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Em Terror

Crítica: Amityville: O Despertar (Amityville: The Awakening, EUA, 2017)

  • 14 de setembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: Amityville: O Despertar (Amityville: The Awakening, EUA, 2017)
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Dirigido e roteirizado por Franck Khalfoun. Elenco: Bella Thorne, Cameron Monaghan, Jennifer Jason Leigh, Jennifer Morrison, Kurtwood Smith, Thomas Mann, Mckenna Grace, Taylor Spreitler.

Amityville é uma vila pertencente à cidade de Babylon nos Estados Unidos, onde em um bairro tranquilo de um típico subúrbio americano aconteceu um assassinato em uma de suas residências: o filho mais velho da família DeFeo, Ronald Jr, matou os seus pais e todos os seus irmãos com uma espingarda durante a noite.  Como sabemos, o caso se tornou notório por ter inspirado a publicação de um livro e posteriormente ganhou uma série de adaptações cinematográficas e telefilmes, dezoito para ser exata. No entanto, durante todas essas décadas desde sua primeira versão lá em 1979, nenhum trabalho realmente se destacou. Nenhum diretor conseguiu desenvolver apropriadamente uma obra ficcional que faça jus à sua história real. Embora o sucesso de bilheteria, o mesmo prestígio não foi concedido pela crítica. A versão ora realizada pelo francês Khalfoun, em contrapartida, consegue acertar em muitos aspectos, mas não foi o suficiente para ser uma curva fora da linha reta e, inclusive, recorre aos mesmos erros de linguagem que seus antecessores.

A história acontece quarenta anos após a tragédia verídica. O tom documental prevalece para rapidamente nos familiarizar com o caso de Ronald e as suspeitas de uma interferência paranormal pelo o ocorrido para, posteriormente, chegar à trama principal. Nela, Joan (Leigh) e suas filhas Belle (Thorne) e Juliet (Grace) se mudam para a casa mal-assombrada. Com a mudança, a matriarca espera que seu outro filho James (Monaghan) – que se encontra em estado vegetativo devido à morte cerebral –  possa se recuperar, enquanto conta com a ajuda de sua irmã Candice (Morrison), agora vizinha da família. Até que, obviamente, fenômenos estranhos passam a acontecer, especialmente envolvendo uma recuperação rápida e milagrosa de James.

Khalfoun possui algumas inteligentes e grandes escolhas que enriquecem a narrativa como, por exemplo, o recurso metalingüístico ao dialogar a lenda urbana desenvolvida no cinema com a sua própria trama quando Belle e seus amigos decidem, dentre as tantas versões, assistir ao filme original de 1979 e, da mesma forma, é quando a protagonista descobre o “quarto vermelho”, para ao final concluir pela atividade cíclica da entidade maligna. Esses detalhes de certa maneira se prestaram para mover a história, eis que as suspeitas de algo incomum na casa crescem cada vez mais. Outros pontos são bastante significativos, por exemplo, a grandiosa casa branca com a porta vermelha em um tom em vinho tinto que representa efetivamente a sua inocência por fora, mas quando passamos da porta para dentro é quando estamos mais em perigo, o que se torna ainda mais simbólico quando o “quarto vermelho” é banhado em tons brilhantes e vivos como se essa ameaça estivesse mais próxima e mais fatal ainda.

Amityville: O Despertar

Contudo, as qualidades não ultrapassam essa esfera de ambientação da trama, pois o roteiro não consegue se desprender dos elementos mais clichês, genéricos e ultrapassados do gênero na sua história. É o cachorro que morre; a família desestruturada; as luzes que piscam e simplesmente apagam; o porão assustador; a caçula ingênua que tem uma sensibilidade para espíritos; as portas e o piso que rangem; os sustos gratuitos (jump scares) apenas para enganar o espectador; a filha rebelde e o filho preferido; –  só para nomear alguns. E nada ajuda com a (previsível) trilha sonora pesada composta por violinos e pianos, cujas notas apenas crescem nas situações de perigo ou violência. Na realidade, o trabalho do cineasta tem ideias muito boas e sérias que seriam interessantes de discutir ao sugerir um possível conluio entre a entidade e Joan, o que inclusive possibilita levantar questões sobre fé ou crença, ou também a eutanásia e o questionamento do quanto podemos persistir na luta contra a morte. A relação entre o que é real e o que é imaginário parece por vezes direcionar ao tom fantástico quando também sugere uma possível perda gradual de insanidade ocasionada nos personagens pelos eventos sobrenaturais, como os tantos pesadelos de Belle e a imagem que ela passa a ter de sua mãe. Porém, nada destas questões sequer são aprofundadas para dar algum peso à trama, e, ao invés disso, concede espaço a situações risíveis que são repetidas à exaustão. Em outras palavras, as ideias são lançadas em tela, mas nunca permanecem para que se leve algo para fora do cinema após os créditos finais. Khalfoun abandona todos esses conceitos no meio do caminho para fazer mais um de tantos filmes de terror que estamos cansados de ver.

Há, ainda, momentos que, por terem sido executados de forma inexplicavelmente apressada, prejudica até mesmo a sua coesão, como por exemplo, a repentina amizade dos colegas de classe de Belle, a revelação de um segredo da protagonista evitado até certo ponto da narrativa e somente enfrentado por necessidade do roteiro – um monólogo, por sinal, que dura menos de cinco minutos e tem uma resolução bem fácil – ou a presença extremamente fora de contexto (embora faça referência à versão original) de Candice na casa da irmã em meio às três horas da madrugada e; para completar, um ataque perdido de moscas ao médico de James. Tudo isso apenas desperdiça um ótimo potencial.

Para os fãs de Amityville: O Despertar, infelizmente não há nada original a acrescentar em uma franquia que já se encontra há anos desgastada, fazendo indagar o motivo para insistirem tanto na mesmíssima história.

Como brilhantemente se diz: “os remakes são os piores”.

Por admin, 14 de setembro de 2017
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