um filme que tinha um potencial enorme e, principalmente, um que tinha várias vertentes diferentes e mais interessantes que poderia ter seguido. Ao invés disto, ele peca por iniciar uma série de recursos totalmente dispensáveis dentro da narrativa: Phillips, diretor da trilogia “Se Beber Não Case”, obviamente se inspirou nos filmes de Scorsese com a cena inicial já descrita no início. No entanto, o que poderia ser utilizado de uma maneira mais envolvente, ficou apenas uma mera mímica das inovações já trazidas por este diretor em uma referência a “Os Bons Companheiros”.  Ainda, a técnica de divisão do roteiro por “capítulos” quando nos deparamos com cartazes com títulos das cenas, sempre vem de uma fala pertencente à algum personagem, antecipando o conteúdo da cena, sendo também um elemento descartável.

A ausência de um desenvolvimento mais sólido para aprofundar o caráter dos personagens é outro problema de roteiro. David está completamente ofuscado, retratado como um menino imaturo em seus 20 e poucos anos que, em meio ao desespero, aceita entrar em um negócio se transformando em uma vítima nas mãos do vilão Efraim, e, apesar dos esforços de Teller para tornar seu personagem mais dimensionado, ele seria completamente esquecido, se não fosse por sua narração. Nem vivendo uma vida de “rock star”, com mulheres, bebida e drogas a sua volta estilo “O Lobo de Wall Street” ele é convincente em seu papel como integrante de um traficante poderoso de armas, aproveitando do que “há de melhor”.  Sua namorada, por sua vez, não tem qualquer identidade ou caráter próprio, aparecendo em tela quando conveniente para a história.

Contudo, quem brilha na atuação com certeza é Jonah Hill, que interpreta um fã de carteirinha de Scarface, um sociopata egocêntrico, ganancioso, com uma risada tão maluca quanto seu personagem, e cuja extensão de mau caráter se dá por uma pista de um comentário por uma amiga de David, em um jantar. Outro personagem que se destacou foi o de Bradley Cooper, um gângster perigoso, frio,que está na lista de suspeitos de terroristas dos Estados Unidos e tem um grande papel no conflito principal da trama.

Mesmo assim, pode-se dizer que a cinematografia e direção de arte foram muito bem executadas. Há alguns lindos momentos no filme, como o mapeamento dos preços dos equipamentos militares milionários nas primeiras cenas; as cenas no deserto, o reflexo da bandeira dos Estados Unidos no carro vermelho de Efraim simbolizando um falso patriotismo; ou então os ângulos plongée no apartamento de David, para intensificar sua solidão em um apartamento gigante. Infelizmente, nada disso conseguiu compensar o péssimo e falho roteiro.

 

Por fim, o filme é exitoso em querer explorar o lado comercial das guerras durante a era Bush, assim como o desvirtuamento dos valores morais pela avareza das pessoas, mas falha completamente em transparecer uma opinião sólida, seja para condenar o negócio altamente lucrativo por trás das devastadoras e reprováveis guerras, seja para criticar a administração do ex-presidente americano.

Por Gabriella Tomasi, 14 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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