Voltar para Página principal
Em Terror

Crítica: A Freira (The Nun, EUA, 2018)

  • 6 de setembro de 2018
  • Por Gabriella Tomasi
  • 0 Comentários
Crítica: A Freira (The Nun, EUA, 2018)
Rating: 3.0. From 1 vote.
Please wait...

Dirigido por Corin Hardy. Roteirizado por Gary Dauberman, James Wan. Elenco: Taisa Farmiga, Demián Bichir, Charlotte Hope, Ingrid Bisu, Jonas Bloquet, Bonnie Aarons, Jonny Coyne, Mark Steger, Sandra Teles, Manuela Ciucur, Ani Sava, Jared Morgan, August Maturo, Claudio Charles Schneider.

Invocação do Mal está sendo, gradativamente, uma franquia de sucesso no gênero do terror sobrenatural. Em especial, as várias sequências e spin-offs que são realizadas traçam o mapa da trajetória dos investigadores do paranormal, Ed e Lorraine Warren, e todas as suas histórias registradas em seus relatos e palestras: Amityville, Annabelle, e agora A Freira constituem aos poucos as partes do museu que o casal construiu para abrigar os objetos destes casos e que vai sendo reconhecível pelo espectador a cada novo capítulo.

A Freira é um spin-off que originou do caso contado em Invocação do Mal 2 (2016), no qual uma família de uma região humilde de Londres experimentava a presença de um espírito maligno.

O enredo acontece nos anos 50, logo após a Segunda Guerra Mundial, na região da Romênia, quando um jovem camponês canadense chamado Maurice (Bloquet) descobre o corpo de uma freira em um velho convento abandonado e que, aparentemente, havia cometido suicído. Neste aspecto, o trabalho do design de produção em conjunto com o figurino traz um resultado maravilhoso para um filme de época. Em particular, o contexto de uma construção medieval em estilo gótico, o qual já concede um ar fantasmagórico para o local, inclusive serviu para justificar a escuridão em razão da ausência de luz (elétrica), o que é bastante inteligente e auxilia o trabalho da fotografia em explorar livremente os tons cinzas e pretos nos cenários, a fim de estabelecer um suspense mais palpável.

O contraste entre o preto e branco do figurino simbolizam o protagonismo e o antagonismo em A Freira (Créditos: Warner Bros.)

Outro aspecto interessante do longa são os trajes brancos da protagonista, a noviça Irene (Farmiga), que se opõem à entidade e até mesmo ao Padre Burke (Bichir) e as demais irmãs, cujas vestimentas contêm majoritariamente a cor preta. O diretor Hardy tem plena consciência deste contraste, motivo pelo qual podemos apreciar a linda cena filmada em ângulo plongée (de cima para baixo) em que Irene, vestida em branco, está rodeada por freiras vestidas de preto, todas rezando em desespero para se protegerem. Esse efeito cria um simbolismo interessante para o filme, já que a protagonista claramente representa essa inocência e inexperiência e, ao mesmo tempo, a figura heróica da narrativa.  

Em suma, o visual de A Freira é maravilhoso e instigante. No entanto, é impossível deixar de notar a fórmula do roteiro que a franquia se apropriou e que a executa em praticamente todos os filmes, fazendo com que a jornada da luta do bem contra o mal seja a mesma em quase todas as suas narrativas. O contexto de um lugar amaldiçoado ser exposto a relações e laços vulneráveis que testam a fé, até sustos e suspense que levam à uma possessão e exorcismo final, parece ser o denominador comum em todas elas. Não há nada de errado, a princípio, em adotar um formato. Entretanto, o problema é quando não se agrega nenhum conteúdo novo, e, assim, as narrativas se tornam repetitivas e cansativas.

Neste sentido, não há nenhum desenvolvimento coeso em relação ao qualquer um dos seus personagens. O Padre Burke é uma pessoa, cujo passado não possui desfecho; Irene é apenas trabalhada em um pedaço em meio ao segundo ato que nunca é mais mencionado outra vez; Maurice está presente apenas por obrigação contratual e; nem a origem de Valak, o centro e motivo de toda a execução do filme, sequer é explicada. Dessa forma, dificulta o processo do espectador em se importar com a trajetória de cada um dos integrantes do longa.

Como resultado de um trabalho preguiçoso e desleixado, A Freira é um filme lindo de se ver, mas falha em um aspecto fundamental: contar a história da sua própria personagem-título.

Por Gabriella Tomasi, 6 de setembro de 2018 Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Gabriella Tomasi

Crítica de cinema, autora do site Ícone do Cinema, colunista para o site Cabine Cultural, membro do Coletivo de Mulheres Críticas de Cinema - ELVIRAS. É escritora e tradutora voluntária para a ONU.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verificação de Segurança *

Encontre-nos no instagram

@iconedocinema