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Crítica: Ben-Hur (EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por admin
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Crítica: Ben-Hur (EUA, 2016)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Nota: 2,0/5,0*   

Dirigido por Timur Bekmambetov, roteirizado por Keith R. Clarke e John Ridley. Baseado no romance escrito por Lew Wallace: Ben-Hur: A Tale of the Christ. Elenco com: Jack Huston, Toby Kebbell, Rodrigo Santoro, Nazanin Boniadi, Ayelet Zurer, Morgan Freeman, Haluk Bilginer.

Cabe esclarecer, primeiramente, que quando estamos falando de um remake, ou seja, uma refilmagem de uma versão original ou anterior é natural que as críticas sejam mais duras e as expectativas maiores, pois espera-se sempre algo diferente, inovador, até pela evolução das técnicas de filmagem e as novas tecnologias à disposição. Ainda, estamos falando de um filme que foi premiado com um Óscar em 11 (onze) categorias das suas 12 indicações – batendo o recorde de premiações para o mesmo filme na história – com uma super produção que virou um clássico do cinema. O nível é alto.

Porém, não nos cabe aqui traçar uma comparação entre a versão de Ben-Hur de 1959 e este a que ora me refiro. São duas obras diferentes e a versão atual será analisada como tal. Mesmo assim, em se tratando de um remake, convém identificar e analisar a essência do filme e sua temática central, para que possamos compreender em que extensão o filme superou ou não as expectativas do público e da crítica.

O filme começa na corrida de bigas. Temos o protagonista e o antagonista lado a lado com seus cavalos, correndo para o primeiro lugar. Na sequencia, a narrativa inicia um flashback, a fim de nos relatar o motivo da rivalidade. A história então relata a vida de Judah Ben-Hur (Houston), um príncipe que foi falsamente acusado de traição por seu irmão adotivo Messala (Kebbell), o qual se torna um oficial do exército romano, após fugir de sua casa por sentir rejeitado pela sua família. Como penalidade, Judah é forçado à escravidão. Depois de muitos anos, consumido pelo ódio, ele consegue escapar em busca de vingança.

Pois bem. Já sabemos de antemão que é um filme do gênero épico, eis que presenciamos eventos míticos ou históricos e de heroísmo em sua trama. O que é diferente na versão de 1959 é que ele trata este conceito e imagem de heroísmo de uma forma ambígua e distorcida. O herói não pratica sempre atos heroicos, e nem é o personagem com a maior moralidade da trama.

Analisando a versão atual, é possível perceber que ele tenta buscar uma identidade própria, ao mesmo tempo em que tenta inovar no roteiro com o material antigo. De fato, tinha um potencial enorme, pois foi muito investido.

No que o filme realmente acerta, é ao recriar perfeitamente os ambientes no qual estamos inseridos. Contudo, o roteiro fraco não ajudou na narrativa. Os diálogos têm seus momentos com algum conteúdo filosófico, mas pareceu simulado e às vezes brega. Ele tenta incorporar um pensamento mais moderno também, mas acaba perdendo qualquer sensação de autenticidade da época.

Em relação à atuação, nenhum dos atores interpretou seus personagens de forma excepcional. Como bem já sabemos, a trama é sobre uma busca por vingança e Jack Houston transmite tristeza, ao invés de raiva. Judah Ben-Hur ao ser transformado em escravo é retratado quase como um mártir do que alguém que sobrevive se alimentando pelo ódio. Nós não duvidamos do seu caráter, nem seu heroísmo é questionado.

Jesus (Santoro), que seria a ligação e a conexão de tudo, pois ele é a imagem do perdão, da redenção e da tolerância, é um personagem que ficou solto na história e não tem um desenvolvimento sólido. Em algumas cenas vemos muito rapidamente e muito breve sua trajetória. De repente, o terceiro ato é concluído (em um ritmo bastante acelerado) pelo seu personagem e isto ficou um pouco fora de contexto. É como se aquilo fosse colocado de última hora para concluir uma história que não tinha um final.

O único personagem que realmente conseguiu sobressair foi Messala interpretado maravilhosamente bem por Toby Kebbell. Quando Massala diz à Tirzah que: “terei que matar seu irmão”, quando sua declaração de amor é interrompida por Ben-Hur, é simplesmente de dar arrepios. Ele retratou perfeitamente sua indignação, sua força militar e sua dedicação ao Império Romano a cima de qualquer coisa. Mas até seu desfecho pareceu forçado. Ainda, a habilidade em conseguir demonstrar a frustração do personagem, em relação à falta de reconhecimento pela sua família adotiva como um membro dela se torna desequilibrada por uma construção narrativa que não dá suporte à sua revolta, pois ele não é completamente rejeitado.

A famosa corrida de bigas foi muito mal executada. As cenas são completamente computadorizas (uso exagerado de CGI em outras cenas também) ficando tudo muito artificial. Os movimentos de câmara tremidos e cortes rápidos impediram que se pudesse entender exatamente o que acontece nas cenas de ação.

 

Por fim, é notável que este filme deu mais ênfase em recriar um cenário dramático e de ação, mas falha na narrativa ao deixar de apresentar e desenvolver a questão central do filme: a vitória pela redenção do protagonista à Cristo, ou seja, pelo reconhecimento da moralidade cristã que constituí a essência de Ben-Hur.

Por admin, 14 de novembro de 2016
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