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Em Drama

Crítica: A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans, EUA, 2016)

  • 14 de novembro de 2016
  • Por Gabriella Tomasi
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Crítica: A Luz Entre Oceanos (The Light Between Oceans, EUA, 2016)
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Nota: 2,5/5,0*   

Dirigido e roteirizado por Derek Cianfrance. Baseado no livro “The Light Between Oceans” por M. L. Stedman. Elenco com: Michael Fassbender, Alicia Vikander, Rachel Weisz, Bryan Brown, Jack Thompson.

Logo após a Primeira Guerra Mundial – ou a Grande Guerra como se costumava chamar – encontramos Tom Sherbourne (Fassbender) se alistando para trabalhar em um farol. Localizado em um lugar remoto, entre dois oceanos, em uma ilha fictícia chamda Janus, Tom acredita ser o lugar perfeito para se instalar, após os traumas vividos durante o seu serviço militar.

Lá, ele conhece a filha de seu chefe, Isabel Graysmak (Vikander). Eles se apaixonam, casam e passam a ter uma vida juntos naquele lugar.

Almejando uma família e, portanto, ser mãe, Isabel teve a infelicidade de perder dois filhos durante o período de sua gravidez. Posteriormente à perda de seu segundo, um barco emerge da costa da praia, apenas para descobrir que lá está um bebê com o seu pai, morto. Desesperada, a esposa suplica a Tom para não reportar o que aconteceu aos chefes, de modo que eles possam acolher a criança e assumi-la como a sua, já que suas famílias ainda não sabem do aborto.

Neste longa, as atuações de ambos os atores são maravilhosas: Fassbender e Vikander conferem em seus papéis a intensidade necessária para a dramaticidade. O amor entre eles é bastante palpável e é desenvolvido o suficiente para importarmos com o que eventualmente aconteça com eles.

Rachel Weisz, por sua vez, interpreta a mãe biológica do bebê encontrado pelo casal, e igualmente se destaca em tela. Um dos momentos mais memoráveis é quando sua personagem, Hannah, se depara com a filha pela primeira vez, transparecendo muito bem uma expressão de familiaridade com a criança, como se fosse um instinto materno. Ainda, a montagem faz um trabalho excepcional, principalmente nos flashbacks, ao alternar entre os planos das lembranças de Hannah e do espaço temporal atual do filme.
Na realidade, o que realmente se destaca nesse filme, é a impecável fotografia. Os planos abertos exaltam o ambiente da natureza: as palhetas quentes da luz do sol, a extensão da ilha e principalmente os travellings executados sobre o mar, os quais causam uma sensação de isolamento da ilha. O compositor Alexandre Desplat não deixa a desejar na trilha sonora. Responsável pelos belíssimos trabalhos em Tudo Vai Ficar Bem, O Jogo da Imitação, O Discurso do Rei, A Garota Dinamarquesa, entre outros, a música se torna bastante expressiva, em momentos como o do grito que se confunde com o som de uma gaivota ou o intenso barulho do vento que se mistura com o som das armas da guerra sendo disparadas, representando a perturbação na cabeça de Tom.

No entanto, se analisarmos bem, a narrativa não faz sentido algum, trazendo elementos absurdos e ilógicos. Por exemplo, quando o bebê chega sã e salvo à costa, a tese de que haveria uma mãe preocupada, esperando pela filha nunca foi cogitada pelos personagens. Não bastasse isso, eles forjam a documentação para parecer que Isabel dera luz a um bebê prematuro tão facilmente, que seu marido não precisou de parteiras, nem de médicos ou qualquer tipo de assistência e, mesmo assim, ninguém jamais suspeitou deste fato.

Ainda, a utilização excessiva dos planos-detalhes e primeiríssimos planos, para, por exemplo, focar em uma lágrima, uma mão, olhos, ou expressões faciais, e assim, criar um ambiente intimista, acaba se tornando cansativa, pois resultou em um tom melodramático forçado. Diz-se forçado, pois cada vez se torna mais difícil sentirmos empatia por Isabel e Tom, uma vez que eles não medem as conseqüências dos seus atos, e ao contrário do que se esperaria, suas figuras são retratadas com um olhar vitimizado. Por conseguinte, revela-se contraditório, sendo que eles mesmos se colocaram nessa situação, e voluntariamente. A trama simplesmente ignora e deixa de abordar qualquer viés moral acerca de um ato criminoso, egoísta e bastante cruel.

É notório que o filme tem uma beleza estética inquestionável, porém, não é suficiente para salvar um roteiro superficial, do qual não se consegue extrair nada que o espectador possa levar para fora do cinema.

Texto originalmente publicado pela crítica Gabriella Tomasi, autora do blog Ícone do Cinema, para coluna do site Cabine Cultural

Por Gabriella Tomasi, 14 de novembro de 2016 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

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