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Em Comédia

Crítica: Acertando o Passo (Finding Your Feet, Reino Unido, 2018)

  • 22 de maio de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: Acertando o Passo (Finding Your Feet, Reino Unido, 2018)
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Dirigido por Richard Loncraine. Roteirizado por Nick Moorcroft, Meg Leonard. Elenco: Imelda Staunton, Timothy Spall, Celia Imrie, Joanna Lumley, David Hayman, John Sessions, Josie Lawrence.

Acertando o Passo inicia seu conflito logo em seus minutos iniciais quando Sandra (Stauton), uma mulher de meia idade, aristocrata inglesa e casada há 35 anos, descobre a infidelidade de seu marido Mike (Sessions) com sua melhor amiga. E se não bastasse esta terrível e abrupta notícia, ela é forçada a se mudar de sua casa, já que ele quer tentar um relacionamento com a amante. Assim sendo, a protagonista encontra refúgio no apartamento de sua excêntrica irmã Bif (Imrie), com a qual não mantinha contato há anos.

Cheio de boas intenções, este é um longa que literalmente emula os passos das comédias românticas e suas fórmulas. Em outras palavras, tudo o que envolve a narrativa de superação de Sandra não é nada novidade, principalmente para quem gosta do gênero. Basicamente, trata-se da reaproximação da protagonista com suas velhas raízes, da saída da típica vida frívola da primeira classe para experimentar uma vida livre com muita dança, música, cor e maconha, e, ainda com direito a fugas inconseqüentes da polícia. Todavia, ele também comete os mesmos erros tão comuns ao mesmo tipo de narrativa, como os inexplicáveis atrasos que fazem a atriz correr pelas cidades de Roma e Londres. Isso sem mencionar o já previsível desfecho não somente de sua própria história, mas também pelo próprio rumo da relação assumida pelo seu então ex-marido.

Acertando o Passo (Créditos: IMDb)

O problema é que esse tipo de abordagem que repete fórmulas usadas tantas vezes, acaba inevitavelmente tornando algumas atitudes de personagens muito forçadas e pouco críveis dependendo da situação, como por exemplo, a repressão imotivada de Mike quando vê Sandra dançando com o neto, além de uma relação quase inexistente entre mãe e sua filha, já que é pouco dada atenção.

Se por um lado isso se resume em um descontraído e despretensioso filme que em muito se pauta no desapego em relação às coisas fúteis da vida para se pregar o que é realmente relevante, por outro ele falha bastante em seus temas mais delicados, como o adultério, o câncer ou então o fato de que um potencial interesse amoroso de Sandra tem uma esposa já institucionalizada com níveis avançados de Alzheimer. A carga dramática desenvolvida ao longo da narrativa, portanto, parece estar em desnível com a seriedade desses assuntos tão comuns à idade aqui representada, já que se priorizam muito mais para o romance idealizado dos personagens de Sandra e Charlie (Spall) do que acontece simultaneamente na realidade ao redor deles.

Acertando o Passo é, em suma, um filme bastante leve e formulaico que poderá entreter seu espectador. No entanto, não é memorável.

Por Gabriella Tomasi, 22 de maio de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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