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Crítica: Assassin’s Creed (EUA, 2017)

  • 9 de janeiro de 2017
  • Por admin
  • 4 Comentários
Crítica: Assassin’s Creed (EUA, 2017)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Dirigido por Justin Kurzel. Roteirizado por Michael Lesslie, Adam Cooper, Bill Collage. Baseado no vídeo-game Assassin’s Creed por Ubisoft. Elenco: Michael Fassbender, Marion Cotillard, Jeremy Irons, Brendan Gleeson, Charlotte Rampling, Michael K. Williams.

Um dos maiores e mais bem-sucedido jogo de vídeo-game agora possui adaptação cinematográfica: Assassin’s Creed.

Em 1492, na Espanha, a história dá início em torno da vida de Aguilar (Fassbender), um dos membros de um grupo secreto denominados assassinos, que lutam para acabar com as opressões e a busca por poder de outra organização chamada Templário. Em seguida, em um flashforward, acompanhamos a reencarnação do ancestral em Callum Lynch (Fassbender), um menino que testemunha na sua infância a morte de sua mãe pelo seu pai, igualmente membro do grupo de assassinos. Na sequencia, em mais um flashforward, o acompanhamos já na fase adulta, prestes a ser executado em uma prisão por homicídio, sendo então resgatado pela Dra. Sofia Rikkin (Cotillard), uma cientista que o recruta para acabar com a violência no mundo.

Em uma referência ao que seria Matrix, Lynch é apresentado a um programa Animus que desperta sua memória genética, ou seja, a de Aguilar, com o intuito de achar uma “Maçã do Éden” (que não é uma maçã, e por sinal, o que ela faz realmente é um mistério que nunca é desvendado) que permite controlar os impulsos humanos agressivos (em outra referência à Laranja Mecânica) e, por conseguinte, atingir o tal objetivo almejado pelos cientistas. Acreditando estar ajudando a humanidade, Lynch aceita hesitante, mas percebe aos poucos as verdadeiras intenções por trás dessa operação.

Ao analisarmos a fundo, podemos notar apenas introduzindo a história desse filme, que o próprio personagem Lynch é raso. As elipses em flashforwads são dispersas, eis que se trata de um lapso temporal de 30 anos. São 30 anos que o roteiro não se preocupou em desenvolver ou responder questões, tais como: como o personagem acabou se tornando um assassino quando adulto; por que ele cometeu o homicídio, pelo qual foi condenado à pena de morte? O que faz dele para se tornar o “herói” que é construído na narrativa? Qual é o fator que desperta a empatia do espectador? Apesar de alguns pontuais diálogos expositivos, estes elementos nunca ficam claros. O mesmo acontece com a personagem de Sofia. Devo parabenizar os roteiristas ao menos por não tentarem elaborar um caso amoroso a partir dela, contudo, ela é retratada como uma pessoa que fica à mercê do pai.

Neste contexto, não podemos nem dizer que Dr. Rikkin (Irons) é um vilão atraente, já que passa maior parte do tempo esperando sua vez para ter algum destaque em tela, mas isto nunca acontece. Aliás, não sabemos as características mais básicas do personagem. Ele trabalha para o governo? Ele é político? Ele é cientista? Ele é as duas coisas?

A trama toda chega a níveis inexplicáveis, quando pouco a pouco descobrimos que a “clínica” onde Lynch se encontra, não somente pratica atos completamente desumanos que se assemelham à uma casa de torturas, mas é ainda pior quando o roteiro aponta ser um lugar rejeitado pelos seus outros “prisioneiros”, sendo que, mesmo assim, ninguém nunca ousou fazer alguma coisa acerca deste tipo de exploração. Consequentemente, o roteiro deixa também personagens interessantes como Moussa (Williams) unidimensionais. Isto sem contar uma aparição mágica de seu pai (Gleeson); ou então helicópteros que se deslocam de um país para o outro; ou ainda um padre que concede acesso a uma relíquia patrimonial com muita facilidade, entre outros. Além disto, a revelação da natureza dos verdadeiros motivos para a exploração da memória dos assassinos é completamente anticlimática, desprovida de reviravoltas inteligentes ou pelo menos conduzida pela narrativa dessa maneira.

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Michael Fassbender em Assassin’s Creed

Para não dizer que este filme é um completo desastre e que desperdiça os seus mais valiosos e talentosos atores, o maior destaque dele com certeza é a bela fotografia: iluminações perfeitas que realmente realçam o caráter heróico das cenas, as sombras e contrastes de uma Espanha do período Inquisitivo fazem o local ser característico pela torpeza desde o início da civilização, colocando, inclusive, a religião no seu centro. O que é de se louvar até certo ponto, já que a representação de uma corrompida Igreja Católica naquela época condiz com a sua realidade histórica, ao mesmo tempo em que faz uma denúncia ao desejo de poder que parece transcender a história da humanidade.

No entanto, o uso excessivo da tecnologia CGI artificializa muito as locações e o 3D não parece ter qualquer função narrativa.

Já a direção de Kurzel, por sua vez, é pouco eficiente nos planos aéreos que mapeiam as locações, já que a falta de criatividade o atinge em meio à narrativa, tornando muitos planos repetitivos demais, e, deste modo, entediantes demais. A edição é frenética nas cenas de ação e apesar de alguns bons enquadramentos que ressaltam o isolamento de Lynch em seu quarto, não há nada mais que torne o longa tecnicamente interessante. Ignora-se completamente, portanto, os aspectos que levam à uma eficiente tensão.

Dessa forma, o que seria de uma narrativa com potencial, o filme se comporta de maneira pretensiosa, assumindo seu roteiro como seu elemento mais importante. Ocorre que, ele é o centro dos problemas. A sua incoerência faz com que permaneça apenas boas intenções.

Assassin’s Creed seguramente fará jus aos seus fãs, mas não impede que sua superprodução se sustente apenas com uma mera introdução para inflar uma franquia.

Por admin, 9 de janeiro de 2017
  • 4
4 Comments
  • Pedro
    10 de janeiro de 2017

    Sua crítica demonstra que não conhece a franquia Assassin’s Creed. O filme tem excelentes atuações, cenários e as cenas de ação são de tirar o fôlego. Há detalhes que ressaltou que são auto explicativos: não há importância por que ele matou um cafetão; assassinato naquele estado podem ser punidos com pena de morte; ele sempre foi um assassino, devido a sua família e seu ancestral, não havia segurança dele crescer dentro do Credo já que seus pais eram os últimos a saberem – antes dos Templários buscarem os dados – que ele descendia o último asssassino que teve contado direto com a maçã do éden.

    Em resumo, não há por que você se manter falando de filmes de jogos que não joga para entender e poder passar essa ideia ao público.

    • Gabriella Tomasi
      10 de janeiro de 2017

      Pedro, obrigada pelo comentário.
      Respeito e muito sua opinião. Aliás, nunca afirmei meu conhecimento sobre o jogo.
      Minha crítica se resumiu em analisar como o longa foi feito. Alguns detalhes podem não ser importantes, mas são relevantes para um filme e seu desenvolvimento. (e assim, ser compreendido por aqueles que não o conhecem também)
      Bons filmes 🙂

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