Voltar para Página principal
Em Romance, Suspense

Crítica: Aliados (Allied, EUA, 2017)

  • 15 de fevereiro de 2017
  • Por admin
  • 2 Comentários
Crítica: Aliados (Allied, EUA, 2017)
Rating: 2.0. From 1 vote.
Please wait...

Dirigido por Robert Zemeckis. Roteiro por Steven Knight. Elenco: Brad Pitt, Marion Cotillard, Jared Harris, Simon McBurney, Lizzy Caplan, Matthew Goode.

Aliados é um filme que se passa durante a Segunda Guerra Mundial, em 1942. Na extensão francesa de Marrocos, em Casablanca, o canadense Max Vatan (Pitt) se junta com sua parceira da resistência francesa, a espiã Marianne Beauséjour (Cotillard) para se passarem por casados e desviar a atenção de sua verdadeira missão: assassinar o embaixador alemão. Como é de se esperar, ambos se apaixonam nesse meio tempo. Posteriormente, com o sucesso do cumprimento da tarefa que lhes foi incumbida, eles se casam, se mudam para Londres e tem uma filha Anna.

No entanto, Max é convocado novamente e informado de que sua esposa poderia estar trabalhando para os nazistas, como espiã, vazando informações confidenciais militares britânicas, cujo teste em andamento serviria para comprovar a suspeita em 72 horas. Caso esta fosse confirmada, Max teria que matá-la com suas próprias mãos, senão, ambos seriam executados. Assim, o protagonista tenta provar a inocência de sua amada.

O problema é que este era um filme que poderia ter sido muito mais do que realmente é e é muito menos do que a publicidade vende. Toda a introdução anteriormente feita no presente texto infelizmente consome quase metade da duração do filme. Saliento que não se tratam de spoilers em nenhum momento, já que o relato é exatamente o que se passa durante os trailers.

Contendo problemas técnicos e narrativos desde o começo, o filme evidentemente intenciona ser um épico de guerra, porém, os cenários executados para recriar Casablanca são extremamente artificiais, com um uso exagerado do CGI que acaba em nada reverenciando aquele clássico filme estrelado por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman. A fotografia em tons pastéis muito vivos e iluminação clara também prejudicam e ressaltam ainda mais aos olhos do espectador a ausência de naturalidade das locações.

Marion Cottillard e Brad Pitt em Aliados (Foto por IMDb)

Nesta primeira parte, também tenta-se a criação de um ambiente noir, quando Marianne oscila entre o real e o ficcional afirmando: “Eu mantenho as emoções reais. É por isso que funciona”, o que denota desde o começo uma certa ambigüidade em sua personalidade, e, por conseguinte, tornando-a intrigante. A atuação forte de Cottillard contribui bastante para isso. E mesmo se em seus papeis individuais os atores se saiam relativamente bem, fato é que é difícil acreditar em uma relação amorosa pela total falta de química entre os personagens principais, sendo o único momento louvável uma linda cena filmada durante uma tempestade de areia que concretiza o simbolismo de todo o relacionamento que ali se constrói.

Na segunda parte, a partir do momento em que o filme nos transporta a Londres e, portanto, ao casamento dos personagens principais, a trama falha em preencher os lapsos temporais em um flashforward de três anos que cria, não sendo bem sucedido em garantir a fluidez da continuidade de sua história, atribuindo um efeito fragmentado e quase episódico de sua narrativa, o que faz difícil, por exemplo, consolidar o casamento e o amor entre eles. Redirecionando, então, a trama para o suspense, Max desconfia e de sua mulher e, ao mesmo tempo, tenta provar que a acusação é falsa. Em uma inspiração clara aos filmes de Hitchcock como Interlúdio e Suspeita, a direção Zemeckis (o responsável pelo clássico Forrest Gump) se concentra nas emoções e conflitos internos de Vatan, como por exemplo, o primeiríssimo plano em seu rosto enquanto observa o braço de Marienne de longe desligando um abajur. Entretanto, infelizmente o diretor falha ao mesmo tempo em não lhe conferir urgência, vida, intensidade, claustrofobia nos planos que executa, ou ainda mais a ausência daquela sensação de corrida contra o tempo que se estabelece nas 72 horas concedida.

O roteiro de Knight, por sua vez, se desenvolve de maneira lenta e preguiçosa, na medida em que transforma Marianne em um mero objeto de preocupação para Max, tirando toda a intriga e mistério que sua esposa inicialmente tinha, a fim de intensificar as suspeitas. Sem qualquer desenvolvimento apropriado de sua personagem, a figura feminina deixa mais perguntas do que respostas ao final. Ademais, o seu próprio desfecho recorre a revelações sem sentido, soluções absurdamente fáceis e cenas completamente anticlimáticas e previsíveis, perdendo, deste modo, completamente o ritmo ao quase remediar tudo o que foi feito anteriormente.

Indicado ao Óscar de 2017 em uma única categoria, qual seja, a de figurino, prova-se que esta obra nada mais é do que roupas e acessórios maravilhosos e impecáveis que se tornam praticamente a distração e a beleza do filme.

Aliados é um filme pouco memorável.

Por admin, 15 de fevereiro de 2017
  • 2
2 Comments
Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema