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Em Terror

Crítica: A Noiva (Nevesta, Rússia, 2017)

  • 3 de novembro de 2017
  • Por admin
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Crítica: A Noiva (Nevesta, Rússia, 2017)
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Dirigido e roteirizado por Svyatoslav Podgayevsky. Elenco: Victoria Agalakova, Vyacheslav Chepurchenko, Aleksandra Rebenok, Igor Khripunov, Victor Solovyev.

É louvável que grandes distribuidoras se empenhem em trazer mais filmes estrangeiros do que simplesmente restringir seu foco no mercado norte-americano (e brasileiro) para atingir um público cada vez maior, proporcionando, deste modo, um contato com uma variedade de culturas, povo e linguagem. Muitas vezes há um grande preconceito em relação à obras cinematográficas fora dos Estados Unidos, e esse investimento poderia ser positivo para quebrar com essa ideia. Contudo, A Noiva, o segundo longa-metragem russo após a estréia de Guardiões (2017) que chega às telas do cinema distribuído pela Paris Filmes, não é só um desastre para o gênero do terror, mas corre o risco também de retomar todos estes preconceitos.

Essa (literal) bagunça possui uma premissa interessante e maravilhosa de ser explorada pelo viés do suspense e que infelizmente neste caso é desperdiçado. Baseado em um antigo costume da Rússia muito simples, fotografias eram tiradas de um parente quando este morre, como forma de preservar a “alma” da pessoa na memória da família. Assim sendo, esta prática um tanto quanto mórbida realmente aconteceu na vida real: chamava-se o fotógrafo da família para uma foto em conjunto com o recém falecido, vestido e maquiado e em postura de vivo. Neste sentido, A Noiva tenta trabalhar uma maldição por trás desse acontecimento envolvendo o recém casamento dos jovens Vanya (Chepurchenko) e Nastya (Agalakova). 

Ocorre que, o longa do novato russo Svyatoslav Podgayevskiy se perde completamente em sua narrativa: a lenda antiga da família se perde e não dialoga com o que acontece nos dias atuais, e o que seria um thriller sobrenatural eficiente acaba se tornando um terror gótico convencional e barato. Cenários, figurinos e até mesmo a mise-en-scène da casa da irmã Liza (Rebenok) parecem antiquados demais para o século XXI, demonstrando alguém que simplesmente parou no tempo com seus trajes e objetos vitorianos. Impossível conceber que em plena modernidade ela sequer possua uma máquina de lavar roupas. Além da irmã, é difícil também extrair alguma função na história em relação aos demais personagens que aparecem em cena, de tão mal desenvolvidos que são.

A Noiva (Créditos: IMDb)

Podgayevskiy tampouco se decide na cadeira de diretor. Por vezes podemos encontrar clichês e influências do cinema norte-americano ao optar por crianças intuitivas, lugares escuros, rituais, possessão, exorcismo e jumpscares, e em outros momentos consegue criar um ar de tensão eficiente gótico expressionista que, infelizmente, dura apenas alguns segundos diante da previsibilidade do roteiro.  Aliás, não seria errado dizer que o próprio texto contém contradições e/ou conveniências que prejudicam ainda mais a verossimilhança do que vemos em tela, e, portanto, em nenhum momento conseguimos esquecer que estamos no conforto de uma sala de cinema para, assim, nos deixar envolver pela trama, como por exemplo, o fato de que em um instante possuir um anel amaldiçoado não é impedimento para “a noiva” atacar e às vezes é; em outras ela demonstra ser bem “imponente” como se tivesse uma limitação, ora bastante poderosa. A possessão é um problema a parte na narrativa, visto que não sei ainda como explicar o motivo pelo qual a virgindade de uma mulher seria tão importante para perpetuar a maldição mediante esse ritual, quando uma mãe (sim, uma mulher com filhos biológicos) posteriormente é possuída involuntariamente. O que nos leva a outro questionamento: e se a noiva pode possuir as pessoas livremente, porque deveria haver todo um culto em torno disso?

Percebe-se, pois, que o longa mal consegue se sustentar durante noventa minutos sem parecer, no mínimo, ilógico e sem coesão. Ideias que seriam interessantes são totalmente abandonadas em prol de sustos: fotos tiradas de uma mesma pessoa, um vestido de casamento, um sacrifício e o próprio papel da irmã nesta trama toda é confusa e inconstante pela ausência de conexão entre todos esses elementos. Além disso, a noção de que o homem se acredita criador e manipular do mundo, das coisas naturais, como “enganar” a própria morte e reviver os mortos também é uma abordagem rica em discussão que prontamente fora largada e poderia ter sido um campo mais eficaz para se explorar diante de tantas referências, como Frankenstein.

E se não bastasse todo absurdo dessa história, temos ainda uma péssima dublagem em inglês, que retira toda e qualquer naturalidade dos diálogos, e na qual inclusive podemos escutar as falhas de gravação.

A Noiva, em suma, não vale um centavo do ingresso do espectador e é um completo desperdício de tempo.
Por admin, 3 de novembro de 2017
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