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Em Terror

Crítica: 1922 (EUA, 2017)

  • 25 de outubro de 2017
  • Por admin
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Crítica: 1922 (EUA, 2017)
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Dirigido e roteirizado por Zak Hilditch. Elenco: Thomas Jane, Molly Parker, Neal McDonough, Brian d’Arcy James, Dylan Schmid, Kaitlyn Bernard, Bob Frazer, Patrick Keating.

O ano de 2017 definitivamente é o ano de Stephen King. Com várias adaptações suas para as telas do cinema como It: A Coisa e Torre Negra (para citar alguns), ele também chega nas telas da televisão pela plataforma Netflix. A história de 1922 gira em torno do fazendeiro Wilfred James (Jane) que, devido ao seu apego pelas suas terras, decide matar a sua esposa Arlette (Parker) com a ajuda do filho do casal Henry (Schmid) para impedir que ela vendesse a propriedade e se mudasse para cidade com o filho. Este, por sua vez, sucumbe às pressões do pai já que tampouco quer ficar longe de sua casa e, principalmente, de sua recente namorada Shannon (Bernard).

Mas o que Wilfred diz logo após o crime cometido simboliza muito a premissa do filme: o problema não é matar alguém em si, mas o que vem depois, ou seja, todo o trabalho realizado para não ser descoberto: criar um álibi, criar uma estória em caso a polícia apareça, esconder o corpo, entre outros detalhes que surgem no caminho e que Wilfred e Henry devem lidar.  Porém, não é só o trabalho físico e o tempo e esforço despendido que é caracterizado como “difícil”, mas as consequencias que vêm depois, os eventos que desencadeiam pela ausência de alguém. Por conseguinte, se em um primeiro momento Arlette era visto com um problema para o pai e o filho, algo que poderia ser resolvido pelo seu “desaparecimento”, os personagens se dão conta que na realidade era ela a solução de tudo, o que impedia a degradação da família, de uma vida confortável, assim como a decadente psicologia de ambos. Irônico, no mínimo, quando o discurso que motivou o assassinato era o de recuperar os velhos tempos, a paz e a harmonia, o que ao longo da narrativa demonstra ser, na sequencia, justamente ao contrário, afinal, o crime não compensa.

Neste aspecto, o trabalho de fotografia foi extremamente competente para ressaltar o estado emocional dos personagens, principalmente a de Wilfred. De início, os planos gerais e cores quentes evocam um ar contemplativo das vastas plantações de milho, da mesma forma como aquilo tudo representa para Wilfred e Henry: um lugar sacro, silencioso, de paz e de alegria.

1922 – disponível na Netflix.

No entanto, alguns planos ressaltam toda a fertilidade da terra, mas representando-a de maneira pejorativa, como algo destrutivo e aprisionador, como por exemplo, os planos fechados em meio à mata quando ambos discutem o plano do crime, ou quando eles caminham através das folhas completamente emergidos na plantação de tal maneira que mal vemos os personagens em ângulo plongée (de cima para baixo), e, ainda, um plano geral do milharal inteiramente coberto em sombras, o que coincide com a chegada do dia do assassinato.  Posteriormente ao crime, os planos se tornam cada vez mais fechados criando uma atmosfera claustrofóbica e sufocante, na qual a culpa se torna gradualmente mais presente. Arlette também fora bem trabalhada, se antes ela era apresentada em cores vermelhas e tons claros de roupa, na sequencia a vemos em um rosa apagado e, no momento do crime, com um vestido azul, cuja tonalidade também se prestou para complementar a fotografia, criando um eficiente clima de terror.

Embora a ótima referência de Bonnie e Clyde, a jornada e o destino de Henry e sua namorada não são satisfatórias para a narrativa no segundo ato. Por se focar demais no que acontece de fato com Wilfred e sua degradação mental, as mesmas nuances não acontecem com o filho que é jogado ao mundo da criminalidade diante de sua mentalidade igualmente frágil. Seu destino é apenas exibido por um monólogo. O excesso de informações e diálogos expositórios, portanto, foi o que prejudicou esse ritmo irregular do longa. Cada vez mais lento, o diretor Zak Hilditch não soube exatamente como decupar seu roteiro, uma vez que ao não conseguir equilibrar as subtramas e assim, o filme se arrasta muitas vezes e parece perdurar por mais tempo do que deveria.

1922 é uma obra eficiente em vários momentos, mas infelizmente essa jornada pode ser um tanto entediante.

Por admin, 25 de outubro de 2017
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