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Em Cinebiografia

Crítica: Bohemian Rhapsody (EUA, 2018)

  • 1 de novembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Bohemian Rhapsody (EUA, 2018)
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Dirigido por Bryan Singer. Roteirizado por Anthony McCarten. Elenco: Rami Malek, Lucy Boynton, Gwilym Lee, Ben Hardy, Joseph Mazzello, Aidan Gillen, Tom Hollander, Allen Leech, Mike Myers

Bohemian Rhapsody chega para contar e homenagear a história de vida de um dos maiores compositores de rock Freddie Mercury e da formação de uma das mais famosas bandas do mundo, Queen. Em uma abordagem cíclica, a narrativa começa e termina na performance do grupo para a causa Live Aid em 1985 no estádio Wembley de Londres, simbolizando toda uma vida dedicada à música e aos seus fãs.

A trajetória do cantor mostrada em tela gira indubitavelmente em torno de tudo isso. A música-título, além de outros sucessos mundiais como “Another One Bites the Dust” e “We Will Rock You” também compõem parte da trilha sonora, a qual em conjunto da presença inigualável de palco do vocalista incorporado pelo ator Rami Malek, garantem muita nostalgia e emoção aos fãs.

Apesar de ser uma experiência completamente agradável, Bohemian Rhapsody é também bastante formulaico e estereotipado, utilizando – ironicamente – de todas as convenções do cinema em sua narrativa para compor a história de uma das celebridades mais excêntricas do cenário musical e, assim, privando o espectador das nuances do desenvolvimento artístico de um músico excepcional.

Bohemian Rhapsody (Créditos: IMDb)

Dessa forma, o roteiro altamente elíptico descarta as dificuldades tanto do processo criativo  quanto da formação da banda. Logo após a entrada do vocalista, o grupo já tem nome, um produtor, um contrato de disco e já é sucesso nas rádios com uma legião de fãs. A criação das músicas icônicas, que poderiam ter sido melhor exploradas, dá espaço a conflitos pífios que nada agregam e apenas repetem a típica narrativa de um “gênio artista cujo estrelado lhe subiu a cabeça”. Além disso, o envolvimento com drogas é bastante repentino e pouco abordado, até que ao final Freddie se dá conta do estrago de seus atos e o efeito delas nas pessoas próximas debaixo da chuva.

A revelação da sexualidade do protagonista, em contrapartida, é relativamente bem construída. Pouco a pouco, Freddie se vê atraído por homens e, embora esse aspecto tenha sido pouco abordado em relação à forma como isso impactou seu relacionamento com Mary (Boynton), é possível perceber os impasses e as dificuldades de auto-aceitação. Por outro lado, lhe dá ao mesmo tempo contornos clichês, já que esse percurso é mostrado por meio das inúmeras festas que contradizem com a “vibe” do resto da banda, cujos demais integrantes possuem esposas e filhos.

O melhor atributo do longa, no entanto, está no excelente trabalho da maquiagem e figurino que não somente retrata com fidelidade os membros do Queen, e suas respectivas características físicas que os distinguem uns dos outros, mas também incorpora impecavelmente toda uma época de efervescência adolescente da década setentista.

Em suma, Bohemian Rhapsody é um legado muito bem intencionado de seu artista que ao mesmo tempo não assume os riscos necessários para a construção de sua lenda.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 1 de novembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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