Voltar para Página principal
Em Terror

Crítica: Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, EUA, 2017)

  • 17 de agosto de 2017
  • Por admin
  • 0 Comentários
Crítica: Annabelle 2: A Criação do Mal (Annabelle: Creation, EUA, 2017)
Rating: 2.0. From 1 vote.
Please wait...

Direção por David F. Sandberg. Roteiro por Gary Dauberman. Elenco: Stephanie Sigman, Talitha Bateman, Lulu Wilson, Philippa Coulthard, Grace Fulton, Lou Lou Safran, Samara Lee, Taylor Buck, Anthony LaPaglia, Miranda Otto.

Annabelle é uma boneca que desde o começo despertou a atenção de muitos espectadores e conquistou vários fãs, principalmente porque a antagonista é baseada em fatos verdadeiros, ou seja, um espírito que fora objeto de investigação pelos especialistas em fenômenos sobrenaturais Ed e Lorraine Warren. O potencial para um bom filme de terror estava diante dos realizadores. Com o tempo, ficou visível a expansão desse universo paranormal que a franquia tenta montar com a estréia de Invocação do Mal em 2013, Annabelle em 2014 e posteriormente Invocação do Mal 2.

A história começa com um casal Esther (Otto) e Samuel (LaPaglia) Mullins, este um bem sucedido no ramo de confecções de bonecas, cuja filha “Bee” (Lee) morreu tragicamente em um acidente. Doze anos depois, para preencher o vazio deixado na casa por ela, eles acolhem meninas de um orfanato da igreja cristã por um tempo, até que uma delas, Janice (Bateman) encontra a boneca Annabelle. Neste sentido, o filme é muito competente em amarrar as pontas e conectar todos esses filmes acima mencionados, criando uma cronológica palpável. Pequenos detalhes são maravilhosos e nos ajudam a nos aproximar da trama, como, por exemplo, os bilhetinhos deixados pela garotinha em uma brincadeira com o pai, o esconderijo atrás da cortina, a marca “Mullins” e uma breve aparição da freira por meio de grandes efeitos especiais. Contudo, o que acontece é que a narrativa cada vez mais perde força quando identificamos não somente os elementos mais clichês e previsíveis do gênero, mas também quando notamos que eles todos se repetem a exaustão.

O filme tem alguns momentos muito chocantes no início, devo confessar, principalmente aquele envolvendo Janice e seu interesse pela filha dos Mullins. Mas a narrativa recorre muito a escolhas desgastadas, como a “menina que entra aonde não deveria entrar mesmo quando é avisada”; ou “a menina que não deveria olhar e olha”; ou “a menina que ouve um barulho e vai atrás dele para descobrir o que é”; “as meninas que tiram sarro das histórias de monstros e se dão mal”; e também a utilização constantemente de luzes piscando, jump scares (os sustos repentinos), portas rangendo e barulho de sapatos no assoalho de madeira, além de movimentos de câmera muito óbvios (como os travellings direcionados ao escuro ou que acompanha de frente a trajetória de um personagem), os quais apenas pela posição do aparato já conseguimos prever o que acontece em seguida. Alguns são até eficientes, por exemplo, a cadeira que a Janice usa para subir e descer a escada, em razão de uma deficiência física. Porém, o fato de que todos esses elementos mencionados são usados diversas vezes e da mesma forma, não só demonstra uma extrema falta de capacidade da direção em trabalhar o sentimento de tensão do suspense – já que os sustos apenas possuem um efeito momentâneo e não duradouro no espectador – mas também pela incrível falta de criatividade em ao menos desenvolver elementos diferentes.

Annabelle 2: A Criação do Mal (Créditos: Warner Bros.)

Annabelle, a boneca do mal, não é nada trabalhada aqui. Se um filme é sobre a origem de algo, esta origem deve ser explorada, no caso, o fenômeno paranormal que envolve o surgimento dela. Todavia, isso não acontece, além de nunca sabermos o que realmente ela quer ou almeja, ou se ela é de fato a Annabelle ou outro espírito qualquer que imita a aparência humana dela. Não podemos nem auferir o que qualquer um dos demais personagens busca. É uma briga de gato-rato sem explicação ou motivação alguma seguida de atitudes surreais de cada um deles, o que faz inclusive a questionar se eles não se colocaram propositalmente na situação em que se encontram.

Outro equívoco magistral neste longa é o fato de que podemos ver a criatura de corpo inteiro praticamente, andando e até pendurado na parede. Um erro que, após a primeira sequencia de Annabelle e, ainda, faz questão de aparecer em outros filmes como Alien: Convenant, volta a acontecer sem a menor necessidade. Há uma expectativa dos realizadores de que a audiência sinta medo ou chocada pela aparência física demoníaca do antagonista, mas esquece-se, ao invés disso, de trabalhar a tensão de fenômenos invisíveis ao olho nu, o que é muito eficiente. Portanto, em Annabelle 2, já que a câmera nos mostra tudo o que acontece com os personagens, mesmo que estes não o saibam, gradualmente paramos de nos importar com o destino deles, porquanto é tudo muito evidente e óbvio. A surpresa e a genialidade da narrativa permanecem exclusivamente muito mais em razão de como a história se conecta com os demais filmes, do que o filme em si.

Em suma, Annabelle 2: A Criação do Mal é uma tremenda perda de tempo.

Observação: Não saiam da sessão! Há cenas adicionais pós-créditos

Por admin, 17 de agosto de 2017
Crítica: 1922 (EUA, 2017)
Dica Netflix: A Babá (2017)
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
Advertisement
Siga-nos
Newsletter
Receba nossas Novidades
Encontre-nos no instagram

@iconedocinema