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Crítica: Aquaman (EUA, 2018)

  • 17 de dezembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Aquaman (EUA, 2018)
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Dirigido por James Wan. Roteirizado por David Leslie Johnson-McGoldrick, Will Beall. Baseado no personagem de Mort Weisinger e Paul Norris. Elenco: Jason Momoa, Amber Heard, Willem Dafoe, Patrick Wilson, Dolph Lundgren, Yahya Abdul-Mateen II, Nicole Kidman, Temuera Morrison.

Para os fãs dos quadrinhos e do Universo Cinematográfico da DC Comics, Aquaman era a história solo de um herói bastante esperado em 2018. Após Mulher Maravilha (2017), Batman vs Superman (2016), Esquadrão Suicida (2016) e até mesmo as aventuras da Liga da Justiça (2017) podemos agora conhecer de perto uma nova saga sobre as origens do Rei das Águas.

Na trama, Arthur (Momoa) é persuadido por Mera (Heard) para evitar que o Mestre do Oceano (Wilson) entrave uma batalha entre o mar e a terra e tome conta inteiramente do Império de Atlantida. Ao mesmo tempo, Aquaman tenta lidar com o seu próprio passado, um amor proibido entre a rainha Atlanna (Kidman), sua mãe, e seu pai, o simples faroleiro Thomas (Morrison).

Em geral, houve uma grande evolução pela DC em relação ao design de produção e a fotografia. As cenas em que o protagonista chega pela primeira vez em Atlântida são maravilhosas, cheias de cores vivas e em neon para introduzir um novo mundo. Neste sentido, o roteiro aproveita bem o universo criado não somente para ressaltar a sua diversidade biológica, mas também por inseri-la dentro na narrativa, fazendo com o que a degradação ambiental realizada pelos humanos seja o discurso político de Orm e que motiva inclusive as retaliações naturais a que estamos acostumados a presenciar, como por exemplo, os tsunamis.

Outro aspecto bem interessante da trama é a participação mais ativa das personagens femininas, não somente pela mãe do protagonista, mas também por Mera, ainda que envolva o tão previsível relacionamento amoroso. Inclusive, a personagem é quem lidera e quem orienta os movimentos de Aquaman, gerando momentos cômicos, mas simbólicos sobre o fato de que ele pergunta o tempo todo à amada sobre o que fazer.

Aquaman (Créditos: IMDb)

Apesar dos pontos positivos, impossível não ignorar todo o resto dos elementos que inevitalmente enfraquecem a obra como um todo. Um deles é todo o argumento do próprio longa, de alguém que passa o filme inteiro negando sua responsabilidade perante todo um reino mesmo quando supera sua própria trajetória. E mesmo assim se torna um rei (?), guiado por terceiros sem nunca assumir nada para si, tornando algo positivo como o auxílio de Mera em algo negativo para a imagem de Aquaman.

Da mesma forma, todos os problemas íntimos e familiares que envolvem a jornada do protagonista parecem ser resolvidos em 5 minutos, mesmo quando os motivos desempenham um importante aspecto de sua própria narrativa, como por exemplo, o fato de Aquaman ser mestiço e os aspectos políticos que envolvem as escolhas de Atlanna e a forma como isso afetou seu outro filho. Isso sem qualquer amadurecimento gradual por parte de qualquer um dos personagens ou qualquer reflexão acerca das consequências de seus atos para todo um universo, cuja população sequer é considerada na equação.

Assim sendo, o desenvolvimento de todos os elementos dramáticos e seus resultados opera com tamanha simplicidade para um filme que possui um pouco mais de duas horas de duração, fazendo com que o tempo valioso do espectador seja desperdiçado. Isso porque a sua história é tão engessada, repleta de subtramas, rivais e aliados, que nada é aproveitado devidamente. Como exemplo, nem a sua diversidade de seres novos, como abordados pela equipe visual têm alguma explicação ou aprofundamento narrativo. Em outras palavras, quando Orm tenta assumir pra si o controle do Oceano, somos abruptamente apresentados a  novas espécies que jamais se tornam preocupação do seu roteiro. Além disso, nem a própria reputação do protagonista, ou o conceito de “traição” exaustivamente invocado parece ter algum desfecho na trama.

Em contrapartida, Wan tenta, como diretor, trazer uma dinamicidade às cenas, principalmente àquelas de ação e em alguns momentos consegue extrair cenas interessantes, como os plano-sequencias das lutas, ou então a fuga de Mera e Arthur de criaturas subaquáticas que revelam um abismo deslumbrante. Por outro lado tudo é banalizado, gerando qualquer impacto maior no seu público, causado também por uma trilha sonora completamente desorganizada, que altera arranjos e composições de forma aleatória.

Aquaman é, portanto, uma bagunça que nunca coloca os pingos nos seus “i’s”. É uma trama extremamente individual para uma jornada que se revela justamente o oposto disto, já que presenciamos tantas outras vidas em jogo, tanto na terra quanto no mar.

Por Gabriella Tomasi, 17 de dezembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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