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Em Animação

Crítica: Bruxarias (Meigallos, Espanha, 2017)

  • 20 de junho de 2017
  • Por admin
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Crítica: Bruxarias (Meigallos, Espanha, 2017)
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Dirigido por Virginia Curiá. Roteiro por Anxela Loureiro.

Nesta nova animação espanhola e participação brasileira, somos apresentados a uma menina de 10 anos chamada Malva, que passa o dia no trailer com sua avó e seu bicho de estimação Lalila e três caracóis, fazendo um tour pelas cidades a fim de comercializar produtos homeopáticos e medicinais. O sucesso desperta o interesse da rival Rufa, dona de uma fábrica de cosméticos, a qual, determinada a roubar as famosas receitas familiares e ter controle do mercado, seqüestra a avó. Portanto, caberá Malva salvá-la.

Desde o início a narrativa apresenta problemas, a começar pela maneira que o stop-motion dos personagens fora executado. Isto porque de vez em quando os desenhos parecem um tanto descuidados, dando a impressão de serem legos, tantos cenários quanto os próprios personagens, e que, por isso, dão a impressão de que podem ser desmontados. Alguns movimentos e interação entre os bonecos não parecem tão naturais como, por exemplo, em O Pequeno Príncipe (2015). Contudo, os gráficos ainda funcionam em boa parte do tempo, e nunca chegam no nível amador, felizmente.

Porém, a ausência de tanta naturalidade se deve igualmente pela forma como o roteiro foi trabalhado. Os vilões são unidimensionais e há personagens incrivelmente deslocados que soltam frases redundantes e de efeito, como, por exemplo, os dois amigos de Malva que aparecem/desaparecem do nada e têm uma participação mínima; a mãe de Rufa que beira à burrice ao ser completamente alheia ao que acontece ao seu redor; o assistente da antagonista, os quais juntos em um momento “formam” um casal extremamente bizarro; e ter que verbalizar o que acontece como, “estamos sendo perseguidos”, quando os personagens estão sendo perseguidos. Além disso, o trabalho consegue ser forçado mais ainda por depender de situações convenientes demais para poder dar seguimento à sua história, como, por exemplo,  a conversa de Rufa e Malva no telefone; o tempo estendido da avó de Malva no laboratório de Rufa para que a heroína possa ir a seu resgate; o aparecimento repentino de outro amigo de Malva da Firefly que a ajuda a voar; o fato de que Malva permanece observando sua mão do lado de fora do trailer apenas para que sua avó descubra algo escondido que tinha feito, assim como outras situações inverossímeis como, por exemplo, o fato de Malva conseguir fazer chover apenas com um pedido.

Bruxarias (Créditos: Galeria Distribuidora)

 

A linguagem utilizada também é um problema. Visando dialogar tanto com o infantil quanto adulto, o filme aposta em piadas e frases que possam ser entendidas por cada público e abranger o máximo de pessoas possíveis de diversas idades. Contudo, não consegue conversar com os dois ao mesmo tempo e tornar algo compreensível para todos como em Divertida Mente (2015). Por exemplo, em um momento Rufa faz uma piada mencionando o “Windows 95”. Obviamente será entendido pelos mais velhos, mas os pequenos não entenderão a referência. A infantilidade também e a ingenuidade de Malva – mesmo para a sua idade – é tamanha que infelizmente Bruxarias apenas atingirá uma faixa etária mínima: os que possuem no mínimo 10 anos irão ficar entediados e seus pais mais irritados ainda.

O que este longa tem de melhor, na realidade, é quando opõe e ressalta a natureza quando confrontadas com a tecnologia. Este último é sempre marcado por cores frias, sem vida, é mecânico e feito por robôs, enquanto o primeiro é abundante, colorido, e depende de nós mesmos para que possa funcionar – exigindo, para tanto, muita paciência e sabedoria. Esse contraste é visível, sendo maravilhoso observar como a protagonista aprende e passa a usar magia de forma responsável, e neste aspecto, ressalto o lindo passeio entre as flores e seu guarda-chuva. Porém, o longa ainda consegue falhar em sua mensagem central (que por sinal tem necessidade de ser dita ao final), pois ela não é nada explorada ou trabalhada em suas entrelinhas a sua crítica almejada em relação à tecnologia e como elas se correlacionam, tendo em vista que a trama se concentra no resgate e nada mais.

Bruxarias tinha um potencial em suas mãos, principalmente porque é tão importante que os mais jovens aprendam o mais cedo possível a função e o uso responsável dos aparatos eletrônicos. No entanto, é uma pena que seu público-alvo somente se limite a uma determinada faixa etária para ser apreciado.  

Por admin, 20 de junho de 2017
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