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Em Terror

Crítica: Águas Rasas (The Shallows, EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Águas Rasas (The Shallows, EUA, 2016)
Rating: 3.0. From 1 vote.
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Nota: 3,5/5,0*   

Dirigido por Jaume Collet-Serra e roteirizado por Anthony Jaswinski. Elenco com Blake Lively, Óscar Jaenada, Brett Cullen, Sedona Legge, Angelo José Lozano Corzo, José Manuel Trujillo Salas.

Nancy (Lively) é uma estudante de medicina. Tentando lidar com a recente perda de sua mãe, ela viaja até uma praia isolada no México, onde sua mãe uma vez esteve no local quando estava grávida dela. No entanto, ela acaba sendo atacada por um tubarão, precisando encontrar forças para sobreviver e encontrar ajuda.

A história é basicamente isto. A narrativa, na realidade, se concentra na luta contra as forças da natureza, contra um animal instintivo e ao mesmo tempo inteligente. É uma luta também contra o frio, a fome, ou seja, é uma história de sobrevivência.

O que não ajuda é que o roteiro criou uma dramaticidade exagerada quando tenta desenvolver os conflitos pessoais e o período de luto da morte da mãe da protagonista, talvez porque o objetivo fosse para que haja mais complexidade na trama. Porém, ficou um elemento completamente descartável.

Além disso, outro pecado que o filme cometeu é tratar a personagem de Nancy como a imagem estereotipada da surfista californiana, com biquíni de cores chamativas, pele bronzeada e trancinha no cabelo, mas, na verdade, ela é uma menina do Texas sem sequer ter o sotaque regional. Essa diferença ficou gritante. O tubarão, por sua vez, é apresentado ao espectador de uma forma bastante clássica: são apenas alguns fragmentos dele que vemos, que servem para construir uma narrativa voltada para o medo fatal do invisível. No entanto, quando vemos a criatura por inteiro ela é nada convincente parecendo até artificial.

Ainda assim, é um filme que funcionou bem como suspense, mas não como terror como foi classificado. São poucos os momentos aonde a narrativa provoca sustos, mas a tensão do suspense sempre está lá. E isto se deu muito em razão da trilha de Marco Beltrami, que consegue nos manter neste estado uma boa parte do tempo, principalmente, nas cenas quando a trilha é abafada pelo mergulho da câmara na água, criando um efeito sensacional.

O maior destaque está na direção de Collet-Serra e na fotografia de Flavio Labiano. As movimentações de câmara foram muito bem pensadas e bem executadas. O foco utilizado demonstrou bem o ponto de vista da protagonista para a grande distância de sua localização até a praia; os ângulos plongée para a imensa extensão do mar e o isolamento da protagonista. Na narrativa, os travellings circulares, junto com as reações em primeiríssimo plano de Nancy representaram perfeitamente o estado de choque, o perigo e o risco de vida. A utilização de elipses, somente nos mostrando o horror em sua face em close-up ao presenciar um ataque de tubarão foi ótima. A atuação de Lively é convincente e preenche este lapso muito bem.

Ainda, a forma como as conversas entre a família e a Nancy via mensagem ou facetime foi colocada em tela foi realmente inovadora. É um jogo de imagens que se comportam como se fosse uma conversa mostrada em plano e contra-plano convencional: nós vemos Nancy utilizando seu celular ao mesmo tempo em que é nos mostrado o que ela está vendo.

Assim, o resultado é um filme extremamente simples em sua história, mas se torna complexo na sua execução, eis que utiliza vários recursos visuais de uma maneira inteligente, tornando-o um belíssimo trabalho.

Por Gabriella Tomasi, 14 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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