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Em Terror

Crítica: Alien: Covenant (EUA/Reino Unido, 2017)

  • 10 de maio de 2017
  • Por admin
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Crítica: Alien: Covenant (EUA/Reino Unido, 2017)
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Direção por Ridley Scott. Roteiro por John Logan. Elenco: Michael Fassbender, Katherine Waterston, Billy Crudup, Danny McBride, Demián Bichir, Nathaniel Dean, Amy Seimetz, James Franco.

O diretor Werner Herzog certa vez disse que nunca usaria em seus filmes qualquer tipo de efeitos especiais, pois essa técnica já tão acostumada por todos “trai” ou “engana” os olhos do espectador de tal forma a incapacitá-lo para qualquer senso mais próximo da realidade. Complementando seu raciocínio, afirmou que se pudesse atualmente, faria de novo um navio subir uma montanha tal como fez em seu clássico Fitzcarraldo (1982) sem o auxílio digital. Neste contexto, Alien – um dos maiores vilões do espaço – originalmente foi projetado e arquitetado sem qualquer efeito (o que é de se surpreender considerando o quão aterrorizante a criatura era), realizado a partir de uma visão ilustrativa do artista plástico Hans Rudolf Giger. E muito embora o CGI tenha favorecido a indústria cinematográfica, o novo xenomorfo que aqui vemos ao longo dos anos se distancia cada vez mais da sua verossimilhança e realmente produz o mesmo efeito no espectador que o cineasta alemão previu.

Porque o medo do que era sugerido em tela trabalhado lá em 1979, era o de personagens transmitindo um olhar de terror para o seu contra-campo (e imprimindo o suspense para o que não vemos em tela), alguns dos toques usados outrora para maquiar essa ausência da tecnologia avançada, como também o fizeram outros cineastas. Mas convenhamos que era muito mais eficiente deixar por conta de nossa imaginação o terror pelo desconhecido não é mesmo? Não é à toa, portanto, que Alien: O Oitavo Passageiro e o clássico Tubarão, por exemplo, se apropriaram dessa premissa e revolucionaram o gênero do terror. Mas aí temos a tecnologia que não havia antes e a preguiça aumentou. Em Alien: Convenant vemos o antagonista de corpo inteiro, uma criatura risível que se comporta como um “homem-aranha” às vezes (longe de ser um elogio), cujos movimentos podemos observar de perto e, assim, antever todo seu comportamento e saber quem será sua próxima vítima, criando aquele suspense barato, previsível e clichê de sempre.

Mas quem dera esse fosse o único problema deste longa. Aliás, a presença física do vilão é só mais um dos elementos que vai à contra-mão de (literalmente) tudo o que havia sido trabalhado no decorrer de trinta e oito anos de existência desde a sua primeira sequencia e o que posteriormente James Cameron lutou tanto para manter na segunda, para então  presenciarmos anos mais tarde personagens que possuem ações absurdas e infantis para o currículo que possuem, cenas de ações incompreensíveis pela sua constante câmera tremida e também pela sua fotografia monocromática sem vida que é muito cansativa de ver. Ainda, conta com um roteiro que tira inteiramente o foco principal de sua trama, porque se em Alien: O Oitavo Passageiro ou até mesmo Aliens: O Resgate lidavam com as próprias criaturas, aqui a discussão diverge para outro lado completamente diferente: a preocupação agora é estudar a criação da humanidade, onde o centro de toda dramatização é o andróide David (Fassbender). Em outras palavras, se nas versões antigas o xenomorfo era o fim, aqui ele aparenta ser apenas um meio para outro fim.

Diversas vezes, portanto, me perguntei quem realmente era a “alien-mãe” (vide Aliens: O Regaste) ou o verdadeiro vilão de todos por trás das atrocidades que o clássico xenomorfo perpetua? Muito embora o ser humano sintético possuir complexidade e questões válidas de serem exploradas, o próprio alienígena fica ofuscado em meio à essa briga de filosofias existenciais, incluindo neste ponto a disputa entre David e seu “irmão” Walter (também interpretado por Fassbender). Neste contexto, nada abordado em Prometheus tem respostas satisfatórias que buscávamos, e tampouco faz qualquer ligação efetiva com Alien: O Oitava Passageiro para justificar a história de sua “continuação”.

 

Alien: Convenant (Créditos: IMDb)

 

É uma pena que nem os personagens destra trama nós conseguimos nos aproximar ou identificar para que possamos nos importar com o destino que assumem. Sequer a função de cada dos membros da equipe na nave nós aprendemos, ou quem forma o casal com quem (muitas vezes somente nos damos conta quando conveniente para o roteiro – luto ou morte), e a relação de uma amizade entre eles também é muito pouco abordada. A “nova” versão de Ripley, Daniels (Waterston), por sua vez, tampouco é o elemento que o longa merece se vangloriar, pois aqui a personagem muito mais reage às situações lhe apresentadas, do que uma narrativa que efetivamente trabalha a mise-en-scène para dar espaço à ascensão de seu protagonismo (e heroísmo), como o personagem de Weaver fora abordado.

Scott em uma entrevista afirmou que esta sequencia agradaria muito aos fãs pela familiaridade dos elementos que os conectam com as versões clássicas e de fato temos algumas auto-referências maravilhosas que surtirão esse efeito. Nós temos um aparato mecânico na nave Convenant que nos remete à mão mecânica no confronto final em Aliens: O Resgate; um beijo que possui a mesma conotação que a cena da revista na boca de Ripley pelo sintético Ash em Alien: O Oitavo Passageiro, por exemplo.

Mas infelizmente as semelhanças com o passado e as inovações do presente trazidas para a franquia não contribuem ou fazem jus ou trazem qualquer coerência à premissa ou o argumento do próprio universo criado.

E ainda se tratando de um diretor tão capaz de fazer grandes momentos e executar clássicos obrigatórios a qualquer cinéfilo, é bastante frustrante ver um trabalho tão aquém de seu potencial.

Alien: Convenant portanto é o resultado de uma mediana continuação a Prometheus, mas que infelizmente não tem qualquer relação com as subseqüentes obras da franquia.

Por admin, 10 de maio de 2017
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Sobre mim
Gabriella Tomasi
Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. Tradutora e revisora freelance de textos.
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