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Em Terror

Crítica: A Primeira Noite de Crime (The First Purge, EUA, 2018)

  • 1 de outubro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: A Primeira Noite de Crime (The First Purge, EUA, 2018)
Rating: 2.0. From 1 vote.
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Dirigido por Gerard McMurray. Roteirizado por James DeMonaco. Elenco: Y’Lan Noel, Lex Scott Davis, Joivan Wade, Luna Lauren Velez, Marisa Tomei, Mugga, Christian Robinson, Kristen Solis, Patch Darragh, Maria Rivera, Chyna Layne, Melonie Diaz, Mo McRae, Steve Harris, Rotimi Paul

A Primeira Noite de Crime é a pré-sequencia da franquia Noite de Crime iniciada em 2013, em que contava com Ethan Hawke no elenco principal. Assim sendo, no ano de 2018, testemunhamos como essa história de terror começou.

 O longa é extremamente interessante em sua composição técnica, principalmente na direção de fotografia. Situado na periferia estadunidense de Staten Island (distrito de Nova York), acompanhamos a história de uma pequena comunidade que está sentindo as mudanças de um governo que se diz revolucionário, prometendo acabar com as desigualdades e crises nacionais. O partido New Founding Fathers of America, em referência aos que fundaram os Estados Unidos enquanto entidade política, oferece uma alternativa para diminuir a violência no país, qual seja, um experimento para que as pessoas possam fazer o que quiser, inclusive cometer crimes, uma vez ao ano.

Neste contexto, é admirável notar como as cores fora utilizadas para ambientar esse clima de terror. As cores naturais, mas opacas da periferia denotam um realismo, que acaba mostrando diferentes facetas como o vermelho brilhante que ilumina os sinais de alerta do começo do experimento, em uma clara intenção em anunciar a violência; as fumaças e cores em tonalidades de verde para ressaltar o ambiente destrutivo; as lentes de contato em azul brilhante que não somente serviram para detectar inimizades, mas também é uma clara referência tecnológica de Black Mirror; além da escuridão que cria um contraste maravilhoso com a luminosidade principalmente nos momentos finais do longa em que um dos personagens entra num jogo de perseguição dentro de um edifício.

O tom verde da fotografia simboliza o ambiente destrutivo em A Primeira Noite de Crime (Créditos: IMDb)

Apesar de bem executado, o mesmo não podemos falar do seu roteiro, o qual utiliza praticamente todos os clichês e estereótipos existentes no mundo cinematográfico para abordar um tema tão delicado como a organização criminal e os negros. Isto porque a motivação do amor, os ideais norte-americanos entre outros aspectos suavizam a dramaticidade da obra, a torna muito menos impactante para um problema tão sério, como o racismo no centro da tortura perpetrada pelo governo. Neste sentido, nem a presença de fantasias da Ku Klux Klan teve uma importância simbólica maior narrativa, quando poderia ter sido melhor explorada.

Da mesma forma, os personagens são tão mal desenvolvidos que é impossível identificar a motivação por trás de cada um deles, como, por exemplo, a cientista e psicóloga Dra. May Updale (Tomei), a qual muda de opinião abruptamente sobre um plano que ela mesma ajudou a arquitetar. Outros personagens que poderiam ter contribuído para uma discussão aprofundada a respeito da criminalidade como o Esqueleto (Paul) e o próprio Dmitri (Noel) são deixados de lado para desenvolver uma imagem heróica que ofusca por inteiro a atividade ilícita praticada por eles antes.

Claro, existe um debate acerca da completa ausência de limites que a política usa sobre os cidadãos para garantir resultados, manipular a população e propagar e manter certas ideologias e pessoas no poder, mas tudo isso é acompanhado com diálogos fracos e expositivos que não esclarecem ou impactam de fato a experiência do espectador. A história, portanto, se torna previsível e entediante.

Em suma, A Primeira Noite de Crime poderia ter sido um longa diferente que nos faz pensar sobre nossa sociedade, ao invés de se preocupar demais em repetir fórmulas já batidas.

Texto originalmente publicado pela autora em coluna para o site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 1 de outubro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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